Não há expressão mais verdadeira
do que esta: “só damos valor depois que
perdemos”. Por sermos seres ainda tão ingratos fruto do orgulho e vaidade
que habita em nós, levamos muito tempo para dar o devido valor ao que de fato
tem valor na vida, a própria vida, e, muitas vezes, quando damo-nos conta, já
não há mais tempo. Apegados às coisas tão pequenas, as faltas alheias, aos
defeitos, as imperfeições, e acreditando-se superior por conta da soberba e
arrogância próprias da imperfeição humana, deixamos de enxergar a flor que
brota do terreno árido.
Então, quando percebemos que já
não há mais tempo, nasce o desconsolo da alma, o desespero de nada mais poder
fazer. Perda significa esta privação de nada poder fazer. A pessoa sente esta
privação como a pior dor do mundo – o luto. O luto é o sentimento de tristeza
profunda pela perda. A dor nos desequilibra. No luto, como diz Freud, “é o mundo que se torna pobre e vazio; na
depressão é o próprio eu”. A dor da perda não pode ser avaliada. É preciso
antes se perder na dor, para depois poder se encontrar novamente no amor. “A
dor é o polimento da alma”.
O luto é uma emoção iminente ao
ser humano quando ele perde alguém, ou seja, assim que uma ruptura o distancia
do ente querido através da morte. Desta carência nasce um sentimento profundo
de tristeza ou compaixão, a qual se manifesta de natureza positiva ou negativa,
de mínima ou de maior intensidade.
O luto não se restringe somente a
morte, ele está presente também em outras privações, na separação conjugal,
divórcio; na perda de um emprego, promoção; na aposentadoria, a aposentadoria
trás para muitos o sentimento de morte; um fato da vida como mudar de cidade e
deixar os amigos. Muitos fatores trazem esse pesar.
Diante do luto, alguns se
perguntam incrédulos: “_ por que isso
aconteceu?”. Outros procuram manter a pessoa amada, passando a ver e ouviu
a sua voz, uma forma de negação. Alguns desenvolvem sentimentos de culpa: “_ por que eu não evitei isso?”.
Inicia-se um processo de sofrimento e desorganização que pode levar a
depressão.
Tentar negar ou evitar esse
sentimento pode acarretar danos maiores futuro. “A dor se torna suportável quando acreditamos que ela terá um fim e não
quando fingimos que ela não existe” (Allá Bozarth-Campbell). O processo
considerado “patológico” pelos especialistas tem duas reações opostas: fica-se
preso ao luto (por exemplo: a mãe que continua arrumando o quarto do filho), ou,
nem se quer entra nele (ficar indiferente, não chorar, agir como se nada
tivesse acontecido), neste caso, a dor fica guardada em algum lugar e, um dia,
ela se manifesta.
O vazio da morte existe porque
não pensamos na morte como parte do corpo. A morte não está separada do corpo.
Esse distanciamento da morte faz parecer que nada mais existe depois do corpo, que
não existe vida após a vida, só o vazio deixado pela pessoa querida, que leva
consigo parte do nosso sentimento. Assim, quando a morte acontece nos
amedronta, nos machuca a ponto de perdermos o sentido da vida, “a ponto da morte do outro nos matar”.
Jesus, com o Cristianismo, trás
uma nova proposta que oferece um novo sentido a vida, mudando a estrutura do
pensamento, centrado no amor. O ensinamento do Evangelho se resume no amor. “O amor é a síntese da sabedoria
universal”. Jesus voltou para nos mostrar à imortalidade da alma. A morte
não é aniquilamento, a morte é a revelação da vida.
O homem compõe-se de corpo e
Espírito: o Espírito é o ser principal, racional, inteligente; o corpo é o
invólucro material que reveste o Espírito temporariamente. Existem, portanto,
dois mundos: o corporal, composto de Espíritos encarnados; e o espiritual,
formado dos Espíritos desencarnados.
O Espírito é a alma das pessoas
que viveram na Terra. Depois da morte prosseguem exatamente iguais, não se
transformam nem em anjos, nem em demônios. Sobre o retorno da vida corpórea à
vida espiritual, Kardec pergunta aos Benfeitores Espirituais: “_ Em que se
torna a alma no instante da morte?”. Respondem-lhe os Espíritos: “_ Volta a ser
Espírito, quer dizer, retorna ao mundo dos Espíritos, que deixou
momentaneamente” (L. E. questão 149). A morte não interrompe o ciclo da
afetividade daqueles que verdadeiramente se amam, eles voltam para nos mostrar
isso.
O Espiritismo trás a consolação
na Lei de causa e efeito, mostrando que nada acontece por acaso, mas que em
todo efeito há uma causa. O temor da morte é um efeito da sabedoria da
Providência e uma conseqüência do instinto de conservação. À medida que o homem
compreende melhor a vida futura, o temor da morte diminui. O apego as coisas
terrenas também é uma das causas do medo da morte, lastima-se por elas a perda
dos gozos terrenos, como se não houvesse maiores gozos de uma vida futura. As
cerimônias fúnebres também contribuem para essa visão de que nada mais existe
além-túmulo, provocando mais terror do que trazendo esperança, reforça a
destruição do corpo e pouco contempla a sublimação do Espírito.
Allan Kardec pergunta aos
Benfeitores, Livro dos Espíritos, questão 961: “_ No momento da morte, qual é o
sentimento que domina a maioria dos homens: a dúvida, o medo ou a
esperança?”. No que eles respondem: “_ A
dúvida para os céticos endurecidos, o medo para os culpados e a esperança para
os homens de bem” (L. E., 962).
Segundo os Amigos Benfeitores, “morrer não dói”. Na questão 154, L.
E., os Benfeitores revelam a Kardec que “o
corpo sofre, frequentemente, mais durante a vida que no momento da morte; neste
a alma não toma parte. Na morte natural, que chega por esgotamento dos órgãos,
em conseqüência da idade, o homem deixa a vida sem o perceber; é uma lâmpada
que se apaga por falta de alimentação”.
A lágrima que cai no instante da
morte (a última lágrima) é de causa física. A ciência explica que os
esfíncteres alargam e a lágrima cai. O Espírito mais evoluído, que compreende
que a morte não é o fim, alegra-se em livrar-se do invólucro corpóreo que o
prendia ao mundo terreno e sente-se feliz por novamente gozar da liberdade.
Alguns Espíritos, ainda com a perturbação da morte, assistem ao sepultamento do
seu próprio corpo, agradecendo-lhe a morada. “Na morte, o Espírito sai da escravidão; no nascimento, entra nela”
(L. E. questão 339).
Quando alguém querido morrer, não
lamente a sua partida. Agradeça a sua existência na Terra. Reviva os momentos
felizes e eles o alcançarão em pensamento e vibrações. Ore por ele, interceda
por ele, e quando chegar o momento da partida irá se encontrar com ele. Os
Espíritos ficam sensibilizados ao lembrarem-se deles os que amaram na Terra. Se
felizes, aumenta-lhes a felicidade; se infelizes, será para eles um alívio.
A prece não pode ter o efeito de
mudar os desígnios de Deus, mas a alma pela qual se ora experimenta alívio,
porque é um testemunho de interesse que lhe dá, e o infeliz é sempre aliviado
quando encontra almas caridosas que se compadecem de suas dores. Cristo disse
aos homens: ”Amai-vos uns aos outros”.
Essa recomendação encerra a de empregar todos os meios possíveis de seu
testemunho de afeição, sem entrar com isso em nenhum detalhe sobre a maneira de
alcançar esse objetivo (KARDEC, Livro dos Espíritos, questão 664-665).
O dia da comemoração dos mortos é
mais especial para os que ficaram, e querem manifestar que se pensa no Espírito
ausente. O túmulo representa apenas a imagem. Os Espíritos ali comparecem pelo
apelo do pensamento dos amigos ali presentes, o que faria em qualquer outro
dia, e não pela multidão indiferente. É a prece que santifica o ato de lembrar;
pouco importa o lugar, se ela é ditada pelo coração (L. E. questões 320-323).
Conforme Allan Kardec apresenta
no capítulo II, Penas, Gozos Futuros, “Crer
em Deus sem admitir a vida futura seria um contra-senso. O sentimento de uma
existência melhor está no foro íntimo de todos os homens. Deus não o colocou aí
em vão. A vida futura implica a conservação de nossa individualidade depois da
morte. Que nos importaria, com efeito, sobreviver ao nosso corpo se nossa
essência moral deveria se perder no oceano do infinito? As conseqüências para nós
seriam as mesmas que o nada” (L. E. questão 959).
A completa felicidade prende-se a
perfeição, isto é, a purificação do Espírito. Em virtude da lei do progresso
que dá a toda alma a possibilidade de adquirir o bem que lhe falta, como de
despojar-se do que tem de mau, conforme o esforço e vontade próprios têm que o
futuro é aberto a todas as criaturas. O bem e o mal que fazemos decorrem das
qualidades que possuímos. Dependendo o sofrimento da imperfeição, como o gozo
da perfeição, a alma traz consigo o próprio castigo ou prêmio, onde quer que se
encontre, sem necessidade de lugar circunscrito (KARDEC, O Céu e o Inferno,
cap. IV).
A vida nem sempre nos dá uma
segunda chance. Então, ame, ame muito! Faça ao outro tudo o que gostaria que se
fizesse por você, como ensinou o nosso Mestre Maior, Jesus Cristo, assim saberá
que está fazendo o bem. Abrace aquela pessoa a quem você ama e diga-lhe o
quanto ela é importante, não importa as ofensas. Se avaliar a própria consciência
verá que tem parte nisso. E se não tiver, o que importa? Um motivo a mais para
perdoar! O que importa estar certo? O melhor é ser e fazer feliz. Ame e viva
intensamente esse amor, no final, é tudo o que vai lhe restar. Valorize essa
oportunidade que a vida lhe dá de caminhar juntos, talvez seja esta a última
experiência de viver como companheiros, como pais ou filhos, como
irmãos ou amigos, não a desperdice com frivolidades. Como diz a letra da
canção: “Ame como senão houvesse amanhã”,
porque amar faz toda diferença!
Que Assim Seja!
Luz e Amor!
“Não se turbe o vosso coração.
Credes em Deus, credes também em mim. Há muitas moradas na casa de meu pai. Se
assim não fosse, eu vo-lo teria dito; pois vou preparar-vos o lugar. E depois
que eu me for, e vos aparelhar o lugar, virei outra vez e tomar-vos-ei para
mim, para que lá onde estiver, estejais vós também” (João, XIV; 1-3).
(Há muitas moradas na
casa de meu Pai, cap. III; 1. O
Evangelho Segundo o Espiritismo)
A vida quase sempre nos mostra situações em que a emoção fala mais alto do que qualquer palavra que possa expressar os nossos sentimentos. A lágrima e o sorriso são as mais puras expressões da alma. Através delas podemos demonstrar nossas mais profundas e incontestáveis emoções. A dor, a alegria, a saudade, a tristeza, a raiva, a ingratidão, o chegar, o partir, o abandono. A emoção é o degrau que pode fazer subir ao Céu ou descer ao Inferno da nossa existência. O Céu não está em cima das nuvens, junto com as estrelas, como alguns supõem, nem o inferno se coloca abaixo de nossos pés. O Céu e o Inferno coexistem em um mesmo espaço, na consciência de cada ser. Cada um carrega o seu próprio inferno e paraíso astral (L.E., questão 1011).
"Cada criatura constrói na própria mente e no próprio coração o paraíso que a erguerá ao nível sublime da perfeita alegria, ou o inferno que a rebaixará aos mais escuros antros de sofrimento" (Emmanuel).
As dores, os sofrimentos são como as tempestades, passam. É preciso lembrar que Jesus está no comando e pede-nos: "Não temas as coisas de meu Pai". A felicidade, ainda que relativa, e o sofrimento são resultados das nossas escolhas atuais ou pretéritas. Jesus também chorou, muitas vezes, de tristeza, vendo a humanidade se desinteressar pela verdade, e recolheu-se em oração.
Chorar faz bem. A intensidade da lágrima é proporcional a emoção do momento e lava-nos a alma. Não tem contra-indicação chorar, é necessário enfrentar a situação. Há os que concordam que chorar é sinal de força, de ter coragem de viver aquela emoção. O confronto com as próprias emoções ajuda na transformação. Chorar é a "dor do crescimento". Não devemos, com isso, alimentar a tristeza, mas procurar compreendê-la, e isso só é possível se a deixamos fluir em nosso ser para que dê lugar a reflexão. Assim, a tristeza é percebida como algo saudável, pois que serve para o despertar e a valorização da condição moral e espiritual. Essa inquietação já representa emancipação da alma.
A lágrima não expressa somente tristeza ou dor. Chora-se de alegria diante do nascimento de uma criança, do enlace conjugal, quando se conquista algo tão almejado. Chora-se diante da beleza da natureza, quando observa-se a grandeza de Deus em tudo o que existe, quando silenciamos e entramos em contato profundo com o nosso Anjo Protetor, e, então, somos tomados de emoção. A lágrima, seja de dor, de tristeza ou de alegria, serve para nos lembrar que somos todo emoção. A emoção é um movimento que nos leva a uma reforma íntima. É o abalo moral que nos faz pensar sobre o que verdadeiramente somos. A emoção é para que se mova, e não para que se fique parado, contido nela.
Cientificamente, chorar faz bem para a saúde orgânica. Segundo pesquisadores, a lágrima tem um componente químico que produz efeito analgésico, e um outro componente que produz bem-estar e alívio semelhante a morfina, a leucina encefalina, produzida pelo encéfalo. Quem chora tem menos propensão aos problemas cardíacos, porque libera o ar que compromete a artéria do coração. Estudos comprovam que chorar limpa os olhos (glândula lacrimal), ajudando a melhorar a visão. Constatou-se, também, que chorar diminui o índice de Manganês no organismo. A diminuição do Manganês no organismo trás sensação de alívio e bem-estar.
Se chorar faz bem, sorrir faz um bem maior ainda. Sorrir, e não gargalhar de tudo e de todos, fazendo pouco caso das situações, como expressão de sarcasmo. Sorrir como sinal de fé e esperança. A fé é o melhor remédio para as dores da alma (E.S.O.). Sorrir é caridade, doando-se amor àqueles que sofrem e choram. Sorrir com o coração aberto, transbordando a luz que é você. Sorrir é tão sublime, que para descrever com maior precisão a beleza e os benefícios que trás o sorriso, transcrevo de Meimei, Sorriso, psicografia de Francisco Cândido Xavier:
SORRISO
"Onde estiveres, seja onde for, não olvides estender o sorriso, por oferta sublime da própria alma.
Ele é o agente que neutraliza o poder do mal e a oração inarticulada, que inibe a extensão das trevas.
Com ele, apagarás a plantação o fogo da cólera, cerrando a porta ao incêndio da crueldade.
Por ele, estenderás a plantação da esperança, soerguendo almas caídas na sombra, para que retornem à luz.
Em casa, é a benção da paz, na lareira da confiança.
No trabalho, é música silenciosa incentivando a cooperação.
No mundo, é chamamento de simpatia.
Sorri para a dificuldade e a dificuldade transformar-se-à em socorro de tua vida.
Sorri para a nuvem, e ainda mesmo que a nuvem se desfaça em chuva de lágrimas nos teus olhos, o pranto será conforto do Céu, a fecundar-te os campos do coração.
Não te roga o desesperado solução do enigma de sofrimento que lhe persegue o destino. Implora-te um sorriso de amor, que remove as forças, para que prossiga em seu atormentado caminho.
E, em verdade, se os famintos e os nus te pedem pão e agasalho, esperam de ti, acima de tudo, o sorriso de ternura e compreensão que lhes acalme chagas ocultas.
Não condenes as criaturas que se arrogaram aos precipícios da violência e do crime. Oferece-lhes o sorriso generoso da fraternidade, que ajuda incessantemente, e voltar-se-ão, renovadas, para o roteiro do bem.
Sorri, trabalhando e aprendendo, auxiliando e amando sempre.
Lembra-te de que o sorriso é o orvalho da caridade e que em cada manhã, o dia renascente no Céu é um sorriso de Deus".
Então, deixe a emoção fazer vibrar o seu coração. Sorria e chore de emoção, você está vivo!
Que Assim Seja!
Luz e Amor!
"A dor é uma benção que Deus envia a seus eleitos. Não vos aflijais, portanto, quando sofrerdes, mas, pelo contrário, bendizei a Deus todo-poderoso, que vos marcou com a dor neste mundo, para a glória no Céu. Sede pacientes, pois a paciência é também caridade, e deveis praticar a lei da caridade, ensinada pelo Cristo, enviado de Deus. A caridade que consiste em dar esmolas aos pobres é a mais fácil de todas. Mas há uma bem mais penosa, que é a de perdoar os que Deus colocou em nosso caminho, para serem instrumentos de nossos sofrimentos e submeterem à prova a nossa paciência".
(Bem-Aventurados os Mansos e Pacíficos, cap. IX; 7. O Evangelho Segundo o Espiritismo).
Encontrar o "verdadeiro" amor e ser feliz é o que todos almejamos na vida. No entanto, ao que parece, só sofrimentos encontramos. A Terra parece um lugar de sofrimentos, enganos e dor. As pequenas alegrias que vivemos são passageiras. Bem não saciamos um desejo, e este já não nos alegra mais. Estamos sempre insatisfeitos com o que conquistamos e com vazio espiritual. Sempre em completo estado de ansiedade por acontecimentos que nem sempre se concretizam. Estamos sempre nos antecipando aos fatos, e desejosos que tudo se resolva em um único tempo, o mais breve possível, de tão intensa a nossa necessidade de satisfação. Somos extremamente imediatistas que desacreditamos do futuro que Deus nos reserva e nos aguarda. Então, nos desesperamos.
O amor é a purificação dos sentimentos, o refinamento das emoções, a lapidação dos instintos. Somente os Espíritos evoluídos possuem este sentimento. Esse amor que acreditamos buscar e que nos faz sofrer de tal forma ao ponto de cometer atrocidades, não é o "verdadeiro" amor. Paixão não é amor. Amor é o sentimento puro, livre de qualquer imperfeição, o qual ainda não alcançamos na Terra. Os Espíritos não podem aspirar à perfeita felicidade enquanto não estão puros: toda mancha lhes impede a entrada nos mundos felizes (E.S.E., cap. V; 10).
Os Espíritos imperfeitos estão no estágio das emoções. Joanna de Ângeliscoloca "nós somos totalmente emoção", e a emoção sabota a razão. Paixão é uma emoção e, emoção não é sentimento, emoção é um mover moral (abalo moral). Logo, está ligada ao "Ego" e não ao "Eu". Quando desejamos matar ou morrer pela "perda" de um grande amor, não é pela pessoa amada que o queremos, é pelo abalo moral. O "Ego" é atingido pela frustração dos nossos inconfessáveis desejos. O Ego ferido sofre em alvoroço (emoção), agita-se. Esse movimento está muito longe de ser um sentimento sublime. O amor é sereno, nada o abala.
Quanto mais materialista o Espírito, mais contrário é seu movimento em direção ao verdadeiro amor, ou seja, mais distante está do sentimento. No plano terreno, ainda somos Espíritos muito ligados à matéria, somos apegados ao nosso corpo físico e a tudo que a ele esteja ligado, por isso, ainda agimos mais pela emoção do que pela razão. O verdadeiro amor é racional e não passional. A razão é do "Eu" (espírito), a emoção é do "Ego". Logo, mata-se por orgulho, vaidade e egoísmo, e nunca por amor. O verdadeiro amor vive e deixa viver.
Os Espíritos mais primitivos só têm instinto. O instinto está diretamente associado à lei de conservação, segundo os Benfeitores Espirituais, daí a expressão "instinto de sobrevivência" ou, "de conservação", e, a causa de todos os vícios: o orgulho, o egoísmo e a vaidade. O Espírito primitivo ainda não reconhece sua existência fora da matéria, por isso, luta para manter sua existência corpórea à todo custo, precisando aniquilar o outro, ele aniquila. Não se vê como Espírito imortal. Porém, todos, um dia, deverão alcançar a perfeição moral e conhecer o amor, o sentimento mais sublime, próprio dos Espíritos Puros.
A Terra, sendo um plano de provas e expiações é um lugar ainda onde permeiam o sofrimento e a dor. A Terra é o lugar perfeito para trabalhar as nossas imperfeições. Como "hospital-escola", a Terra é o reformatório das almas. É o espaço onde os Espíritos reencarnam para tratar o amor doente (paixão) e se educar para a felicidade eterna. Nós reencarnamos para aprender o amor. Se tivéssemos aprendido a amar não mais precisaríamos encarnar. Deus não criou seus filhos para o sofrimento, e sim, para a felicidade eterna. Somos nós quem criamos o nosso sofrimento, por ainda não conseguir compreender os ensinamentos do Pai. E, aqueles que não são causadores de seu próprio sofrimento, experimentam-o para honra e glória do Senhor.
Jesus não precisava reencarnar entre os homens, pois, já era um Espírito Puro. Encarnou no corpo de um homem para honra e glória do Pai. Assim, também, é nos dado algum sofrimento ou dor, não por castigo, mas para que o nome do Pai seja exaltado. "Aquele que quiser ser o maior, seja o que vos sirva. Porque todo o que se exalta será humilhado; e todo o que se humilha será exaltado" (Lucas, XIV: 1, 7-11). Jesus foi exemplo de humildade e mansidão, servindo ao Pai, para que todos aqueles que seguissem os seus ensinamentos fossem salvos no amor de Deus. "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele" ( João 14:21).
Sofremos porque buscamos o supérfluo. Almejar não é o mesmo que buscar. Almejar é ansiar, desejar ardentemente (dicionário da língua portuguesa). Almejamos a felicidade e o amor, mas, não fazemos por encontrar a felicidade e o amor, mas, ir ter o supérfluo. Deus está sempre nos mostrando a vida que devemos ter e fazer. No entanto, não prestamos atenção aos sinais deixados por causa da nossa ânsia em ter. Temos a pseudo ilusão de que a felicidade consiste em "ter", e não nos damos o trabalho de fazer como ensina o filósofo da Antiguidade e reforça Santo Agostinho: "Conhece-te a ti mesmo". A felicidade não está no que não se tem. O maior de tudo não é o que possuímos, o mais importante é o que somos e o que fazemos de nós mesmos. Todos somos centelhas Divina, somos amor.
Preciso é amadurecer o nosso sentimento. Amadurecer não significa somente tomar as decisões acertadas, mas, aprender a lidar com as decisões tomadas. Muitas vezes, estamos carregados de desejos inúteis, que se tornaram um fardo, fazendo-nos sentir pesados e cansados. Então, porque não se livrar desse fardo, que só causa frustração e mata o Espírito? Porque não atender ao chamado do Cristo: "Vinde a mim todos os que andais em sofrimento e, vos achais carregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve" (Mateus, XI; 28-33).
A macieira carregada de belos frutos é linda, mas, se não forem arrancados a tempo, os galhos se quebram com o peso dos frutos, morre-se os frutos e a árvore também. Bem assim, é o homem, é preciso a cada tempo arrancar o peso de si, ainda que lhe pareça bonito, e libertar-se do fardo da ilusão para que não morra. Deus dará o auxílio necessário para que ele se fortaleça e fique de pé.
É preciso colocar Deus em nossa vida para ser feliz. O homem não deve esquecer-se jamais de que está no mundo inferior, onde só é retido pelas suas imperfeições. A cada vicissitude, deve lembrar que, se estivesse num mundo mais avançado, não teria de sofrê-la, e que dele depende não voltar a este mundo, desde que trabalhe para se melhorar (E.S.E., cap. V; 6). A verdadeira felicidade está em Deus. Deus é amor. E por amor, enviou-nos o vosso Filho, para que não conhecêssemos as trevas. Ninguém tem amor maior do que este. Assim, Jesus é a luz, o sinal que devemos seguir. O seu mandamento: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei". Toda moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, ou seja, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Assim, Jesus coloca a caridade como condição única da felicidade futura (E.S.E., cap. XV; 3).
Nós também somos fonte de amor porque somos feitos da emanação Divina. Logo, a felicidade está em nós e não fora de nós. Não a encontramos porque não nos colocamos onde ela verdadeiramente está. Disse Jesus: "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai, senão por mim. Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai (...) quem me vê a mim vê o Pai (...)" (João 14: 6-7). Quando aceitamos Jesus, estamos em Deus e o seu amor se manifesta em nós. Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus esses são filhos de Deus (Romano 8:15).
A verdadeira felicidade não é deste mundo, mas, da vida eterna. Jesus já ensinou isso: "Meu Reino não é deste mundo. Tende bom ânimo, eu venci o mundo". A vida material se extingue. Tudo material não existe, é ilusão, se findará com o corpo físico que não mais terá necessidade alguma de ter. Não se pode alcançar o que não existe. Fica-se atrás... atrás... mas tudo se transforma, por isso, não conseguimos encontrar satisfação na Terra, a não ser ilusória. Somente o que não se vê é o que verdadeiramente existe. A verdadeira felicidade, a que tanto almejamos, só existe no mundo que não vemos, mas, que é o real, e, por isso, podemos alcançar, o Mundo dos Espíritos Puros, onde a felicidade e o amor reinam soberanos. Que Assim Seja!
Luz e Amor!
"Bem-Aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus" (Mateus, V:8).
Cada dia que amanhece é um convite para recomeçar. A vida se renova a cada instante, o que agora é, em um segundo já não mais será, tornou-se passado. A vida se movimenta. A vida é dinâmica, está em movimento constante e, por isso, renova-se a todo instante. A vida está sempre mudando. Renovação é tornar Nova a Ação. É fazer um novo começo. "Se qualquer tempo é suscetível de ser ocasião para resgate e reajuste, todo dia é também oportunidade de recomeçar, reaprender, instruir ou reerguer" (Emmanuel, Ceifa de Luz)
O dia de hoje é uma dádiva dos Céus, um presente de Deus para que possamos renovar nossas ações. Renovar não é negar o velho, mas, dar um novo significado. Somente o presente pode oferecer algo de novo. O passado é o que já foi, deve ficar para trás onde está flexionado. O futuro é uma incógnita, um segredo de Deus em nossa vida. Somente no presente a vida pode se realizar. O passado não volta, é o hoje renovado. O futuro é a nossa ação que se renova a cada dia, pois, o propósito da vida é progredir.
A vida não é um movimento linear uniforme, porque a mudança não é linear. A mudança ocorre o tempo todo em movimentos sinuosos. A mudança ocorre na ação. A ação é um processo criativo que acontece de dentro para fora. A reação é querer consertar o que não tem remendo. É um movimento contrário onde se desprende um maior gasto de energia, sem nada mudar. Confrontar é olhar de frente. Porque idealizamos, passamos a combater a realidade em vez de movimentar-nos com a realidade. A realidade é um processo, e não se pode segurar um processo, é ficar preso, por isso, muita gente fica presa ao passado, não se permite seguir no movimento da vida.
Sem aceitar as mudanças, fica-se preso a um problema. É preciso sair do problema (ir para fora) e construir algo novo e não se prender ao problema. Nós é quem criamos o problema, porque estamos muito identificados com o nosso Ego. É o nosso Ego que nos dificulta soltar do problema e criar algo novo. O super apego ao Ego é que nos impossibilita renovar. O orgulho nada mais é que a super valorização do Ego, pai de todos os vícios.
A vida é auto-organização. Sentir a vida é um trabalho interior, é preciso autoconhecimento, identificar-se como pessoa de verdade com qualidades e fraquezas. A percepção está no nosso modo de olhar. O problema em si não é o problema, mas é a forma de se olhar para o problema. É preciso mudar nosso olhar para a vida e representar a vida de uma nova forma. É preciso sentir a vida e compreender que a morte é parte do corpo, e não separada do corpo. Transformação é morte. Morre-se para transformar-se em outra coisa. Transformação é mudar na essência, tocar na raiz de forma irreversível. Mudança não é transformação. A transformação é mais profunda, se dá quando se esgota toda as possibilidades de mudança. A morte nos trás a lucidez de que somos Espíritos imortais.
Quem ingressa no Espiritismo é naturalmente levado a transformação moral, pois é a Doutrina do Evangelho de Jesus, busca-se não ser mais violento, nem ingrato, nem maledicente, leviano ou infiel, qualidade de um Espírito Elevado. Quando se busca viver os ensinamentos de Jesus, o homem velho morre, transforma-se em um novo homem. Um homem renovado é um homem com novas ações. Renasce para a vida. Compreende que tudo o que existe de visível e palpável é ilusório, por isso, transitório. Mas, o que não se vê, o Espírito, é perene. A vida que anima o corpo não perecerá porque não veio do corpo, mas, já existia antes do corpo. O que veio do corpo, com o corpo perecerá.
"O Espiritismo não cria a renovação social; a madureza da Humanidade é que fará dessa renovação uma necessidade. Pelo seu poder moralizador, por suas tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas, pelas generalidades das questões que abrange, o Espiritismo é mais apto, do que qualquer outra doutrina, a secundar o movimento de regeneração; por isso, é ele contemporâneo desse movimento. Surgiu na hora em que podia ser de utilidade, visto que para ele os tempos são chegados". (A Gênese, Allan Kardec, cap. XVIII, item 25).
O orgulho, a vaidade, o egoísmo são frutos da falta desse conhecimento. Todos esses vícios, segundo os Benfeitores Espirituais, nasceram da necessidade de sobrevivência, ou seja, do instinto de conservação. O homem, temendo a morte por não compreender a existência da vida espiritual, colocou nos bens materiais a essência da vida. O homem por medo de morrer de fome, de frio, passou a acumular bens terrenos e a brigar por eles. Passou a olhar o outro como inimigo e a lutar entre si para defender seu território. O medo da morte passou a conduzir o homem no mundo tornando-o avarento, egoísta e cruel.
Allan Kardec questiona os Espíritos (L.E. questão 704): "_ Deus, dando ao homem a necessidade de viver, fornece-lhe sempre meios?". Os Benfeitores Espirituais respondem-lhe: "_ Sim, e se não os encontra é porque não os compreende. Deus não poderia dar ao homem a necessidade de viver sem dar-lhe os meios, por isso faz a terra produzir para fornecer o necessário a todos os seus habitantes, porque só o necessário é útil; o supérfluo não o é jamais".
Contudo, o homem evoluiu do instinto para o sentimento. O homem do nosso tempo, da Era dos Espíritos, precisa abandonar essa visão de mundo e deixar de sofrer por coisas supérfluas. O Espiritismo vem mostrar que a verdadeira essência da vida é o Espírito, ou seja, que a verdadeira essência do ser está nele mesmo, e ele buscá-a, desesperadamente, fora de si, causando o seu próprio sofrimento. Deus é amor. Deus como amor não deixou o sofrimento para nenhum de seus filhos amados. Deus não deixou dor e nem tormento, e se os permite é para honra e glória do Seu nome.
O homem, filho rebelde e ingrato, sem buscar conhecer os ensinamentos do Pai, e confiar nos seus propósitos, é quem criou as dores do mundo. Ainda assim, Deus, soberanamente bom e justo, na sua infinita misericórdia, deseja resgatar-nos a todos, convidando-nos a nos abraçar como irmãos. O próprio Cristo coloca-se na condição de irmão, filho do mesmo Pai, quando nos ensina, em oração "Pai Nosso, que estais no Céu ...". Jesus mostra que somos uma família universal. Se olhássemos para o outro como irmão e não como ameaça, viveríamos a paz.
Como esclarece Santo Agostinho (Revista Espírita),"não há mais do que uma única e mesma família sobre a Terra, como não há senão um único Pai no Céu". Para que a vida coletiva possa vingar, é necessário que os integrantes do grupo social tenham fortemente arraigados em si a noção de que as relações sociais somente serão satisfatória se o homem respeitar o outro com quem ele se relaciona. "Amai-vos uns ao outros como eu vos amei" (Jesus).
O nosso Pai é Deus, devemos honrá-Lo e amá-Lo com sinceridade. No entanto, lamentamos e reclamamos da vida, colocando-nos na condição de vítimas, sendo profundamente ingratos com Deus, nosso Pai. Esquecemos que Deus só permite um mal se por um bem maior. A ingratidão é fruto do orgulho que não nos permite enxergar a generosidade do Pai Altíssimo. Ser grato é ser humilde, é reconhecer que somos Espíritos imperfeitos e pequenos diante da grandeza de Suas obras. Jesus foi o maior modelo de humildade e mansidão. A gratidão é uma virtude que devemos buscar.
Gratidão não é somente retribuição. Gratidão é antes um sentimento de reconhecimento e amor, como ensina Joanna de Ângelis (Psicologia da Gratidão). Devemos ser gratos antes mesmo de receber, mantendo a alegria. Devemos manter o bom ânimo e alegrarmo-nos no Senhor, para que as coisas aconteçam, e não somente quando as coisas tenham acontecido. Jesus nos ensina: "Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (João 16:33). Quando Deus não permite realizar o desejo de um filho é porque Ele tem um outro propósito. "Porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, o Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis" (Romanos 8). Todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus (idem).
O Espiritismo convida-nos a rever nossos conceitos e aprender com Jesus os meios de renovar as nossas ações, modificando os nossos instintos ainda tão arraigados em nosso ser, e elevarmo-nos à condição de verdadeiros cristãos, como irmãos em Cristo que somos. A Doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo é uma porta aberta para a Renovação do Espírito. Jesus convida-nos, através do Evangelho, a nossa Reforma Íntima. Ensina a sermos como Ele, exemplo de amor e humildade, buscando o caminho do bem. Ensina a gratidão como reconhecimento do amor de Deus, uma virtude que nos conduz a caminho da esperança. Porque em esperança somos salvos. Ora, a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará? Mas, esperamos o que não vemos, com paciência esperamos (Romanos 8) Que Assim Seja!
Luz e Amor!
"Orgulhosos! Que fostes, antes de serdes nobres e poderosos? Talvez mais humildes que o último de vossos servos. Curvai, portanto, vossas frontes altivas, que Deus as pode rebaixar, no momento mesmo em que as elevais mais alto. Todos os homens são iguais na balança divina; somente as virtudes os distinguem aos olhos de Deus. Todos os corpos foram feitos da mesma massa. Vossos títulos e vossos nomes em nada a modificam; ficam no túmulo; não são eles que dão a felicidade prometida aos eleitos;a caridade e a humildade são os seus títulos de nobreza".
(Bem-Aventurados os Pobres de Espírito, cap. VII; 11. O Evangelho Segundo o Espiritismo)
Esses últimos dias fiquei reflexionando sobre afinidade e amor. Comumente, não são as alegrias que nos fazem refletir sobre a nossa existência terrena, mas, as tristezas, por isso elas existem, senão passaríamos pela vida sem nada aprender. Assim como todos nossos vícios. Eles são necessários para que através deles reflitamos sobre o que verdadeiramente somos, a que viemos e o que nos aguarda, questionamentos estes, todos sem respostas aparentes. São respostas guardadas pelo Pai Celeste. Somente Deus as conhece profundamente, não nos cabendo indagá-Lo, apenas, submetermo-nos à sua vontade. Compreendendo, apenas, que estamos todos aqui para evoluir moral e espiritualmente. Os vícios e o sofrimento são instrumentos de aprimoramento moral, permitidos pelo Pai que está no Céu. Muitas vezes, é preciso chegar ao fim do poço para poder subir. O alcoolismo, as drogas, o sexo, os jogos são meios necessários para que o Espírito, ainda rebelde, através deles conheça a dor de abusar do livre-arbítrio e, redimido, volte aos braços do Pai Celeste. Até o livre-arbítrio é circunscrito pela vontade do Altíssimo. Por isso, não devemos julgar, nem negar auxílio a nenhum desses irmãos, nem aos criminosos, porque eles precisam passar por este estágio e se render ao amor sublime. Um dia todos atingiremos os mundos angelicais, essa é a proposta da reencarnação.
Muitas vezes, ficamos tristes com um irmão drogado ou homicida, porque não o queríamos sob o mesmo teto, então, sofremos. Aceitá-los é cumprir com as responsabilidades assumidas antes mesmo da reencarnação. Amá-los é caridade. "Cedo ou tarde, compreenderão que a satisfação das paixões brutais tem para eles consequências deploráveis, que suportarão durante um tempo que lhes parecerá eterno. Deus poderá deixá-los nesse estado até que compreendam suas faltas e peçam, por si mesmos, os meios de resgatá-las em provas vantajosas" (L.E. questão 265). Outras vezes, nos sentimos preteridos por nossos pais, e sofremos repudiando àquela família. Contudo, a família corpórea é um grande laboratório para experienciarmos o amor. Não podendo voltar atrás quando já estamos comprometidos, lamentamos arrependidos das nossas escolhas. O professor Allan Kardec pergunta aos Espíritos Benfeitores, no Livro dos Espíritos, questão 269: "_ O Espírito pode enganar-se quanto à eficiência da prova que escolheu?". Eis o que responde os Espíritos à Kardec: "_ Pode escolher uma que esteja acima de suas forças e, então, sucumbe; pode, também, escolher uma que não lhe dê proveito algum, como ocorre quando prefere um gênero de vida ociosa e inútil. Nesse caso, uma vez de volta ao mundo dos Espíritos, ele percebe que nada ganhou e pede outra existência para reparar o tempo perdido".
O Evangelho Segundo o Espiritismo revela que existe a família corpórea e a família espiritual, ou seja, consanguinea e afins. Alguns Espíritos estão unidos em uma mesma família apenas pelo laço de sangue. Não existe ali, nenhuma afinidade. O que explica muitos irmãos não se sentirem como irmãos e muitos pais não se identificarem com certos filhos. E, os laços se romperem. Não existe nesta família um vínculo afetivo. Afeto é sentimento, e o sentimento é do Espírito. O corpo procede do corpo, mas, o Espírito não procede do Espírito, porque este já existia antes da formação do corpo (E.S.E., cap.XIV; 8). O laço espiritual é eterno, encarnados ou desencarnados, os Espíritos estão sempre próximos. Porém, o que nasce do corpo se encerra com o corpo.
"Está bem visto que aqui se trata de afeição real, de alma, única que sobrevive à destruição do corpo, porquanto os seres que neste mundo se unem apenas pelos sentidos nenhum motivo têm para se procurarem no mundo dos Espíritos. Duráveis somente são as afeições espirituais; as de natureza carnal se extinguem com a causa que lhes deu origem. Ora, semelhante causa não subsiste no mundo dos Espíritos, enquanto a alma existe sempre. No que concerne às pessoas que se unem exclusivamente por motivo de interesse, essas nada realmente são umas para as outras: a morte as separa na Terra e no Céu" (E.S.E., cap. IV; 18).
Conquanto, afinidade não é amor. Espíritos podem se unir em uma mesma família por outros motivos, não tão singelos. Assim como o amor, o ódio também pode unir Espíritos numa mesma família. Por isso, Jesus adverte: "Concerta-se sem demora com o teu adversário, enquanto estás a caminho com ele ..." (E.S.E., cap. X; 5). O Espírito, sendo imortal, leva consigo todas as impressões terrenas, boas e más, afetos e desafetos. E podem permanecer próximos tanto pelo afeto quanto pelo desafeto. Daí, também, compreender que existe sim, entre os filhos, aquele preferido pela mãe (maior afinidade). Os Espíritos estão mais próximos entre si quanto maior a afinidade. Ou seja, não é falta de amor por este ou por aquele filho, é a maior ou menor afinidade com um, em relação ao outro, que os coloca em maior sintonia (aproximação).
Quando se compartilha dos mesmos ideais, das mesmas vontades e desejos, ou de amor ou de vingança, é muito mais fácil conviver em um mesmo espaço. "Nossa alma vive onde se lhe situa o coração. Caminharemos ao influxo das nossas criações, seja onde for" (André Luiz). Quando as ideias são contrárias, entram em choque, repelem-se inevitavelmente, pois que, o pensamento é energia, e as energias, ou elas se repelem ou se atraem. O pensamento é uma força propulsora. Daí, certas pessoas não se unirem, mesmo sendo irmãos, ou, filhos, estes não buscam as mesmas coisas, ou, se buscam, agem de forma diferente. Os sentimentos não se assemelham. Enfim, não existe entre eles essa afinidade que os coloquem em sintonia.
Suely Caldas Schumbert, em sua obra "Mentes Interconectadas e a Lei de Atração", esclarece que "há sintonia quando uma onda mental encontra ressonância em um campo vibratório equivalente, sendo captada por um receptor da mesma frequência". Em outras palavras, as pessoas que compartilham dos mesmos pensamentos se interconectam pelas leis da afinidade, dessa forma, vibram na mesma sintonia, mesma zona vibratória, tanto para a felicidade, o bem, quanto para o mal, a infelicidade. Logo, afinidade e sintonia também não têm o mesmo significado. Afinidade é uma premissa necessária para que se estabeleça a sintonia. A obsessão nada mais é do que a união de Espíritos afins, ligados uns aos outros pelas próprias inferioridade morais.
Conforme esclarece André Luiz (Domínios da Mediunidade): "Imaginar é criar. E toda criação tem vida e movimento, ainda que ligeiros, impondo responsabilidade à consciência que a manifesta. E como a vida e o movimento se vinculam aos princípios de permuta, é indispensável analisar o que damos, a fim de ajuizar quanto àquilo que devemos receber. Quem apenas mentaliza angústia e crime, miséria e perturbação, poderá refletir no espelho da própria alma outras imagens que não sejam as da desarmonia e do sofrimento?".
Quando não há uma afinidade entre os Espíritos, não há trocas. É como dizer: "o que você tem não me serve". Isso implica dizer que cada um vai para um lado (faixa), levando o que é seu, e, isso corrobora para que os laços se rompam. Não é inexorável querer-se mal. Não é por não comungar das mesmas ideias ou sentimentos que não se possa estabelecer um vínculo afetivo, ou, respeitar o outro. Ideias diferentes podem conviver juntas através do respeito mútuo, como acontece no mundo dos Espíritos Puros. Este respeito é dado pela condição moral do Espírito, "respeito não se impõe, conquista-se". Quando se aprende a amar, mesmo não concordando com os ideais, modo de pensar ou sentir, continua-se amando o outro. O amor é uma conquista do Espírito, lembrando que o Espírito não regride.
A desunião acontece quando um busca no outro um aliado e vê-se frustrado em suas tentativas. Ele deseja impor a sua vontade e, contrariado, se insurge contra o o outro. Decorre, então as desavenças ou desafetos, os desenlaces familiares, e, a própria obsessão, pois que, sendo o transtorno do Espírito, pode seguir para outras existências, tanto física quanto espiritual. Como podemos verificar no Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, existe obsessão de desencarnados para desencarnados.
A influência dos Espíritos em nossa vida é determinada pela nossa sintonia com cada um deles, através do nosso pensamento repleto de negatividade e maus sentimentos. Mas, podemos também nos interconectar com Espíritos Superiores, buscando elevar o nosso padrão vibratório com pensamentos de amor e paz. Construindo pensamentos positivos podemos construir uma ponte direta com a Espiritualidade Maior, que está sempre pronta para nos acolher e guiar os nossos caminhos. "Ninguém foge aos princípios de causa e efeito, mas ninguém está privado da liberdade de renovar o próprio caminho, renovando a si mesmo" (André Luiz). Que Assim Seja!
Luz e Amor!
"Tendes ouvido o que foi dito: Amarás ao teu próximo e aborrecerás ao teu inimigo. Mas eu vos digo; Amai os vossos inimigos, fazei bem ao que vos odeia, e orai pelos que vos perseguem e caluniam, para serdes filhos de vosso Pai, que está nos céus, o qual faz nascer o seu sol sobre bons e maus, e vir chuva sobre justos e injustos. Porque, se não amardes senão os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem os publicanos também assim? E se saudares somente aos vossos irmãos, que fazeis nisso de especial? Não fazem também assim os gentios? Eu vos digo que, se a vossa justiça não for maior e mais perfeita que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus" (Mateus, V;20, 43-47).
(Amai os Vossos Inimigos, cap. XII;1.O Evangelho Segundo o Espiritismo)
Deus nos ama a todos. Ama os bons e os maus da mesma maneira porque somos todos seus filhos e estamos todos, justos e ímpios, sob a sua luz. Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna (João 3; 16). Jesus é a luz do mundo, assim, devemos viver sob os seus Ensinamentos, por amor ao Pai.
Luz, emsentido figurado, significa: 1. Aquilo ou aquele que esclarece, ilumina ou
guia o espírito:as luzes da
fé; o pai era a luz do menino. 2. Faculdade de percepção; juízo,
inteligência. 3. Esclarecimento, elucidação:Sua
crítica emprestou luz à obra. 4. Evidência, certeza, verdade: "Da
discussão nasce à luz" (prov.) (Dicionário Aurélio). Jesus trouxe-nos o Evangelho, a Boa Nova, a luz do conhecimento espiritual. Ele disse: "Vós sois a luz do mundo" (Mateus, 5, 14).
Jesus não foi o único encarregado de transmitir esses ensinamentos, tanto que Ele mesmo encarregou doze pessoas (apóstolos) e posteriormente outras setenta,como narram os Evangelhos, para que se propagasse a divulgação de seus ideais. Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque suas obras eram más. Todo aquele que que faz o mal aborrece a luz e não vem para a luz, para que suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim se que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas por Deus (João 3; 19-21).
Jesus não veio "salvar" ninguém como é pregado por algumas religiões, pois, cada ser humano é inteiramente responsável pelo seu próprio destino, pois que, colhemos aquilo que plantamos. Jesus é o grande instrutor que veio mostrar para humanidade a forma de sermos melhores através dos seus ensinamentos e do seu exemplo. Ninguém mesmo
pode ou deve ser responsabilizado por nossas escolhas. E mesmo se damos ouvidos a outrem, a escolha e responsabilidade final sempre serão nossas. Muitas vezes, sofremos porque escolhemos caminhos equivocados. E sabemos que não há volta para as caminhadas da vida, mas, sempre teremos novas oportunidades de corrigir nossos passos para direções diferentes. E, então, uma nova escolha é possível. Dessa maneira, cada alma vive no clima espiritual que elegeu, procurando o tipo de experiência em que situa a própria felicidade. Logo, buscamos ser como as águas dos rios, correndo sempre em alguma direção, regando flores que nascem do lado, matando a sede de pássaros e homens, desembocando em grandes mares, pois que, o Espírito está sempre em movimento, porque a vida não pára.
Quando Jesus diz "Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (João 14; 6), Ele se referia aos seus ensinamentos. Caminho significa que o ser humano deve trilhar, seguir os ensinamentos do Evangelho. Jesus não é só conteúdo do anúncio, mas é também o primeiro portador e arauto. Ele apresenta a si mesmo e a sua obra como o "Evangelho de Deus", isto é, a "boa-nova" que Deus envia ao mundo que espera. (Battaglia, 1984, p. 21 e 22). Verdade significa que o Evangelho é a expressão mais pura das Leis Divina trazida aos homens na Terra. Vida é o sentido Espiritual. Quando Jesus diz que "ninguém vem ao Pai senão por mim" significa que ninguém conseguirá ascender espiritualmente caso deixe de seguir os seus Ensinamentos. “Só Jesus não passou, na caminhada dolorosa das raças, objetivando a dilaceração de todas as fronteiras para o amplexo universal. Ele é a Luz do Princípio e em suas mãos misericordiosas repousam os destinos do mundo. Seu coração magnânimo é fonte da vida para toda a Humanidade terrestre. Sua mensagem de amor, no Evangelho, é a eterna palavra da ressurreição e da justiça, da fraternidade e da misericórdia. Todas as coisas humanas se modificarão. Ele, porém, é a Luz de todas as vidas terrestres, inacessível ao tempo e à destruição” (Xavier, 1972, p. 16)
A Luz já existe, está aí, é Jesus. Não é preciso mais que se faça, basta seguirmos em sua direção. Para que permaneçamos num campo vibratório de luz, devemos construí-lo dentro de nós. Os bons pensamentos é a base para percepção das luzes espirituais superiores. Se nos mantemos presos aos pensamentos carregados de hábitos nocivos e impulsos degradantes, permanecemos nas trevas. Para adentrarmos ao Reino dos Céus, como deseja o Pai, é preciso purificar-se. A purificação dos Espíritos reflete-se na perfeição moral dos seres em que estão encarnados. As paixões animais enfraquecem e o egoísmo cede lugar ao sentimento de fraternidade. É assim nos mundos superiores à Terra (L. E. Q. 182).
O objetivo final da reencarnação é alcançar a perfeição do Espírito e o bem supremo. Reencarnamos para nos educar e progredir espiritualmente. A cada nova existência o Espírito dá um novo passo no caminho do progresso; quando se despojou de todas as suas impurezas, não tem mais necessidade das provas da vida corporal (L. E. Q. 168). A luz do Evangelho é uma verdade que se impõe por si mesma. Podemos fugir da luz, permanecer nas trevas da ignorância, visto termos o livre-arbítrio.
Contudo, se fará o tempo em que teremos de nos voltar para Jesus e aceitar os seus ensinamentos, pois que, esta é a vontade de Deus e o futuro que nos aguarda, sermos Espíritos de luz. Estarmos reencarnados no mundo de provas e expiações é um estado transitório da nossa evolução. São as estações que todos temos que atravessar e as quais Deus é dono e senhor supremo. Porém, todos estamos destinados a um mesmo fim, bons e maus, cada um a seu próprio tempo, porque todos trazemos uma centelha de Luz Divina. Que Assim Seja!
Luz e Amor!
“Naquela hora,
chegaram-se a Jesus os seus discípulos, dizendo: Quem é o maior no Reino dos
Céus? E Jesus, chamando um menino, o pôs no meio deles e disse; Na verdade vos
digo que, se não vos fizerdes como meninos, não entrareis no Reino dos Céus. E
o que receber em meu nome um menino como este, a mim é
que recebe” (Mateus, XVIII; 1-5)
(Bem-Aventurados
os Pobres de Espirito, cap. VII; 3. O Evangelho Segundo o Espiritismo)
Tenho refletido sobre alguns conceitos, entre os quais, o que é sofrimento. Algumas pessoas têm criticado a minha decisão de me submeter a cirurgia de reconstrução de face, especialmente agora, que o aparelho apresentou "problema" e precisarei "recomeçar do zero", passar por nova cirurgia já que "tudo deu errado". Comentam que não havia necessidade de eu passar por esse "sofrimento", fruto da minha "vaidade". E, que Deus "castiga".
Antes de conhecer a Doutrina Espírita e dedicar maior estudo aos Ensinamentos de Jesus, através do Evangelho, eu me sentia abatida com essas colocações. Hoje, porém, o que pude perceber, é que tudo parte da compreensão que se tem sobre o sofrimento, a dor, o que é certo e o que é errado. São os conceitos que se tem das coisas que determina o que realmente elas são para cada pessoa. Eu realmente estou melhor, como me foi dito pela Espiritualidade. Continuo com problemas para resolver, mas, a minha visão já não é mais a mesma.
O Espiritismo não vem solucionar os nossos problemas existenciais, mas, ensina-nos a ter uma postura mais coerente, porque aprendemos a enxergar a vida e a morte de uma forma mais consoladora, fundamentada nos ensinamentos do Cristo. Creio que este é o alívio que Jesus nos prometera: "Vinde a mim todos os que andais em sofrimento e, vos achais carregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve" (Mateus, XI; 28-33). Aceitar Jesus, pela prática de seus ensinamentos, torna o nosso olhar diferente sobre os desígnios de Deus. Ensina-nos o bem e o mal sofrer. Este discernimento dá-nos a confiança e o alívio necessário para seguirmos em frente.
Por que será que surgem os problemas? Será que é para eu me desanimar diante da vida? Ou, para eu mudar de direção? Os problemas surgem para o meu desânimo ou, pelo meu desânimo? Contudo, existem coisas que não dependem da minha vontade. Deus estabelece a sua vontade, rege o Universo através de suas leis, seja no mundo material, seja no mundo Espiritual. Tudo o que quer que se faça está na previsão de Deus. Mesmo o livre-arbítrio está na previsão divina para que não interfira nos seus propósitos. Muitas vezes passamos pelos problemas sem tê-los criados, eles são apenas para o nosso aprendizado. É insensatez acreditar que se padeça em vão. Na vida nada é em vão. Não há sentindo no sofrer por sofrer. "O sofrimento está a serviço de Deus e da Humanidade" (Léon Denni), o sofrimento é aprendizado. A doença, muitas vezes, é o tratamento da pessoa aqui na Terra.
Eu não percebo todo esse processo pelo qual estou passando como "sofrimento". Eu vejo como benção. Deus atendeu às minhas preces. Eu esperei em Deus o dia em que fosse possível reconstruir a minha face, em que o osso crescesse e formasse uma nova mandíbula, que a ciência evoluísse. Este dia chegou, então, não é sofrimento, é felicidade, é Glória. Eu sabia que não seria fácil, mas, que Jesus estaria no comando, e, entreguei a minha vida em suas mãos. Então, não tenho o que temer. "Eu sou contigo" (Jesus).
O aparelho não apresentou "problema" e sim solução, se não houvesse desativado, provavelmente, eu ficaria maior tempo num processo doloroso e sem avanço, silenciosamente. Deus apenas interrompeu o processo. O novo "distrator" já foi enviado, num prazo hábil que não irá prejudicar a evolução do processo. Terei que passar por nova cirurgia, é verdade, mas não porque "tudo deu errado", mas porque eram necessários ajustes. Sei que Deus está preparando algo melhor, e eu preciso estar melhor para receber. Assim, eu não vou "recomeçar do zero", eu avancei espiritualmente e isso não é pouco. "Só poderá subir na vida quem souber descer com humildade quantos degraus necessários".
A dor não é "castigo". A dor é um estímulo para curar o Espírito para que ele volte para o seu estado permanente de amor. E, é preciso acolhermos a nós mesmos com amor. Cuidar das lesões no corpo causados pela doença (física e espiritual) não é "vaidade",é comprometimento. "A necessidade de cuidar do corpo, segundo as alternativas de saúde e doença, influi sobre alma de maneira muito importante, pois que temos de considerá-la como prisioneira na carne (...) Não o castigueis pelas faltas que o livre-arbítrio o fez cometer, e pelas quais ele é tão responsável como o cavalo mal dirigido o é, pelos acidentes que causa" (E. S. E., cap. XVII; 11). Martirizar o corpo não tornará o Espírito menos egoísta e menos orgulhoso. A perfeição está no Espírito, por isso, cuidar do corpo e do Espírito.
Jesus encoraja-nos a seguir: "Não temas as coisas de meu Pai". As dores, os sofrimentos são como tempestades, passam. Todas as obras de Deus são boas, e cada uma delas, chegada a sua hora, fará o seu serviço. Não se pode dizer; Isto é pior do que aquilo; porque todas as coisas serão achadas boas a seu tempo (B.S. Eclesiástico 39). Jesus veio para fazer cumprir a lei do amor. Veio desfazer idéias equivocadas antes dele, que não era a compreensão exata, mas, a necessária para aquela época. Jesus veio trazer a luz dos ensinamentos. Ensinar o amor que é Deus. "Jesus é para o homem o modelo de perfeição moral que a Humanidade pode pretender sobre a Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a mais pura expressão da sua lei, porque ele estava animado de espírito divino e foi o ser mais puro que apareceu sobre a Terra" (L.E., Q. 625).
A felicidade, ainda que relativa, e o sofrimento são resultados de nossas escolhas de vidas pretéritas e, na sua maioria, de vida atual. Colocar a culpa no passado é não assumir responsabilidades diante da vida. Responsabilizar-se é ter autonomia sobre nós mesmos, sobre nossa vontade e nossos desejos. Se fosse vontade de Deus que vivêssemos do passado não lançaria sobre nós o véu do esquecimento e, muito menos, presentearia-nos com um novo dia, uma nova oportunidade. É preciso recomeçar, Deus nos dá essa oportunidade. Recomeçar com Jesus, seguindo as diretrizes de Jesus, mudando o caminho, buscando o desenvolvimento espiritual que é o compromisso com a reencarnação. "Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça,e as demais coisas lhes serão apresentadas". O Reino de Deus está dentro de nós. Que Assim Seja!
Luz e Amor!
"Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? (...) Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (N.T. Romanos 8; 35-39)
Não sei o que aconteceu, mas creio firmemente que foi a mão de Deus sobre a minha vida. Pareceu-me uma pequena explosão. A chave que utilizo para o procedimento de distração óssea, num segundo, caiu da minha mão e um impacto forte na gengiva, por onde perpassa o aparelho, fez-se sentir. Naquele instante, todas as dores que vinha sentindo durante o período pós-operatório cessou. Nenhum mal-estar e, uma enorme sensação de alívio e de liberdade pude sentir. A princípio desejei chorar. Pensei: "tudo perdido!". Então, ajoelhei-me e roguei, mais uma vez, a presença de Deus em minha vida. O silêncio respondeu-me: "Não chores! Não sabes que Deus não permite um mal senão para um bem maior?".
Levantei-me e recorri ao Evangelho Segundo o Espiritismo: "Amai os vossos inimigos" (cap. XII; 1-2). Fechei. Indaguei: porque está mensagem se a minha aflição está na possibilidade de se fazer outra cirurgia? Abri novamente o E.S.E., "Amai os vossos inimigos". No que amar aos meus inimigos possa ajudar-me diante do que aconteceu? Coloquei-me em oração e li atentamente cada versículo. Voltei-me ao espelho, o rosto estava com os contornos alinhados. A ponta da placa de reconstrução que antes parecia querer rasgar meu rosto havia ajustado-se. O meu pescoço, imóvel para conter a dor, agora movia-se livremente. A dor na nuca desaparecera como por encanto. Uma paz imensa manifestou-se. Era as mãos de Deus sobre a minha vida.
Desde que passei pela cirurgia não mais havia dormido profundamente. As dores na nuca e na cabeça eram intensas e constantes. Nenhum medicamento aliviava aquela dor. Relatei ao médico, ele nada soube me responder, parecia não haver ligação com a cirurgia. Na região do queixo nada me incomodava, somente no momento de afastar o osso com o "distrator", procedimento que tenho que fazer durante três ou quatro meses, a depender do desenvolvimento ósseo. Durante o sono as dores se intensificavam, então, levantava-me e colocava-me a andar pela casa, para só depois voltar a dormir.
De início, percebia todo o procedimento médico no momento da cirurgia, como se estivesse acontecendo naquele instante. Percebia os médicos ajustando os pinos que prendem a placa e o distrator. Fechava os olhos e percebia muitas mãos em meu rosto; percebia a pulsação sanguínea na minha cabeça. Foram três noites seguidas com esta percepção. Não sei se são memórias do passado, mas, percebia como se estivesse em um outro momento, sendo colocado, em mim, uma amordaça de ferro que apertava fortemente o meu rosto e crânio. De repente, não eram mais os médicos, mas, faces que não pude reconhecer porque não tinham os traços claros, eram sombras do passado. Então, despertava com aquela visão.
Já em casa, pois que, passei as duas primeiras semanas sob cuidados em casa de minha família, com as dores insistentes e sem conseguir o repouso que o sono propicia, despertou-me uma enorme vontade de ir a Casa Espírita, onde trabalho, buscar alívio físico e espiritual. Havia passado por uma cirurgia espiritual anterior a cirurgia física. Acreditei já ter acabado. Contudo, ao buscar acolhimento, fui informada de que havia uma cirurgia espiritual marcada e fui encaminhada com urgência.
Ao retornar para casa, como em todas às vezes que passo pela cirurgia espiritual, fui tomada por um sono regenerador. Passei o dia seguinte tranquila e as dores já eram bem menores. No outro dia, como vinha fazendo, orei a Deus para que se colocasse à frente, e permitisse aos Amigos Benfeitores tomassem em suas mãos todo o procedimento, para que nada fugisse à Vossa vontade. Foi o instante em que a chave do "distrator" saltou da minha mão e o aparelho desativou repentinamente.
Procurei o médico de imediato e ficou constatado através de RX panorâmico que o aparelho não estava, até naquele momento, funcionando adequadamente. Ou, seja, permanecia estacionado mesmo parecendo funcionar satisfatoriamente. E, no instante em que o médico fez o procedimento, as peças externas do aparelho soltaram-se, causando grande surpresa a todos. Diante deste novo quadro, terei que passar por outra intervenção cirúrgica para a troca do aparelho.
Diante de todo esse acontecimento, testemunho que a mão de Deus está sobre mim e, os Espíritos Benfeitores estão auxiliando a minha caminhada. Jesus disse: "Vinde a mim todos os que andais em sofrimento e, vos achais carregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve" (Mateus, XI; 28-33). Ao buscar auxílio espiritual, encontrei o amparo Divino. Como Deus não permite um mal senão para que o melhor aconteça, pude descobrir à tempo o não funcionamento do aparelho. Estava machucando-me mais não avançando. Não tenho o que lamentar, mas, somente agradecer a misericórdia Divina e a intervenção da Espiritualidade. "Tudo posso naquele que crê".
Quando colocamos Deus à frente de tudo em nossa vida, o seu amor se manifesta como bálsamo para o alívio de nossas dores. O sofrimento que experimentamos é necessário para fortalecer a nossa fé. Se na hora do sofrimento rogamos pela presença de Jesus e dos Vossos Mensageiros, o socorro é certo e o alívio imediato. Se nos desesperamos é porque a fé foi abalada, e no momento em que a fé é frágil, então, subitamente, damos oportunidade aos nossos inimigos de se aproximarem e intensificar o nosso sofrimento. A falta de fé baixa o padrão vibratório. A incredulidade, a simples dúvida quanto ao futuro, as idéias materialistas, em uma palavra, podem levar até mesmo ao suicídio, pois, elas produzem a "frouxidão moral" (E.S.E., cap. V; 16). Os Espíritos obsessores, segundo os Benfeitores Espirituais, agem pelo que escutam e se articulam de acordo com o que ouvem. Conhecem cada palavra que sai de nossa boca, pois que, a boca só fala do que cheio está o coração.
Assim também, quando oramos, elevamos o nosso padrão vibratório e, os nossos pensamentos são levados até Deus pelos Espíritos Superiores, que ouvem as nossas preces. Manter a fé inabalável é não lastimar os acontecimentos, colocando tudo nas mãos de Deus. Nenhuma folha seca cai no chão sem a permissão do Pai. Somente Deus é o dono do tempo e das estações. Pensar que recebemos porque merecemos é mais presunção do que fé. A fé verdadeira consiste em acreditar, firmemente, que tudo parte da misericórdia Divina. Acreditando que, mesmo sendo imperfeitos, somos todos filhos de um mesmo Pai, e que sobre todos, bons e maus, recai o amor de Deus. Por isso, "Amai os vossos inimigos".
Quando oramos, os Benfeitores também levam as preces às zonas inferiores, aonde Espíritos inferiores buscam atrapalhar o nosso processo evolutivo, e estes são tocados pelas preces. O Evangelho no lar, assim, deve ser feito em voz alta, para que os nossos inimigos espirituais também recebam as nossas orações, e, no seu tempo, cada um possa perdoar as nossas ofensas. É comum e confortável colocar a culpa nos Espíritos inferiores, ou, em nossos "obsessores" pelos nossos sofrimentos. Basta algo fugir às nossas expectativas que logo os culpamos. No entanto, como ensina a Doutrina Espírita, ninguém é vítima. "O obsedado e o possesso são, pois, quase sempre, vítimas de uma vingança anterior, a que provavelmente deram motivo por sua conduta" (E.S.E., cap. X; 6).
Em algum momento fomos nós os verdugos dos Espíritos que nos perseguem. E, como o Pai é soberanamente bom e justo, permite a oportunidade para que ambos possamos evoluir moralmente. "Deus permite a situação atual, para punir do mal que fizeram, ou, se não o fizeram, por haverem faltado com a indulgência e a caridade, deixando de perdoar". (E.S.E). Os Espíritos mais evoluídos auxiliam para que os retardatários encontrem o caminho do Pai, através do perdão. "Deus não deixa ao sabor da vingança aquele que soube perdoar" (E.S.E). E, o perdão não é unilateral. Só se perdoa outrem quando se auto-perdoa. Que Assim Seja!
Luz e Amor!
"Concerta-te sem demora com o teu adversário, enquanto estás a caminho com ele, para que não suceda que ele te entregues ao juiz, e que o juiz te entregue ao seu ministro, e sejas mandado para a cadeia. Em verdade te digo que não sairás de lá, enquanto não pagares o último ceitil".(Mateus, V; 25-26).
(Bem-Aventurados os misericordiosos, cap. X; 7. O Evangelho Segundo o Espiritismo).
"Observa-te nas manifestações perante os amigos: traze o Evangelho mais vivo nas atitudes" (André Luiz).
Em 01-05-2014; às 20hs. e 40mint.
Glória à Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa-vontade. Fui agraciada pelo Senhor, meu Deus. O Senhor atendeu as minhas preces. Finalmente, o meu pedido ao Ministério Público de um aparelho para a reconstrução de face foi atendido pelo Estado. Logo passarei pela intervenção cirúrgica.
Eu precisei ter muita fé. Não a fé corriqueira das coisas prováveis, mas, aquela de entregar tudo nas mãos de Deus e esperar. Conquanto, ainda não havia essa possibilidade. Eu não podia deixar de acreditar em Deus, mesmo depois de doze cirurgias de reconstrução frustradas, ora pela absorção, ora pela rejeição, fases nebulosas da minha vida, de total instabilidade entre expectativas e frustrações, mas, sem deixar de esperar em Deus. Como todo procedimento cirúrgico, este também é evasivo, podendo ocorrer absorção do tecido ósseo. Cada organismo reage de forma diferente. Dos quais tenho conhecimento, todos obtiveram resultados positivos. Estou com a mente aberta e o coração em paz para receber o que o Universo enviar-me, e grata. Uma gratidão tão profunda que se esse for o meu último momento seguirei feliz.
Há muito, em minhas orações, desejava ver possível crescer o osso que me foi retirado por conta de um tumor (ameloblastoma), aos 24 anos de idade. Conta a idade de nascimento da minha única filha. Foram momentos difíceis, mas, nunca hesitei quanto ao seu nascimento. O médico, na ocasião, havia aconselhado a interrupção da gravidez para que não precisasse a extração total da mandíbula esquerda. Esperar nove meses seria muito arriscado, com chances de tomar o outro lado da face. Estava com três meses de gestação e já a amava mais do que a mim mesma. Já havia tentado engravidar durante dois anos sem sucesso. Quando já não mais esperava, fui tomada pela alegria da maternidade.
A gravidez foi difícil. Precisei fazer repouso absoluto para não sofrer aborto espontâneo já que apresentava sangramento desde o início. Tranquei o curso de Licenciatura em Química Aplicada, na UNEB - Universidade do Estado da Bahia. Estava cursando o último semestre, mas, nada era mais importante do que aquele ser que estava para vir ao mundo. Após o quarto mês, a gestação seguiu tranquilamente. Passaram os enjoos, o sangramento, agora seria somente a alegria de ser mãe. Não fiquei pensando no que seria do meu rosto, da minha vida após o parto. Enquanto pudia, desejei apenas ser feliz. O amor por ela compensaria todas as perdas possíveis.
Então, chegou o dia, o qual não podíamos mais esperar. O médico que acompanhava o desenvolvimento do tumor, que tomava o meu rosto silenciosamente, alertou-nos que não seria possível esperar mais do que vinte dias após o parto para o procedimento cirúrgico, ou, os danos seriam bem maiores e, possivelmente, irreversíveis. O tumor já avançava comprometendo o côndilo (articulação da mandíbula). Foi essa perda (côndilo) que dificultou a reconstrução da mandíbula. Dessa maneira, amamentando-a pela última vez, coloquei uma canção que seria o nosso hino de amor e perseverança - "Hey Jude", The Beatles.
As lágimas agora cobrem o meu rosto, como naquele instante. O mesmo sentimento de amor e de esperança, e, a certeza de ter dado o meu melhor. Não deixo nunca de repetir: "Se precisasse, faria tudo outra vez. Jamais desistiria dela e desse amor".
Então, como a letra da canção diz "e a faça melhor", eu peguei a minha dor e fiz o melhor dela.
A última cirurgia ocorreu em 2011, para retirada total da prótese que havia quatro anos. Os pinos soltaram-se e foram expulsos pelo meu organismo. O médico desenganou-me. Disse não haver mais nada que se pudesse fazer neste sentido. Já estava frequentando a Casa Espírita, então, aprendi a olhar o sofrimento de outra forma. "_ Quer mudar? Então comece pelo pensamento. Quem no mundo pode recomeçar tantas vezes? Então, não lastime, agradeça" (Espiritualidade da Casa).
O Espiritismo não prega o sofrimento como Salvação. Ensina-nos o bem sofrer e o mal sofrer. Já que o sofrimento é necessário neste mundo de provas e expiações, é preciso aprender a olhar o sofrimento como algo positivo. A dor é inevitável, mas, o sofrimento é uma escolha. O sofrimento é do tamanho que o medimos. Todos podemos sair do estado de sofrimento cultivando pensamentos positivos. Colocando amor onde há dor.
Eu aprendi desde cedo, em minha orações, pedir a Jesus que mesmo diante de toda dor e sofrimento, eu pudesse sempre sorrir. E, que, ao sorrir, eu pudesse mostrar um pouco do Seu amor àqueles que sofrem. Eu nem imaginava que o meu sorriso ficaria "torto", é verdade, mas, eu jamais deixei de sorrir. Mais tarde, orava e pedia para que um dia meu osso pudesse crescer novamente, então, eu não mais precisaria de prótese e não mais haveria absorção ou rejeição.
Esse dia chegou, enfim. Será um procedimento um tanto quanto delicado e prolongado, denominado de "distração osteogênica". Será colocado um "distrator ósseo", um mecanismo que afasta uma parte óssea da outra, obrigando o osso a crescer neste espaço, já que as células ósseas tendem a se regenerar. A expectativa é de que o crescimento seja de dez centímetros, no prazo de quatro a cinco meses. Depois, o "distrator" será removido. Então, será feita a reconstrução da gengiva e a colocação do implante dentário. Todo o tratamento tem previsão para dois anos.
Certa vez, a psicóloga que me acompanhou depois da amputação da mandíbula (hemimandibulectomia), disse-me que o motivo daquela doença seria, muito possivelmente, a "raiva" contida e que se enraizou naquele sentido. Ela disse-me que quando sentimos raiva, trancamos com força a mandíbula, rangemos os dentes iguais animais raivosos. A raiva não trabalhada pode ter sido causa desse tumor na mandíbula. A partir daí, começamos a trabalhar a raiva como uma emoção natural no ser humano. É natural sentir raiva, o que não se deve é negar esse sentimento, mas, conhecê-lo-lo e tratá-lo para que não aconteça de eclodir em forma de uma doença física. Muitas doenças, como o câncer, o cálculo renal, obstrução intestinal, têm causas emocionais, confirmando o que Emmanuel nos ensina: "as doenças físicas tem suas causas morais".
Aprendi quando criança que era pecado sentir raiva da mamãe. A mamãe era para ser adorada como uma Santa, sem pecados. Sentia muita culpa. Aprendi, mais tarde, que pais também são humanos e que são imperfeitos como todos seres humanos. Os pais não somente ensinam, mas, também aprendem com os filhos. Eu aprendi muito ensinando a minha filha.
Como ensina o Evangelho, "Certos pais, é verdade, descuidam dos seus deveres, e não são para os filhos o que deveriam ser. Mas, é a Deus que compete puni-los, e não aos filhos. Não cabe nem mesmo censurá-los, pois que talvez eles mesmos fizeram por merecê-los assim" (E.S.E. , cap. XIV; 3). Com os ensinamentos da Doutrina Espírita, aprendi a buscar perdoar e a me auto-perdoar.
Somente em 2009, descobri o mal que afligia o meu coração ao longo dessa minha existência e pude curar-me. Não conhecendo a causa de tanta rejeição, cresci acreditando que nem mesmo fosse filha legítima. Então, sofria com a rejeição. Foi através de uma terapia de regressão, podendo retornar ao útero materno, descobri que minha genitora havia tentado abortar-me. Percebi ela me afogando. Eu estava em seu ventre, era o líquido amniótico. Eu passei a vida inteira tentando chegar ao seu coração, fazia de tudo para que ela me amasse. E, ela passou a vida inteira negando a minha existência.
Como explica Drª. Anete Guimarães (psicóloga e parapsicóloga), quando o bebê é rejeitado, o Espírito adulto entende a rejeição. Isto porque, o Espírito que está reencarnado não é uma criança. Ele perde a consciência de Espírito adulto entre os três e sete anos. Ele escuta o que a mãe está dizendo: "eu não quero você". Segundo Drª. Anete, dependendo do grau evolutivo do Espírito, ele pode ou não assimilar esse ódio. Assim, o transtorno é do Espírito. Os pais podem atenuar ou agravar o problema, mas, o agente responsável pelo seu transtorno é o próprio Espírito. A mãe é co-responsável. Se o Espírito tiver algum grau evolutivo ele não irá assimilar esse ódio e irá buscar esse amor. Tudo vai depender do potencial que esse Espírito trás.
Foi aos meus doze anos de idade que ela declarou não me suportava e, que, iria "tirar o cheirinho de queijo" (ditado pernambucano) do meu pai comigo, oque significava acabar com o nosso "chamego". Devido ao seu ato impensado contra a minha vida, eu nasci com problemas neurológicos e meu pai, acreditando que eu não "vingaria", debruçou-se de cuidados sobre mim. Dessa forma, ficamos muito próximos, cheios de amor um pelo outro, o que acentuou os conflitos conjugais já existentes e, gerou muita ira familiar contra mim. Então, naquele dia, resolvi afastar-me de meu pai para que ela pudesse me amar. De nada resolveu.
Lembro-me de quando se fez cumprir, pela primeira vez, a sua promessa. Era dia das crianças, como havia completado meus doze anos, e saído da infância, meu pai deu-me de presente o meu primeiro relógio. Junto com o relógio, deu-me a minha última boneca, "boneca mãezinha" da Estrela. Era meu sonho ter uma mãezinha, ouvir a musiquinha de ninar e vê-la embalando no colo seu bebezinho. Então, minha mãe arrancou-me ela das mãos e a entregou à minha irmã, dizendo que eu já havia ganhado um relógio, e trocou as nossas bonecas. Desejei não ter crescido. Eu queria tanto aquela mãezinha! Tirasse-me o relógio. Minha irmã jamais brincou com a boneca, e jamais deixou que eu a tocasse. Passou, dessa forma, a sentir-se preterida e, a olhar-me como a "princesinha" da casa, aumentando os conflitos existenciais.
"Honra a teu pai e a tua mãe", está no Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIV. Contudo, honrar não é amar. Honrar é ter respeito, ter gratidão por aqueles que nos doou elementos necessários para formar o nosso corpo físico e deu-nos o cuidado para crescermos. Amar é mais difícil, pois, os filhos podem ser amigos ou inimigos de outra existência. A família é um núcleo onde se irá aprender esse amor.
Porque estamos no mundo de provas e expiações, a família também é uma prova ou expiação. Não podemos amar a família universal sem antes aprendermos a amar aquela família mais próxima, a nuclear (pai, mãe e filhos). Como colocou muito bem Nazareno Feitosa, em sua palestra, a família é um grande laboratório onde iremos experimentar os problemas que teremos que enfrentar no mundo. Segundo André Luiz, "nós atraímos as experiências que precisamos passar aqui na Terra" (Entre a Terra e o Céu).O Espiritismo dá-nos a consciência de reencarnar nesta ou naquela família que não é a que gostaríamos, mas, a necessária, a mais adequada para o nosso aperfeiçoamento moral. São as dificuldades vencidas que fará o Espírito evoluir. Assim, a família não é um problema, é um desafio para auto-superação (Nazareno Feitosa).
Segundo Almeida e Marques (Família: frente e verso), uma das funções da família é nutritiva, ou seja, dar proteção, alimentação, afeto, educação, espiritualização, instrução, etc. Outra função é normativa: orientação, responsabilidades, disciplina, respeito, regras, autonomia e limites. Está no Livro dos Espíritos, Q. 208, "...os espíritos têm que contribuir para o progresso uns dos outros". Conquanto, auxiliar no progresso não é tomar a responsabilidade sobre si. Assim, é tornar-se vítima. Ou seja, por mais que os pais sejam negligentes com a educação dos seus filhos, estes são responsáveis por suas escolhas. Os pais responderam por seus atos diante do Altíssimo. Mas, dar-lhes a total responsabilidade sobre o comportamento dos filhos é negar o livre-arbítrio.
A reencarnação é a mais sábia e justa das leis. Com o concurso do esquecimento do passado, a reencarnação aproxima os Espíritos através dos laços de consanguinidade. É na família corpórea que o Espírito exercita a sua capacidade de amar. É a infância o período mais acessível para o Espírito reencarnando se aperfeiçoar (L.E. Q. 383). Para Emmanuel, "a melhor escola ainda é o lar". E, são as funções normativas que irão contribuir para o seu adiantamento "...na esperança de que seus conselhos os encaminhem por melhor senda" (L.E.). Os Espíritos que avançam na senda do progresso sentem-se no dever de voltar ao corpo para auxiliar os retardatários.
André Luiz diz que a família "é o centro de indução mais poderoso que existe no Universo" (Mecanismos da Mediunidade). Daí a importância desse período, dessa proteção e da condução dos pais aos filhos que lhe são confiados (Nazareno Feitosa). Deus irá perguntar: "Que fizeste da criança confiada a vossa guarda?" (E.S.E.).
Emmanuel vem esclarecer que é no trato com as pessoas que devemos ser mais rigorosos. Devemos buscar e exaltar o que há de melhor no outro. Muitos pais só criticam o comportamento dos filhos e terminam por gerar a baixo auto-estima. Muitas dificuldades de relacionamentos estão associadas a baixo auto-estima. Este sentimento negativo pode levar a depressão obsessiva. Elogiar é recarregar a energia. Elogiar é enaltecer uma característica, não é uma recompensa ou gratidão. Todos gostamos de ter os esforços reconhecidos. O elogio adequado é um instrumento de auto-superação.
Sabemos hoje, pela Doutrina Espírita, que muitas relações familiares são desfeitas pela influência dos maus Espíritos. Estes atacam núcleos familiares através da obsessão, interrompendo a "marcha do progresso", como coloca Nazareno Feitosa, e buscam disseminar a discórdia, a desunião. Bem como, provocar os transtornos psiquiátricos, depressão, uso de drogas, suicídio, etc. Daí a necessidade de preservar o casamento. "Conflitos entre os pais afetam profundamente os filhos desencadeando muitos males que contaminam a todos dentro do lar, prejudicando a concretização dos projetos espirituais estabelecidos para a família. Influências funestas e maus exemplos do casal são, em geral, causa de transtornos psíquicos, espirituais e morais dos filhos, especialmente, daqueles que lhe estão vinculados por processos cármicos mais difíceis" (O SEAREIRO, agosto/2011, ano XVIII, nº. 96).
É muito doloroso e delicado para mim, neste momento, expor as minhas experiências. Porquanto, quando relatamos fatos de nossa existência, também, acabamos por expor pessoas que fazem ou, de certo modo, fizeram parte do nosso caminho. Eu não estarei aqui julgando, mau-dizendo, ou, nem mesmo, lastimando a minha sorte, pois que, não sou vítima, como ninguém o é. Hoje, após abraçar a Doutrina Espírita, compreendendo que foram escolhas minhas, resigno-me. Estarei apenas, apesar da tristeza que ora estou envolta, a relatar os fatos como eu os percebo. Posso estar equivocada, pois compreendo que as partes também têm as suas próprias percepções e, que, muito provavelmente, não sejam iguais.
Cada pessoa tem uma visão diferente sobre um mesmo acontecimento. Todos podemos ver um mesmo ponto sob uma ótica diferente. Aprendemos de acordo com as informações captadas por nosso cérebro, a cada movimento da vida. E, a vida não se movimenta num único sentido, numa mesma direção. Muito embora o cenário pareça o mesmo, o grande cenário da vida é composto por vários personagens chamados indivíduos (pessoa única, singular). Cada um irá representar o seu papel dá forma que o cérebro captar aquela informação, dando um sentido próprio ao movimento. É, mais ou menos, como explicam alguns estudiosos sobre a "neuroplastidade" - a flexibilidade que o cérebro tem de captar informações através de estímulos externos (visuais, auditivo, olfativo, tátil, etc.) e, transformá-las em aprendizagem. Assim, não podemos falar em uma verdade absoluta, todos estamos certos e errados ao mesmo tempo. Todos estamos tentando dar à vida uma melhor interpretação.
Abandonei o curso de Química, definitivamente. Havia enchido-me de coragem para retomar o curso. Então, no dia da matrícula, encontrei alguns colegas. Uns foram calorosos, acolhendo-me com sua amizade. Outros pareciam "chocados" com a minha deformidade física e nada falaram, apenas seus olhos. Foi então, que uma simples frase, nocauteou-me: "Nossa! Você está horrível!". Atingiu-me como uma "bomba" e o meu mundo caiu! Naquela época, aos 19 anos, eu havia participado de curso de modelo, desfilava, fotografava e começava a participar de publicidade para TV.
Abandonei a dança, que fez parte dos meus sonhos desde cedo. Lembro-me, amargamente, que sendo aceita para iniciar com o grupo de dança folclórica (que eu tanto sonhei), no dia do teste, que era de interagir com a platéia em uma apresentação no SENAC, Pelourinho/BA, eu paralisei. E, chorei. Eles (dançarinos) eram lindos demais ali dançando, eu estava "feia", "deformada". Parecia que se eu entrasse, naquele momento ao palco, os olhares se voltariam para o meu rosto, ou, melhor, para a parte que faltava do meu rosto. Então, diante da platéia, do meu marido e da minha filhinha que esperava ansiosa, eu desisti e nunca mais dancei. Eu não cabia mais no palco. Há pouco, assistindo a comemoração de 25 anos do grupo, desejei não ter desistido. Estive tão perto, mas, não tive força para continuar. Eu dizia desde muito cedo: "eu nasci pra brilhar!". Contudo, deixei apagarem-se as luzes da ribalta sem concluir o espetáculo da vida.
Tranquei-me dentro de casa. Tranquei-me dentro de mim. Eu que sempre lutei por tudo que sonhava não mais me permitia sonhar. Não frequentava mais festas, não frequentava mais praias ou lugares públicos. A cortina do grande palco, que é a vida, fechou-se para mim. Coloquei-me fora de cena e passei a assistir a vida passar do lado de fora, agora não mais como protagonista da história, apenas como platéia. Nada mais fazia para mudar o rumo dessa história. Entreguei as rédias da minha vida.
O divórcio aconteceu, inevitavelmente, dez anos após a retirada da minha mandíbula, ou, da minha retirada de cena. Eu, durante seis anos após o trauma, não aceitava que precisava de acompanhamento psicológico para trabalhar a perda daquela parte que compunha o meu corpo físico, e, nem jamais acreditara que meu corpo etéreo estava comprometido pela mágoa. Sofri durante longas datas por me considerar somente este corpo físico. Não captei a informação de que somos muito mais do que essa matéria bruta. Só retomei à vida quando cheguei ao fundo do abismo e tentei abreviar a minha própria existência. Já que não havia mais vida em mim, para que continuar a existir?
A partir de então, retomei as rédias da minha própria vida e deixei de me colocar no lugar de vítima. Dei-me conta de que sou muito mais do que uma mandíbula. Sou mais do que um rosto. Aprendi que sonhos a gente reconstrói. Sai do casamento ainda ferida, mas, decidida a vencer e superar toda essa dor. Resolvi, também, libertá-lo do compromisso. A partir do momento em que confessou estar comigo sem nada mais sentir além de um amor fraterno e por não desejar me desamparar naquela situação, por me considerar "frágil", e, sentir-se responsável, pois que, havia lhe dado uma filha, resolvi divorciar-me e retirar-lhe esse peso dos ombros. Compreendi que eu não mereço "pena", não sou "coitada". Eu mereço amor. E, que, esse amor teria que começar de dentro mim, para comigo mesma.
O Espiritismo não prega o divórcio, ao contrário. Contudo, em muitos casos, é necessário para evitar um mal maior, contrair-se mais débitos. O casamento deve ser mantido somente por amor, como ensina o Evangelho, não por outros interesses (beleza, riqueza, etc.). O mais importante na separação conjugal é não se separar dos filhos, como colocou Nazareno Feitosa. "O problema não é a separação conjugal, mais a separação da família". Existe ex-marido, ex-esposa, ex-namorados, porém, não existe ex-filho.
A minha separação deu-se amigavelmente. Aconteceu quando ainda havia respeito entre os dois. Muitos casais tornam-se inimigos porque só se separam quando não há mais nem respeito um pelo outro. Neste caso, é melhor que se separem para evitar uma tragédia. Mágoas sempre irão existir numa separação conjugal. Principalmente, quando um deseja e o outro não. "São laços interrompidos, mas, não rompidos" (O SEAREIRO, agosto/2011, ano XVIII, nº. 96). Eu precisei de muita coragem para tomar esta decisão. Era cômodo continuarmos casados. E, as pessoas não devem se acomodar a uma situação, é preciso estar bem, e, nós, já não estávamos.
Minha filha foi o meu sustentáculo. Ela sempre foi muito precoce. Sempre pareceu ser emocionalmente mais forte, ser a "mãe" da relação. Creio que em outra existência tenhamos tido os papéis trocados. Foi na sua fortaleza que me reestruturei e consegui seguir em frente. Quando diante das dificuldades que apareciam, eu fraquejava, ela dizia-me: "_ Mamãe, escute a voz do seu coração". Eu havia ensinado isto para ela, e, nos momentos difíceis ela me lembrava.
Em nenhum momento demonstrou traumas com a separação. Nós não deixamos ela sentir a nossa falta, eramos sempre presentes. Em nenhum momento da separação usei-a para chantagens emocionais ou para adquirir quaisquer benefícios. Em nenhum momento eu a coloquei contra o pai, sempre ensinando-lhe a respeitá-lo. O problema era entre nós dois, ela não deveria se sentir jamais culpada ou sofrer as consequências de nossas escolhas. Ela foi tão amada por nós dois, estava tão segura deste amor, que jamais pediu que reatássemos, ao contrário, apesar de sua pouca idade (10 anos) preferia ver a nós dois separados e felizes, do que juntos e cada um no seu canto, infeliz. A criança percebe todos os movimentos dos pais. Quando não estamos felizes contaminamos àqueles que estão próximos. Assim como a alegria é contagiante, a tristeza também é.
Aprendi que ninguém é a metade do outro e que não estamos aqui na Terra para "salvar" ninguém. O Espírito Hamed ensina que devemos fazer caridade sem salvacionismo. Ninguém é responsável pela felicidade do outro. A felicidade é uma conquista pessoal e intransferível, porque a evolução é uma conquista pessoal. Como coloca Emmanuel, "a evolução é um caminho solitário". Se conseguirmos nos auto-aperfeiçoar já fizemos uma boa caminhada.
O Livro dos Espíritos, questão 298, responde a essa questão: "_ As almas que deverão se unir estão predestinadas a essa união, desde a sua origem e cada um de nós tem, em alguma parte do Universo, sua metade à qual se reunirá fatalmente, um dia?". Os Benfeitores afirmam que não há união particular e fatal entre duas almas. A união existe entre todos os Espíritos, mas em grau diferentes, de acordo com a perfeição que adquiriram. Um auxilia o outro na evolução moral, mas, ninguém completa o outro. Somos todos Espíritos completos, apenas faltando-nos Deus.
Dizer que algo está destinado a acontecer é "determinismo". Há uma programação para que as coisas aconteçam, mas, nada está determinado a "ter que ser". Quantas penas podemos diminuir praticando o bem? Quanto males maiores podem ser evitados divorciando-se? O casamento não precisa durar até que a morte os separe. Somente o verdadeiro amor é eterno, é uma lei imutável. "A indissolubilidade absoluta do casamento é uma lei humana muito contrária à lei natural. Mas os homens podem mudar suas leis: só as da natureza é imutável" (L.E. Q. 697).
Hoje, eu e o meu ex-marido somos verdadeiramente amigos. Ajudamo-nos mutuamente, na saúde e na doença. O nosso amor é fraterno, é um bem-querer sem nada esperar em troca. As "lesões afetivas" (Nazareno Feitosa) foram curadas. Não penso que o nosso casamento não deu certo, mas, que cumpriu o seu tempo e a sua função. Penso que quitamos alguma dívida do passado, que é a proposta da reencarnação, da união conjugal e dos laços de família, e, que somos agora Espíritos que verdadeiramente se amam. O amor Espiritual é a lei da natureza, por isso, eterna. Não se rompe. A nossa união não foi rompida, mas, interrompida momentaneamente, porque já cumprimos os propósitos Divinos dentro do casamento. Logo, deu certo. Seguiremos unidos, porque já aprendemos a nos amar como irmãos em Cristo.
Eu e minha mãe continuamos tentando nos afinar afetivamente. Quando saí de casa (1987), disse-lhe que esperava, com isso, que nos tornássemos amigas já que não havíamos conseguido ser mãe e filha. Passaram-se longos anos de conflitos e agressões, e, somente hoje estamos conseguindo superar algumas das nossas diferenças. Ela já consegue, timidamente, dizer que me ama. Eu já consigo aceitar como verdadeiro o seu amor. Depois que ela conheceu a Doutrina Espírita vem se reformando moralmente, aos poucos. Bem como, eu também tenho procurado melhorar-me. Não é uma caminhada fácil. Mas, quem falou que seria? Estamos bem melhores, e, com isso, toda a família vem se reconciliando, ou, ao menos, respeitando-se mais.
Acredito que ainda teremos um longo caminho a seguir na escalada para a evolução espiritual. Contudo, creio que já demos o primeiro passo na direção. Pude compreender meu sofrimento e a sua rejeição. Sei que apesar de nada justificar um aborto, compreendo que o seu desespero nasceu por não compreender os ensinamentos do Pai Celeste. Eram tantos os mistérios que lhe foram passados! Ela reconheceu a sua falta e se propôs a conhecer mais e praticar mais o Evangelho. Tem se esforçado muito, pois, a idade já está avançada e alguns vícios são difíceis de serem vencidos, porque já existe nela um certo "prazer" nessa relação com o sofrimento. É como um auto-flagelo.
O sofrimento, para ela, é como uma punição merecida para se "redimir dos pecados". Creio que este seja o ponto mais penoso para que se consiga removê-la desse processo de depressão obsessiva. Compreendo porque passei por isso. Eu também já me senti tão culpada pelos meus maus pensamentos que acreditava merecer sofrer punição. Não sabia de onde esses pensamentos negativos brotavam, por isso, acredito que é realmente preciso o auto-conhecimento. Como dizia o filósofo na Antiguidade e o Espiritismo veio confirmar: "Conhece-te a ti mesmo".
É preciso, muitas vezes, refazer o caminho de volta para poder se reencontrar. Reencarnar em uma determinada família pode significar a oportunidade de refazer este caminho e de se auto-superar. Depois de retornar ao ventre materno consegui encontrar a direção. Não que todos tenham que passar pelo mesmo processo. Cada um irá encontrar o seu próprio caminho. Depois da Doutrina Espírita conheci a eficácia do auto-perdão e o poder da auto-cura e, aprendi a curar o outro através do perdão. Entendo, hoje, que retirar a culpa do outro (desculpar) é aliviar-lhe o peso da cruz e que reduzir o remorso através do perdão é também caridade. Sinto-me agora um pouco mais liberta, como todo Espírito anseia ser. Talvez, por isso, esteja sendo-me permitido reconstruir a minha face. Que Assim Seja!
Luz e Amor!
"Sede bons e caridosos: eis a chave dos céus, que tendes nas mãos. Toda a felicidade eterna se encerra nesta máxima: "Amai-vos uns aos outros". A alma não pode elevar-se às regiões espirituais senão pelo devotamento ao próximo; não encontra felicidade e consolação senão nos impulsos da caridade..."
(Que a mão esquerda não saiba o que faz a direita, cap. XIII; 12. O Evangelho Segundo o Espiritismo).