domingo, 4 de dezembro de 2011

Tomando consciência sobre a mediunidade consciente


"Bem longe, de mim distante
Onde irá, onde irá meu pensamento...
... Quem dera saber agora
Se cumpriste o juramento ..."

REFLEXÃO
Em 31-05-2011, às 18hs

O meu sofrimento reside em considerar-me um mau espírita. Todos os ensinamentos parecem-me apontar para mim os meus defeitos, os meus vícios. Eu recebo para mim cada palavra dita, ainda quando está é dirigida a alguma entidade que se apresente. Trago a lembrança de tudo, ou quase tudo, do que é dito, bem como toda a impressão deixada pelo transe mediúnico. Percebo todo o sofrimento e dor quando se trata de um espírito sofredor. Sinto-me envergonhada, humilhada e às vezes constrangida, quando advém de um embusteiro ou zombeteiro que tenta se divertir ou atrapalhar os trabalhos, deixando-me, nas muitas ocasiões, com vontade de não mais retornar ao Centro. Sinto-me assim porque vejo em mim, nas minhas faltas uma porta aberta para essas manifestações.

Trago também a sensação de paz, harmonia e leveza da alma em se tratando dos Bons Espíritos. Sinto-me  confortada com os bons conselhos. A mesma luz que os acompanham envolve-me. Na mesma medida, acompanha-me a sombra, a dor, o sarcasmo dos espíritos inferiores ou sofredores. Nesse momento, percebo que não somos superiores em nada. Estivessemos no lugar do "outro", no momento do "outro", fariamos o mesmo ou até pior. Muitas vezes, estes são o retrato de nossa alma. Dizer então, a este permito a comunicação, porque é "bom", "iluminado", a esse não porque é "inferior", selecioná-los, para mim, é tarefa muito difícil.

Sempre acreditei que são os que mais sofrem, os mais renegados por seus vícios, são os que merecem e precisam da minha atenção. Penso que quando permito a estes a comunicação, ainda que contrárias ao amor, em alguns momentos, palavras sem nexo, vil, vulgar, sofridas, ainda assim, estou ajudando-os. Apenas sofro com as lembranças e sensações que ficam depois das comunicações. Diante das comunicações permitidas, é em mim e não nos que se apresentam, que percebo o orgulho, a vaidade e o egoísmo, vícios inerentes a alma a alma humana. Engana-se, pois, quem acredita ser somente bondade e, por isso, receber somente boas comunicações e boas influências. Mesmo ficando muito mal de início, percebo que com as comunicações desses espíritos dito inferiores, aprendo muito. Sou capaz de enxergar o quanto estou longe da evolução, da perfeição, provavelmente, terei que reencarnar diversas outras vezes para corrigir a minha moral.

Não sinto orgulho por ser médium, nem sinto vaidade com as boas comunicações, nem mesmo privilegiada com a mediunidade. Reconheço nela a minha pequinez e o peso do compromisso assumido com o Pai que está no Céu. Ser médium consciente parece-me um peso a mais, uma dívida a mais. A responsabilidade, em buscar melhorar-me, é ainda maior. Preciso melhorar-me moralmente para poder auxiliá-los em sua evolução. Ninguém pode dar o que não possui, nem pode ser espelho para o outro se os vícios embassam a alma. Não há um peso e duas medidas. Por outro lado, entendo que não deixo de ser humana porque sou espírita. O bem e o mal existem, idependentes de quem você seja, da religião que abraçe ou da doutrina que segue. Às vezes tentando acertar erramos feio, doído, mas é para a nossa própria evolução. E eles, os desencarnados, nos são instrumentos em reciprocidade. Daí perceber o quanto somos iguais diante do Pai Celeste, um depende do outro como instrumento de regeneração e de evolução na Terra, plano de provas e expiações.

Os Espíritos Guardião, ou Mentores Espirituais, ou, ainda, Espíritos de Luz, nem sempre interferem nessas manifestações, deixa-nos à mercê da nossa condição humana, do nosso livre-arbítrio, creio para o nosso próprio bem, para que, entre o bem e o mal, aprendamos a trilhar o nosso próprio caminho. Porém, os Bons Amigos, como Espíritos Iluminados que são e com a missão que lhes cumprem, trazem-nos os bons conselhos, as boas inspirações, o alento da alma, revigoram as nossas energias com o bálsamo consolador, bálsamo que a nós fortalece e não nos deixa desistir da caminhada. Assim Seja!

Luz e Amor!


"A piedade é a virtude que mais vos aproxima dos anjos. É a irmã de caridade que vos conduz para Deus. Ah, deixai o vosso coração enternecer-se, diante das misérias e dos sofrimentos de vossos semelhantes. Vossas lágrimas são um bálsamo que derramai nas suas feridas. E quando, tocados por uma doce simpatia, conseguis restituir-lhes a esperança e a resignação, que ventura experimentais!..." (Que a mão esquerda não saiba o que faz a direita, cap. XIII; 17. O Evangelho Segundo o Espiritismo).

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"(...) Quem se faz instrutor deve valorizar o ensino aplicando-o em si próprio" (Joanna de Ângelis.