sexta-feira, 13 de junho de 2014

AS MÃOS DE DEUS EM MINHA VIDA


Em 11-06-2014; às 21:00hs.

Não sei o que aconteceu, mas creio firmemente que foi a mão de Deus sobre a minha vida. Pareceu-me uma pequena explosão. A chave que utilizo para o procedimento de distração óssea, num segundo, caiu da minha mão e um impacto forte na gengiva, por onde perpassa o aparelho, fez-se sentir. Naquele instante, todas as dores que vinha sentindo durante o período pós-operatório cessou. Nenhum mal-estar e, uma enorme sensação de alívio e de liberdade pude sentir. A princípio desejei chorar. Pensei: "tudo perdido!". Então, ajoelhei-me e roguei, mais uma vez, a presença de Deus em minha vida. O silêncio respondeu-me: "Não chores! Não sabes que Deus não permite um mal senão para um bem maior?". 

Levantei-me e recorri ao Evangelho Segundo o Espiritismo: "Amai os vossos inimigos" (cap. XII; 1-2). Fechei. Indaguei: porque está mensagem se a minha aflição está na possibilidade de se fazer outra cirurgia? Abri novamente o E.S.E., "Amai os vossos inimigos". No que amar aos meus inimigos possa ajudar-me diante do que aconteceu? Coloquei-me em oração e li atentamente cada versículo. Voltei-me ao espelho, o rosto estava com os contornos alinhados. A ponta da placa de reconstrução que antes parecia querer rasgar meu rosto havia ajustado-se. O meu pescoço, imóvel para conter a dor, agora movia-se livremente. A dor na nuca desaparecera como por encanto. Uma paz imensa manifestou-se. Era as mãos de Deus sobre a minha vida.

Desde que passei pela cirurgia não mais havia dormido profundamente. As dores na nuca e na cabeça eram intensas e constantes. Nenhum medicamento aliviava aquela dor. Relatei ao médico, ele nada soube me responder, parecia não haver ligação com a cirurgia. Na região do queixo nada me incomodava, somente no momento de afastar o osso com o "distrator", procedimento que tenho que fazer durante três ou quatro meses, a depender do desenvolvimento ósseo. Durante o sono as dores se intensificavam, então, levantava-me e colocava-me a andar pela casa, para só depois voltar a dormir. 

De início, percebia todo o procedimento médico no momento da cirurgia, como se estivesse acontecendo naquele instante. Percebia os médicos ajustando os pinos que prendem a placa e o distrator. Fechava os olhos e percebia muitas mãos em meu rosto; percebia a pulsação sanguínea na minha cabeça. Foram três noites seguidas com esta percepção. Não sei se são memórias do passado, mas, percebia como se estivesse em um outro momento, sendo colocado, em mim, uma amordaça de ferro que apertava fortemente o meu rosto e crânio. De repente, não eram mais os médicos, mas, faces que não pude reconhecer porque não tinham os traços claros, eram sombras do passado. Então, despertava com aquela visão.

Já em casa, pois que, passei as duas primeiras semanas sob cuidados em casa de minha família, com as dores insistentes e sem conseguir o repouso que o sono propicia, despertou-me uma enorme vontade de ir a Casa Espírita, onde trabalho, buscar alívio físico e espiritual. Havia passado por uma cirurgia espiritual anterior a cirurgia física. Acreditei já ter acabado. Contudo, ao buscar acolhimento, fui informada de que havia uma cirurgia espiritual marcada e fui encaminhada com urgência. 

Ao retornar para casa, como em todas às vezes que passo pela cirurgia espiritual, fui tomada por um sono regenerador. Passei o dia seguinte tranquila e as dores já eram bem menores. No outro dia, como vinha fazendo, orei a Deus para que se colocasse à frente, e permitisse aos Amigos Benfeitores tomassem em suas mãos todo o procedimento, para que nada fugisse à Vossa vontade. Foi o instante em que a chave do "distrator" saltou da minha mão e o aparelho desativou repentinamente.

Procurei o médico de imediato e ficou constatado através de RX panorâmico que o aparelho não estava, até naquele momento, funcionando adequadamente. Ou, seja, permanecia estacionado mesmo parecendo funcionar satisfatoriamente. E, no instante em que o médico fez o procedimento, as peças externas do aparelho soltaram-se, causando grande surpresa a todos. Diante deste novo quadro, terei que passar por outra  intervenção cirúrgica para a troca do aparelho.

Diante de todo esse acontecimento, testemunho que a mão de Deus está sobre mim e, os Espíritos Benfeitores estão auxiliando a minha caminhada. Jesus disse: "Vinde a mim todos os que andais em sofrimento e, vos achais carregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve" (Mateus, XI; 28-33). Ao buscar auxílio espiritual, encontrei o amparo Divino. Como Deus não permite um mal senão para que o melhor aconteça, pude descobrir à tempo o não funcionamento do aparelho. Estava machucando-me mais não avançando. Não tenho o que lamentar, mas, somente agradecer a misericórdia Divina e a intervenção da Espiritualidade. "Tudo posso naquele que crê".

Quando colocamos Deus à frente de tudo em nossa vida, o seu amor se manifesta como bálsamo para o alívio de nossas dores. O sofrimento que experimentamos é necessário para fortalecer a nossa fé. Se na hora do sofrimento rogamos pela presença de Jesus e dos Vossos Mensageiros, o socorro é certo e o alívio imediato. Se nos desesperamos é porque a fé foi abalada, e no momento em que a fé é frágil, então, subitamente, damos oportunidade aos nossos inimigos de se aproximarem e intensificar o nosso sofrimento. A falta de fé baixa o padrão vibratório. A incredulidade, a simples dúvida quanto ao futuro, as idéias materialistas, em uma palavra, podem levar até mesmo ao suicídio, pois, elas produzem a "frouxidão moral" (E.S.E., cap. V; 16). Os Espíritos obsessores, segundo os Benfeitores Espirituais, agem pelo que escutam e se articulam de acordo com o que ouvem. Conhecem cada palavra que sai de nossa boca, pois que, a boca só fala do que cheio está o coração.

Assim também, quando oramos, elevamos o nosso padrão vibratório e, os nossos pensamentos são levados até Deus pelos Espíritos Superiores, que ouvem as nossas preces. Manter a fé inabalável é não lastimar os acontecimentos, colocando tudo nas mãos de Deus. Nenhuma folha seca cai no chão sem a permissão do Pai. Somente Deus é o dono do tempo e das estações. Pensar que recebemos porque merecemos é mais presunção do que fé. A fé verdadeira consiste em acreditar, firmemente, que tudo parte da misericórdia Divina. Acreditando que, mesmo sendo imperfeitos, somos todos filhos de um mesmo Pai, e que sobre todos, bons e maus, recai o amor de Deus. Por isso, "Amai os vossos inimigos".

Quando oramos, os Benfeitores também levam as preces às zonas inferiores, aonde Espíritos inferiores buscam atrapalhar o nosso processo evolutivo, e estes são tocados pelas preces. O Evangelho no lar, assim, deve ser feito em voz alta, para que os nossos inimigos espirituais também recebam as nossas orações, e, no seu tempo, cada um possa perdoar as nossas ofensas. É comum e confortável colocar a culpa nos Espíritos inferiores, ou, em nossos "obsessores" pelos nossos sofrimentos. Basta algo fugir às nossas expectativas que logo os culpamos. No entanto, como ensina a Doutrina Espírita, ninguém é vítima. "O obsedado e o possesso são, pois, quase sempre, vítimas de uma vingança anterior, a que provavelmente deram motivo por sua conduta" (E.S.E., cap. X; 6). 

Em algum momento fomos nós os verdugos dos Espíritos que nos perseguem. E, como o Pai é soberanamente bom e justo, permite a oportunidade para que ambos possamos evoluir moralmente. "Deus permite a situação atual, para punir do mal que fizeram, ou, se não o fizeram, por haverem faltado com a indulgência e a caridade, deixando de perdoar". (E.S.E). Os Espíritos mais evoluídos auxiliam para que os retardatários encontrem o caminho do Pai, através do perdão. "Deus não deixa ao sabor da vingança aquele que soube perdoar" (E.S.E). E, o perdão não é unilateral. Só se perdoa outrem quando se auto-perdoa. Que Assim Seja!

Luz e Amor!



"Concerta-te sem demora com o teu adversário, enquanto estás a caminho com ele, para que não suceda que ele te entregues ao juiz, e que o juiz te entregue ao seu ministro, e sejas mandado para a cadeia. Em verdade te digo que não sairás de lá, enquanto não pagares o último ceitil". (Mateus, V; 25-26).

(Bem-Aventurados os misericordiosos, cap. X; 7. O Evangelho Segundo o Espiritismo).



terça-feira, 20 de maio de 2014

FAMÍLIA E AUTO-SUPERAÇÃO




"Observa-te nas manifestações perante os amigos: traze o Evangelho mais vivo nas atitudes" (André Luiz). 



Em 01-05-2014; às 20hs. e 40mint.

Glória à Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa-vontade. Fui agraciada pelo Senhor, meu Deus. O Senhor atendeu as minhas preces. Finalmente, o meu pedido ao Ministério Público de um aparelho para a reconstrução de face foi atendido pelo Estado. Logo passarei pela intervenção cirúrgica.

Eu precisei ter muita fé. Não a fé corriqueira das coisas prováveis, mas, aquela de entregar tudo nas mãos de Deus e esperar. Conquanto, ainda não havia essa possibilidade. Eu não podia deixar de acreditar em Deus, mesmo depois de doze cirurgias de reconstrução frustradas, ora pela absorção, ora pela rejeição, fases nebulosas da minha vida, de total instabilidade entre expectativas e frustrações, mas, sem deixar de esperar em Deus. Como todo procedimento cirúrgico, este também é evasivo, podendo ocorrer absorção do tecido ósseo. Cada organismo reage de forma diferente. Dos quais tenho conhecimento, todos obtiveram resultados positivos. Estou com a mente aberta e o coração em paz para receber o que o Universo enviar-me, e grata. Uma gratidão tão profunda que se esse for o meu último momento seguirei feliz.

Há muito, em minhas orações, desejava ver possível crescer o osso que me foi retirado por conta de um tumor (ameloblastoma), aos 24 anos de idade. Conta a idade de nascimento da minha única filha. Foram momentos difíceis, mas, nunca hesitei quanto ao seu nascimento. O médico, na ocasião, havia aconselhado a interrupção da gravidez para que não precisasse a extração total da mandíbula esquerda. Esperar nove meses seria muito arriscado, com chances de tomar o outro lado da face. Estava com três meses de gestação e já a amava mais do que a mim mesma. Já havia tentado engravidar durante dois anos sem sucesso. Quando já não mais esperava, fui tomada pela alegria da maternidade.

A gravidez foi difícil. Precisei fazer repouso absoluto para não sofrer aborto espontâneo já que apresentava sangramento desde o início. Tranquei o curso de Licenciatura em Química Aplicada, na UNEB - Universidade do Estado da Bahia. Estava cursando o último semestre, mas, nada era mais importante do que aquele ser que estava para vir ao mundo. Após o quarto mês, a gestação seguiu tranquilamente. Passaram os enjoos, o sangramento, agora seria somente a alegria de ser mãe. Não fiquei pensando no que seria do meu rosto, da minha vida após o parto. Enquanto pudia, desejei apenas ser feliz. O amor por ela compensaria todas as perdas possíveis.

Então, chegou o dia, o qual não podíamos mais esperar. O médico que acompanhava o desenvolvimento do tumor, que tomava o meu rosto silenciosamente, alertou-nos que não seria possível esperar mais do que vinte dias após o parto para o procedimento cirúrgico, ou, os danos seriam bem maiores e, possivelmente, irreversíveis. O tumor já avançava comprometendo o côndilo (articulação da mandíbula). Foi essa perda (côndilo) que dificultou a reconstrução da mandíbula. Dessa maneira, amamentando-a pela última vez, coloquei uma canção que seria o nosso hino de amor e perseverança - "Hey Jude", The Beatles.

As lágimas agora cobrem o meu rosto, como naquele instante. O mesmo sentimento de amor e de esperança, e, a certeza de ter dado o meu melhor. Não deixo nunca de repetir: "Se precisasse, faria tudo outra vez. Jamais desistiria dela e desse amor". 



Então, como a letra da canção diz "e a faça melhor", eu peguei a minha dor e fiz o melhor dela.

A última cirurgia ocorreu em 2011, para retirada total da prótese que havia quatro anos. Os pinos soltaram-se e foram expulsos pelo meu organismo. O médico desenganou-me. Disse não haver mais nada que se pudesse fazer neste sentido. Já estava frequentando a Casa Espírita, então, aprendi a olhar o sofrimento de outra forma. "_ Quer mudar? Então comece pelo pensamento. Quem no mundo pode recomeçar tantas vezes? Então, não lastime, agradeça" (Espiritualidade da Casa).

O Espiritismo não prega o sofrimento como Salvação. Ensina-nos o bem sofrer e o mal sofrer. Já que o sofrimento é necessário neste mundo de provas e expiações, é preciso aprender a olhar o sofrimento como algo positivo. A dor é inevitável, mas, o sofrimento é uma escolha. O sofrimento é do tamanho que o medimos. Todos podemos sair do estado de sofrimento cultivando pensamentos positivos. Colocando amor onde há dor.

Eu aprendi desde cedo, em minha orações, pedir a Jesus que mesmo diante de toda dor e sofrimento, eu pudesse sempre sorrir. E, que, ao sorrir, eu pudesse mostrar um pouco do Seu amor àqueles que sofrem. Eu nem imaginava que o meu sorriso ficaria "torto", é verdade, mas, eu jamais deixei de sorrir. Mais tarde, orava e pedia para que um dia meu osso pudesse crescer novamente, então, eu não mais precisaria de prótese e não mais haveria absorção ou rejeição.

Esse dia chegou, enfim. Será um procedimento um tanto quanto delicado e prolongado, denominado de "distração osteogênica". Será colocado um "distrator ósseo", um mecanismo que afasta uma parte óssea da outra, obrigando o osso a crescer neste espaço, já que as células ósseas tendem a se regenerar. A expectativa é de que o crescimento seja de dez centímetros, no prazo de quatro  a cinco meses. Depois, o "distrator" será removido. Então, será feita a reconstrução da gengiva e a colocação do implante dentário. Todo o tratamento tem previsão para dois anos.

Certa vez, a psicóloga que me acompanhou depois da amputação da mandíbula (hemimandibulectomia), disse-me que o motivo daquela doença seria, muito possivelmente, a "raiva" contida e que se enraizou naquele sentido. Ela disse-me que quando sentimos raiva, trancamos com força a mandíbula, rangemos os dentes iguais animais raivosos. A raiva não trabalhada pode ter sido causa desse tumor na mandíbula. A partir daí, começamos a trabalhar a raiva como uma emoção natural no ser humano. É natural sentir raiva, o que não se deve é negar esse sentimento, mas, conhecê-lo-lo e tratá-lo para que não aconteça de eclodir em forma de uma doença física. Muitas doenças, como o câncer, o cálculo renal, obstrução intestinal, têm causas emocionais, confirmando o que Emmanuel nos ensina: "as doenças físicas tem suas causas morais". 

Aprendi quando criança que era pecado sentir raiva da mamãe. A mamãe era para ser adorada como uma Santa, sem pecados. Sentia muita culpa. Aprendi, mais tarde, que pais também são humanos e que são imperfeitos como todos seres humanos. Os pais não somente ensinam, mas, também aprendem com os filhos. Eu aprendi muito ensinando a minha filha. 

Como ensina o Evangelho, "Certos pais, é verdade, descuidam dos seus deveres, e não são para os filhos o que deveriam ser. Mas, é a Deus que compete puni-los, e não aos filhos. Não cabe nem mesmo censurá-los, pois que talvez eles mesmos fizeram por merecê-los assim" (E.S.E. , cap. XIV; 3). Com os ensinamentos da Doutrina Espírita, aprendi a buscar perdoar e a me auto-perdoar.

Somente em 2009, descobri o mal que afligia o meu coração ao longo dessa minha existência e pude curar-me. Não conhecendo a causa de tanta rejeição, cresci acreditando que nem mesmo fosse filha legítima. Então, sofria com a rejeição. Foi através de uma terapia de regressão, podendo retornar ao útero materno, descobri que minha genitora havia tentado abortar-me. Percebi ela me afogando. Eu estava em seu ventre, era o líquido amniótico. Eu passei a vida inteira tentando chegar ao seu coração, fazia de tudo para que ela me amasse. E, ela passou a vida inteira negando a minha existência.

Como explica Drª. Anete Guimarães (psicóloga e parapsicóloga), quando o bebê é rejeitado, o Espírito adulto entende a rejeição. Isto porque, o Espírito que está reencarnado não é uma criança. Ele perde a consciência de Espírito adulto entre os três e sete anos. Ele escuta o que a mãe está dizendo: "eu não quero você". Segundo Drª. Anete, dependendo do grau evolutivo do Espírito, ele pode ou não assimilar esse ódio. Assim, o transtorno é do Espírito. Os pais podem atenuar ou agravar o problema, mas, o agente responsável pelo seu transtorno é o próprio Espírito. A mãe é co-responsável. Se o Espírito tiver algum grau evolutivo ele não irá assimilar esse ódio e irá buscar esse amor. Tudo vai depender do potencial que esse Espírito trás.

Foi aos meus doze anos de idade que ela declarou não me suportava e, que, iria "tirar o cheirinho de queijo" (ditado pernambucano) do meu pai comigo, o que significava acabar com o nosso "chamego". Devido ao seu ato impensado contra a minha vida, eu nasci com problemas neurológicos e meu pai, acreditando que eu não "vingaria", debruçou-se de cuidados sobre mim. Dessa forma, ficamos muito próximos, cheios de amor um pelo outro, o que acentuou os conflitos conjugais já existentes e, gerou muita ira familiar contra mim. Então, naquele dia, resolvi afastar-me de meu pai para que ela pudesse me amar. De nada resolveu.

Lembro-me de quando se fez cumprir, pela primeira vez, a sua promessa. Era dia das crianças, como havia completado meus doze anos, e saído da infância, meu pai deu-me de presente o meu primeiro relógio. Junto com o relógio, deu-me a minha última boneca, "boneca mãezinha" da Estrela. Era meu sonho ter uma mãezinha, ouvir a musiquinha de ninar e vê-la embalando no colo seu bebezinho. Então, minha mãe arrancou-me ela das mãos e a entregou à minha irmã, dizendo que eu já havia ganhado um relógio, e trocou as nossas bonecas. Desejei não ter crescido. Eu queria tanto aquela mãezinha! Tirasse-me o relógio. Minha irmã jamais brincou com a boneca, e jamais deixou que eu a tocasse. Passou, dessa forma, a sentir-se preterida e, a olhar-me como a "princesinha" da casa, aumentando os conflitos existenciais.

"Honra a teu pai e a tua mãe", está no Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIV. Contudo, honrar não é amar. Honrar é ter respeito, ter gratidão por aqueles que nos doou elementos necessários para formar o nosso corpo físico e deu-nos o cuidado para crescermos. Amar é mais difícil, pois, os filhos podem ser amigos ou inimigos de outra existência. A família é um núcleo onde se irá aprender esse amor.

Porque estamos no mundo de provas e expiações, a família também é uma prova ou expiação. Não podemos amar a família universal sem antes aprendermos a amar aquela família mais próxima, a nuclear (pai, mãe e filhos). Como colocou muito bem Nazareno Feitosa, em sua palestra, a família é um grande laboratório onde iremos experimentar os problemas que teremos que enfrentar no mundo. Segundo André Luiz, "nós atraímos as experiências que precisamos passar aqui na Terra" (Entre a Terra e o Céu). O Espiritismo dá-nos a consciência de reencarnar nesta ou naquela família que não é a que gostaríamos, mas, a necessária, a mais adequada para o nosso aperfeiçoamento moral. São as dificuldades vencidas que fará o Espírito evoluir. Assim, a família não é um problema, é um desafio para auto-superação (Nazareno Feitosa).

Segundo Almeida e Marques (Família: frente e verso), uma das funções da família é nutritiva, ou seja, dar proteção, alimentação, afeto, educação, espiritualização, instrução, etc. Outra função é normativa: orientação, responsabilidades, disciplina, respeito, regras, autonomia e limites. Está no Livro dos Espíritos, Q. 208, "...os espíritos têm que contribuir para o progresso uns dos outros". Conquanto, auxiliar no progresso não é tomar a responsabilidade sobre si. Assim, é tornar-se vítima. Ou seja, por mais que os pais sejam negligentes com a educação dos seus filhos, estes são responsáveis por suas escolhas. Os pais responderam por seus atos diante do Altíssimo. Mas, dar-lhes a total responsabilidade sobre o comportamento dos filhos é negar o livre-arbítrio.

A reencarnação é a mais sábia e justa das leis. Com o concurso do esquecimento do passado, a reencarnação aproxima os Espíritos através dos laços de consanguinidade. É na família corpórea que o Espírito exercita a sua capacidade de amar. É a infância o período mais acessível para o Espírito reencarnando se aperfeiçoar (L.E. Q. 383).  Para Emmanuel, "a melhor escola ainda é o lar". E, são as funções normativas que irão contribuir para o seu adiantamento "...na esperança de que seus conselhos os encaminhem por melhor senda" (L.E.)Os Espíritos que avançam na senda do progresso sentem-se no dever de voltar ao corpo para auxiliar os retardatários.

André Luiz diz que a família "é o centro de indução mais poderoso que existe no Universo" (Mecanismos da Mediunidade). Daí a importância desse período, dessa proteção e da condução dos pais aos filhos que lhe são confiados (Nazareno Feitosa). Deus irá perguntar: "Que fizeste da criança confiada a vossa guarda?" (E.S.E.).

Emmanuel vem esclarecer que é no trato com as pessoas que devemos ser mais rigorosos. Devemos buscar e exaltar o que há de melhor no outro. Muitos pais só criticam o comportamento dos filhos e terminam por gerar a baixo auto-estima. Muitas dificuldades de relacionamentos estão associadas a baixo auto-estima. Este sentimento negativo pode levar a depressão obsessiva. Elogiar é recarregar a energia. Elogiar é enaltecer uma característica, não é uma recompensa ou gratidão. Todos gostamos de ter os esforços reconhecidos. O elogio adequado é um instrumento de auto-superação.

Sabemos hoje, pela Doutrina Espírita, que muitas relações familiares são desfeitas pela influência dos maus Espíritos. Estes atacam núcleos familiares através da obsessão, interrompendo a "marcha do progresso", como coloca Nazareno Feitosa, e buscam disseminar a discórdia, a desunião. Bem como, provocar os transtornos psiquiátricos, depressão, uso de drogas, suicídio, etc. Daí a necessidade de preservar o casamento. "Conflitos entre os pais afetam profundamente os filhos desencadeando muitos males que contaminam a todos dentro do lar, prejudicando a concretização dos projetos espirituais estabelecidos para a família. Influências funestas e maus exemplos do casal são, em geral, causa de transtornos psíquicos, espirituais e morais dos filhos, especialmente, daqueles que lhe estão vinculados por processos cármicos mais difíceis" (O SEAREIRO, agosto/2011, ano XVIII, nº. 96).

É muito doloroso e delicado para mim, neste momento, expor as minhas experiências. Porquanto, quando relatamos fatos de nossa existência, também, acabamos por expor pessoas que fazem ou, de certo modo, fizeram parte do nosso caminho. Eu não estarei aqui julgando, mau-dizendo, ou, nem mesmo, lastimando a minha sorte, pois que, não sou vítima, como ninguém o é. Hoje, após abraçar a Doutrina Espírita, compreendendo que foram escolhas minhas, resigno-me. Estarei apenas, apesar da tristeza que ora estou envolta, a relatar os fatos como eu os percebo. Posso estar equivocada, pois compreendo que as partes também têm as suas próprias percepções e, que, muito provavelmente, não sejam iguais.

Cada pessoa tem uma visão diferente sobre um mesmo acontecimento. Todos podemos ver um mesmo ponto sob uma ótica diferente. Aprendemos de acordo com as informações captadas por nosso cérebro, a cada movimento da vida. E, a vida não se movimenta num único sentido, numa mesma direção. Muito embora o cenário pareça o mesmo, o grande cenário da vida é composto por vários personagens chamados indivíduos (pessoa única, singular). Cada um irá representar o seu papel dá forma que o cérebro captar aquela informação, dando um sentido próprio ao movimento. É, mais ou menos, como explicam alguns estudiosos sobre a "neuroplastidade" -  a flexibilidade que o cérebro tem de captar informações através de estímulos externos (visuais, auditivo, olfativo, tátil, etc.) e, transformá-las em aprendizagem. Assim, não podemos falar em uma verdade absoluta, todos estamos certos e errados ao mesmo tempo. Todos estamos tentando dar à vida uma melhor interpretação.

Abandonei o curso de Química, definitivamente. Havia enchido-me de coragem para retomar o curso. Então, no dia da matrícula, encontrei alguns colegas. Uns foram calorosos, acolhendo-me com sua  amizade. Outros pareciam "chocados" com a minha deformidade física e nada falaram, apenas seus olhos. Foi então, que uma simples frase, nocauteou-me: "Nossa! Você está horrível!". Atingiu-me como uma "bomba" e o meu mundo caiu! Naquela época, aos 19 anos, eu havia participado de curso de modelo, desfilava, fotografava e começava a participar de publicidade para TV.

Abandonei a dança, que fez parte dos meus sonhos desde cedo. Lembro-me, amargamente, que sendo aceita para iniciar com o grupo de dança folclórica (que eu tanto sonhei), no dia do teste, que era de interagir com a platéia em uma apresentação no SENAC, Pelourinho/BA, eu paralisei. E, chorei. Eles (dançarinos) eram lindos demais ali dançando, eu estava "feia", "deformada". Parecia que se eu entrasse, naquele momento ao palco, os olhares se voltariam para o meu rosto, ou, melhor, para a parte que faltava do meu rosto. Então, diante da platéia, do meu marido e da minha filhinha que esperava ansiosa, eu desisti e nunca mais dancei. Eu não cabia mais no palco. Há pouco, assistindo a comemoração de 25 anos do grupo, desejei não ter desistido. Estive tão perto, mas, não tive força para continuar. Eu dizia desde muito cedo: "eu nasci pra brilhar!". Contudo, deixei apagarem-se as luzes da ribalta sem concluir o espetáculo da vida.

Tranquei-me dentro de casa. Tranquei-me dentro de mim. Eu que sempre lutei por tudo que sonhava não mais me permitia sonhar. Não frequentava mais festas, não frequentava mais praias ou lugares públicos. A cortina do grande palco, que é a vida, fechou-se para mim. Coloquei-me fora de cena e passei a assistir a vida passar do lado de fora, agora não mais como protagonista da história, apenas como platéia. Nada mais fazia para mudar o rumo dessa história. Entreguei as rédias da minha vida.

O divórcio aconteceu, inevitavelmente, dez anos após a retirada da minha mandíbula, ou, da minha retirada de cena. Eu, durante seis anos após o trauma, não aceitava que precisava de acompanhamento psicológico para trabalhar a perda daquela parte que compunha o meu corpo físico, e, nem jamais acreditara que meu corpo etéreo estava comprometido pela mágoa. Sofri durante longas datas por me considerar somente este corpo físico. Não captei a informação de que somos muito mais do que essa matéria bruta. Só retomei à vida quando cheguei ao fundo do abismo e tentei abreviar a minha própria existência. Já que não havia mais vida em mim, para que continuar a existir?

A partir de então, retomei as rédias da minha própria vida e deixei de me colocar no lugar de  vítima.  Dei-me conta de que sou muito mais do que uma mandíbula. Sou mais do que um rosto. Aprendi que sonhos a gente reconstrói. Sai do casamento ainda ferida, mas, decidida a vencer e superar toda essa dor. Resolvi, também, libertá-lo do compromisso. A partir do momento em que confessou estar comigo sem nada mais sentir além de um amor fraterno e por não desejar me desamparar naquela situação, por me considerar "frágil", e, sentir-se responsável, pois que, havia lhe dado uma filha, resolvi divorciar-me e retirar-lhe esse peso dos ombros. Compreendi que eu não mereço "pena", não sou "coitada". Eu mereço amor. E, que, esse amor teria que começar de dentro mim, para comigo mesma.

O Espiritismo não prega o divórcio, ao contrário. Contudo, em muitos casos, é necessário para evitar um mal maior, contrair-se mais débitos. O casamento deve ser mantido somente por amor, como ensina o Evangelho, não por outros interesses (beleza, riqueza, etc.). O mais importante na separação conjugal é não se separar dos filhos, como colocou Nazareno Feitosa. "O problema não é a separação conjugal, mais a separação da família". Existe ex-marido, ex-esposa, ex-namorados, porém, não existe ex-filho.

A minha separação deu-se amigavelmente. Aconteceu quando ainda havia respeito entre os dois. Muitos casais tornam-se inimigos porque só se separam quando não há mais nem respeito um pelo outro. Neste caso, é melhor que se separem para evitar uma tragédia. Mágoas sempre irão existir numa separação conjugal. Principalmente, quando um deseja e o outro não. "São laços interrompidos, mas, não rompidos" (O SEAREIRO, agosto/2011, ano XVIII, nº. 96). Eu precisei de muita coragem para tomar esta decisão. Era cômodo continuarmos casados. E, as pessoas não devem se acomodar a uma situação, é preciso estar bem, e,  nós, já não estávamos.

Minha filha foi o meu sustentáculo. Ela sempre foi muito precoce. Sempre pareceu ser emocionalmente mais forte, ser a "mãe" da relação. Creio que em outra existência tenhamos tido os papéis trocados. Foi na sua fortaleza que me reestruturei e consegui seguir em frente. Quando diante das dificuldades que apareciam, eu fraquejava, ela dizia-me: "_ Mamãe, escute a voz do seu coração". Eu havia ensinado isto para ela, e, nos momentos difíceis ela me lembrava.

Em nenhum momento demonstrou traumas com a separação. Nós não deixamos ela sentir a nossa falta, eramos sempre presentes. Em nenhum momento da separação usei-a para chantagens emocionais ou para adquirir quaisquer benefícios. Em nenhum momento eu a coloquei contra o pai, sempre ensinando-lhe a respeitá-lo. O problema era entre nós dois, ela não deveria se sentir jamais culpada ou sofrer as consequências de nossas escolhas. Ela foi tão amada por nós dois, estava tão segura deste amor, que jamais pediu que reatássemos, ao contrário, apesar de sua pouca idade (10 anos) preferia ver a nós dois separados e felizes, do que juntos e cada um no seu canto, infeliz. A criança percebe todos os movimentos dos pais. Quando não estamos felizes contaminamos àqueles que estão próximos. Assim como a alegria é contagiante, a tristeza também é.

Aprendi que ninguém é a metade do outro e que não estamos aqui na Terra para "salvar" ninguém. O Espírito Hamed ensina que devemos fazer caridade sem salvacionismo. Ninguém é responsável pela felicidade do outro. A felicidade é uma conquista pessoal e intransferível, porque a evolução é uma conquista pessoal. Como coloca Emmanuel, "a evolução é um caminho solitário". Se conseguirmos nos auto-aperfeiçoar já fizemos uma boa caminhada.

O Livro dos Espíritos, questão 298, responde a essa questão: "_ As almas que deverão se unir estão predestinadas a essa união, desde a sua origem e cada um de nós tem, em alguma parte do Universo, sua metade à qual se reunirá fatalmente, um dia?".  Os Benfeitores afirmam que não há união particular e fatal entre duas almas. A união existe entre todos os Espíritos, mas em grau diferentes, de acordo com a perfeição que adquiriram. Um auxilia o outro na evolução moral, mas, ninguém completa o outro. Somos todos Espíritos completos, apenas faltando-nos Deus.

Dizer que algo está destinado a acontecer é "determinismo". Há uma programação para que as coisas aconteçam, mas, nada está determinado a "ter que ser". Quantas penas podemos diminuir praticando o bem? Quanto males maiores podem ser evitados divorciando-se? O casamento não precisa durar até que a morte os separe. Somente o verdadeiro amor é eterno, é uma lei imutável. "A indissolubilidade absoluta do casamento é uma lei humana muito contrária à lei natural. Mas os homens podem mudar suas leis: só as da natureza é imutável" (L.E. Q. 697).

Hoje, eu e o meu ex-marido somos verdadeiramente amigos. Ajudamo-nos mutuamente, na saúde e na doença. O nosso amor é fraterno, é um bem-querer sem nada esperar em troca. As "lesões afetivas" (Nazareno Feitosa) foram curadas. Não penso que o nosso casamento não deu certo, mas, que cumpriu o seu tempo e a sua função. Penso que quitamos alguma dívida do passado, que é a proposta da reencarnação, da união conjugal e dos laços de família, e, que somos agora Espíritos que verdadeiramente se amam. O amor Espiritual é a lei da natureza, por isso, eterna. Não se rompe. A nossa união não foi rompida, mas, interrompida momentaneamente, porque já cumprimos os propósitos Divinos dentro do casamento. Logo, deu certo. Seguiremos unidos, porque já aprendemos a nos amar como irmãos em Cristo.

Eu e minha mãe continuamos tentando nos afinar afetivamente. Quando saí de casa (1987), disse-lhe que esperava, com isso, que nos tornássemos amigas já que não havíamos conseguido ser mãe e filha. Passaram-se longos anos de conflitos e agressões, e, somente hoje estamos conseguindo superar algumas das nossas diferenças. Ela já consegue, timidamente, dizer que me ama. Eu já consigo aceitar como verdadeiro o seu amor. Depois que ela conheceu a Doutrina Espírita vem se reformando moralmente, aos poucos. Bem como, eu também tenho procurado melhorar-me. Não é uma caminhada fácil. Mas, quem falou que seria? Estamos bem melhores, e, com isso, toda a família vem se reconciliando, ou, ao menos, respeitando-se mais.

Acredito que ainda teremos um longo caminho a seguir na escalada para a evolução espiritual. Contudo, creio que já demos o primeiro passo na direção. Pude compreender meu sofrimento e a sua rejeição. Sei que apesar de nada justificar um aborto, compreendo que o seu desespero nasceu por não compreender os ensinamentos do Pai Celeste. Eram tantos os mistérios que lhe foram passados! Ela reconheceu a sua falta e se propôs a conhecer mais e praticar mais o Evangelho. Tem se esforçado muito, pois, a idade já está avançada e alguns vícios são difíceis de serem vencidos, porque já existe nela um certo "prazer" nessa relação com o sofrimento. É como um auto-flagelo.

O sofrimento, para ela, é como uma punição merecida para se "redimir dos pecados". Creio que este seja o ponto mais penoso para que se consiga removê-la desse processo de depressão obsessiva. Compreendo porque passei por isso. Eu também já me senti tão culpada pelos meus maus pensamentos que acreditava merecer sofrer punição. Não sabia de onde esses pensamentos negativos brotavam, por isso, acredito que é realmente preciso o auto-conhecimento. Como dizia o filósofo na Antiguidade e o Espiritismo veio confirmar: "Conhece-te a ti mesmo".

É preciso, muitas vezes, refazer o caminho de volta para poder se reencontrar. Reencarnar em uma determinada família pode significar a oportunidade de refazer este caminho e de se auto-superar. Depois de retornar ao ventre materno consegui encontrar a direção. Não que todos tenham que passar pelo mesmo processo. Cada um irá encontrar o seu próprio caminho. Depois da Doutrina Espírita conheci a eficácia do auto-perdão e o poder da auto-cura e, aprendi a curar o outro através do perdão. Entendo, hoje, que retirar a culpa do outro (desculpar) é aliviar-lhe o peso da cruz e que reduzir o remorso através do perdão é também caridade. Sinto-me agora um pouco mais liberta, como todo Espírito anseia ser. Talvez, por isso, esteja sendo-me permitido reconstruir a minha face. Que Assim Seja!

Luz e Amor!




"Sede bons e caridosos: eis a chave dos céus, que tendes nas mãos. Toda a felicidade eterna se encerra nesta máxima: "Amai-vos uns aos outros". A alma não pode elevar-se às regiões espirituais senão pelo devotamento ao próximo; não encontra felicidade e consolação senão  nos impulsos da caridade..." 

(Que a mão esquerda não saiba o que faz a direita, cap. XIII; 12. O Evangelho Segundo o Espiritismo).


sábado, 19 de abril de 2014

BOA-VONTADE E COMPROMETIMENTO NO TRABALHO COM O BEM


Boa-vontade descobre trabalho.
Trabalho opera a renovação.
Renovação encontra o bem.
O bem revela o espírito de serviço.
O espírito de serviço alcança a compreensão.
A compreensão ganha humildade.
A humildade conquista o amor.
O amor gera a renúncia.
A renúncia atinge a luz.
A luz realiza o aprimoramento próprio.
O aprimoramento próprio santifica o homem.
O homem santificado converte o mundo para Deus.
Caminhando prudentemente, pela simples boa-vontade a criatura alcançará o Divino 
Reino da Luz. 

(Emmanuel, por Francisco Cândido Xavier)



Em 13-04-2014; às 08:00hs.

Para quê estamos na Terra? É uma questão que nos devemos fazer todos os dias. Muitas vezes, respondemos: "É para evoluir espiritualmente e sermos melhores". Ora acreditamos seja para fazer caridade, ajudar ao "outro". E muitas coisas mais. Uma e outra é verdadeiro, porém, tudo se resume em uma única máxima: "Amar uns aos outros". 

Estamos na Terra para aprendermos a amar, porque em outros momentos não conseguimos. Quando ajudamos o outro estamos praticando a caridade e, consequentemente, evoluindo espiritualmente, tornando-nos melhores. "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo". Ninguém ama a Deus se não amar a um de seus semelhantes, pois que, somos todos filhos de um mesmo Pai, como enfatiza Jesus, na oração que nos ensinou: "Pai Nosso, que estais no Céu". O Céu, na sua imensidão, cobre a todos, bons e maus.

Todos estamos na Terra para cumprir uma tarefa, executar um trabalho para o nosso próprio desenvolvimento moral e espiritual. Bem como, para contribuir com o progresso de toda a Humanidade. A nossa missão na Terra somos nós mesmos. Mesmo quando acreditamos praticar a caridade com o "outro", a caridade é para conosco mesmo. Nós solicitamos as provas para evoluir. O "outro" é um mero instrumento de que Deus se utiliza para que possamos cumprir o nosso dever - evoluir em Espírito. Como colocou Nazareno Feitosa, somos todos dotados de inteligência, mas, ainda, falta-nos o desenvolvimento moral. 

Os Benfeitores respondem a Kardec, na questão 559, do Livro dos Espíritos:

_ "Todos tem deveres a cumprir. O último dos pedreiros não concorre para construir o edifício tão bem como o arquiteto? 

Ou seja, mesmo os Espíritos inferiores e imperfeitos têm uma tarefa a cumprir, por este motivo é que devemos usar de indulgência com as imperfeições alheias, essas imperfeições podem ser expiações. Estamos todos no plano de oportunidade/avaliação (provas) para expurgar, "depurar" (expiação) as nossas faltas. Ser indulgente com as faltas alheias é praticar caridade e trabalhar no bem. "A caridade cobre uma multidão de pecados".

Por que fazemos caridade?

Emmanuel nos responde a essa questão: "Quando não fazemos o bem pelo amor, façamos pelo dever". 

A Terra é uma escola de preparação espiritual (Emmanuel). Estamos tão distraídos com as coisas materiais que nos esquecemos do trabalho, precisamos ser despertados para o amor, através do trabalho espiritual (Nazareno Feitosa).

Os Espíritos Benfeitores chamam à atenção para a chegada do final da Era Material (final do ciclo). E, Jesus mostra que a obra não está acabada: "Vós sois deuses". "Podereis fazer tudo o que eu faço e muito mais, se o quiserdes ..." (Jesus). Todos somos chamados para a construção desse novo mundo - O Mundo de Regeneração, onde somente os Espíritos evoluídos moralmente irão gozar das alegrias que antecedem o Mundo Feliz. Os Espíritos inferiores, ou seja, aqueles que abusaram do livre-arbítrio, serão degredados para o Mundo Primitivo (plano astral inferior). 

Todos somos chamados para o trabalho: "Vós sois o sal da Terra". É Jesus quem nos chama. Nós é quem vamos dar sabor (temperar) ao nosso trabalho, "se o sal for insípido, com que se há de se salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens" (Mateus 5, 13).

O trabalho tem que trazer alegria não só a quem recebe, mas, a quem o faz. O egoísmo é a causa de muitos obstáculos na Terra para a construção de um mundo melhor. Contudo, "ele se prende à inferioridade dos Espíritos encarnados na Terra, e não à Humanidade em si mesma" (L.E., Q. 915).

Estamos todos comprometidos com o trabalho no bem. É necessário dar o melhor de si em qualquer situação em que estivermos envolvidos, colocando em ação as nossas capacidades e talentos. Agindo de boa-vontade com as pessoas colocadas em nossos caminhos, em especial, com aquelas mais difíceis de tratar, elas representam um desafio para a nossa capacidade de superação (De Lucca). 

Servir com alegria, pois, "meu jugo (minha lei) é leve...". A lei é de amor.

Assim, Jesus coloca-se ao nosso lado: "No mundo tereis grandes aflições. Tende bom ânimo. Eu venci o mundo". (Jesus). Seja alegre e espontâneo para executar a vontade do Pai Celeste. Ter bom ânimo e alegria para que a transformação aconteça, e não esperar acontecer para que se possa alegrar. O trabalho é renovação, prática no bem, oportunidade para reparar o mal. Não basta se arrepender, é preciso reparar (corrigir) as nossas faltas. "O desânimo é uma falta; Deus vos nega consolação se não tiverdes coragem" (E.S.E., cap. V; 18). 

"O importante do trabalho é trabalhar". Não se preocupar com o resultado. Se estou engajado no bem, o resultado será o bem para todos aqueles que buscam o bem. No entanto, muitos estão mais preocupados com o resultado do trabalho do que em servir, fruto da vaidade em querer agradar a todos, e, por aparência pessoal. Jesus, exemplo maior de humildade e abnegação não agradou a todo mundo e, nem por isso, deixou de trabalhar por amor ao Pai. 

"Se não quiser ser criticado, não faça nada, não fale nada e não seja nada". Se quiser servir, verdadeiramente desinteressado, trabalhe! A recompensa pelo bem é o bem que se faz. Não é pelo muito que se tenha feito, mas, pela qualidade do nosso ato que seremos recompensados.

Como estou fazendo o meu trabalho na Casa Espírita?  Segundo os Amigos Benfeitores, o trabalho da Doutrina Espírita é a caridade moral. Se não faltasse a caridade moral, não seria necessária a caridade social. O Espiritismo, segundo Allan Kardec, é uma doutrina filosófica, pressupõe a necessidade do estudo e da prática mediúnica. Por isso, as Casas Espíritas devem se preocupar antes com a Doutrina Espírita (reuniões doutrinárias, estudos, palestras, seminários) do que com o assistencialismo social. A Doutrina Espírita é para a cura moral.

A fome mata (inanição), é verdade, e não devemos nos escusar, mas, a fome é uma consequência da falta de alimento espiritual. Sabemos hoje que a produção de alimentos supera o número de habitantes na Terra, basta olharmos o desperdício de alimentos, que, comumente, são jogados fora. A fome é uma consequência da má distribuição, da ganância e do egoísmo de muitos que não conhecem as Leis Divinas.

Dessa forma, são os Ensinamentos do Cristo que alimenta a alma e vivifica o Espírito.

"Mas aquele que beber da água que eu lhe der, nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna" (N.T., Jo 4, 14).

Emmanuel  também alerta para as causas do sofrimento terreno: "o sofrimento tem sua origem nas causas morais". Essas causas podem ter origens em existências pregressas e atuais (Lei do Retorno). Assim, a fome pode ser considerada uma prova (escolha do sofrimento), ou, expiação (sofrimento imposto por Deus, para um bem maior). Devemos estar atentos para o que nos ensinam os Benfeitores, "os sofrimentos voluntários não servem para nada quando eles nada fazem para o bem de outrem" (L.E., Q. 726).

"Trabalhadores de Última Hora" (E.S.E.). Muitos são os trabalhadores que se apresentam nas Casas Espíritas. Espíritos com o seu passado comprometido que solicitaram regressar ao plano terreno para trabalhar como médiuns.

Os médiuns, assim, não são divindades especiais, são almas endividadas com a coletividade. Muitos foram inquisidores do século XV, que perseguiram e mataram aqueles que professavam a sua fé. Responsáveis por caça às bruxas, que, nada mais, eram médiuns videntes ou de efeitos físicos. Por não se conhecer sobre a comunicabilidade dos Espíritos, atribuía-se o fenômeno a feitiçaria. Assim, a mediunidade não é um prêmio, uma gratificação, e, muito menos privilégio de uns, pois que, todos somos médiuns em algum grau. A mediunidade é antes uma prova ou expiação.

Segundo Divaldo Franco esclarece, a mediunidade é uma faculdade da alma humana, assim como a inteligência.  Sendo inerente a alma humana, somente os homens a possui. Nascemos médiuns ou podemos desenvolver a mediunidade sutil, mas não a ostensiva. A mediunidade exige disciplina para cumprir os propósitos a que se destina. A mediunidade segue um grau de evolução. É preciso abnegação e dedicação para atingir a evolução mediúnica. A evolução mediúnica não está associada a evolução do Espírito, visto que é orgânica. Logo, tanto intelectuais como os mais rudes podem possuí-la.

A mediunidade não deve ser utilizada para fins fúteis, ou, para se observar os fenômenos como foi no início com as "mesas girantes" (L.M), mas, para a evolução humana através da filosofia espírita. É um instrumento para o nosso desenvolvimento moral. Bem como, um mecanismo para o auxílio ao próximo. Divaldo Franco nos esclarece que o exercício da mediunidade deve ter qualidade, por isso, deve-se estabelecer reuniões para este fim.

"Muitos são os chamados e poucos são os escolhidos". Para trabalhar com Jesus é preciso mais que boa-vontade, é preciso comprometimento. É fechar-se mais para a vida material e, abrir-se intensamente para a vida espiritual. "Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ela. Que estreita é a porta, e que apertado é o caminho que leva para a vida, e que poucos são os que acertam com ela!" (Mateus, VII:13-14). 

Muitos trabalhadores chegam a Casa Espírita através do sofrimento por esquecerem do compromisso assumido com a vida. O sofrimento é polimento para alma enferrujada, para o médium "acordar" para as suas responsabilidades com o progresso moral. Não raro, os médiuns, de "boa-vontade", assumem trabalhos voluntários na Casa Espírita, no auxílio espiritual. Muitos buscam o trabalho como forma de "retribuição" pela caridade alcançada. Esse comportamento, no mais das vezes, é movido antes pelo orgulho de nada ficar a dever, do que pela sincera gratidão.

A gratidão é uma das mais belas virtudes. Contudo, o trabalho mediúnico exige mais do que pleito de gratidão. "Dai de graça o que de graça recebeste" (Jesus).

O trabalho voluntário na Casa Espírita não deve ser movido somente pela boa-vontade. A disposição tem que nascer do íntimo, não por imposição ou qualquer outro motivo. O serviço voluntário requer comprometimento. Não basta somente ter boa-vontade em servir, mas, servir com amor. Servir com amor é colocar o trabalho em primeiro plano. É abnegação. Esquecer de si mesmo em favor do "outro". "É fazer bem o bem!". É não deixar de servir por que se irritou com o congestionamento no trânsito, melindrou-se com alguma crítica ou, "não se está bem". Muitas dores nascem da mágoa!

A mágoa é falta de indulgência com o outro, é revidar o mal com o mal. É não compreender que todos estamos passando por um processo evolutivo e que cada um atinge um grau diferente na escada da evolução. Aquele que ofende deve ser tratado como doente. Francisco Xavier escreve sobre isso:

"As mágoas nos fazem adoecer, daí porque devemos interpretar quem nos ofende como doente. Se respondermos à ofensa guardamos conosco a lata de um lixo que nos foi jogada. 

Ou seja, segurar a ofensa é guardamos para nós o "lixo energético" do outro (De Lucca). Quem se ofende está tão doente quanto o agressor. E, o melhor remédio para curar a ferida emocional é o perdão. Como ensina Chico Xavier, "o perdão é terapêutico".

"A tarefa é para ser executada na saúde e na doença, com alegria". Muitas tarefas deixam de ser cumpridas por falta de comprometimento, não com a Casa Espírita, mas, falta de comprometimento com a "Causa Espírita", com o Cristo. O N.T, Lucas 11; 38-42, revela-nos a importância de colocar Jesus, em primeiro lugar, em nossas vidas. A passagem conta-nos o seguinte:

Marta recebe o Senhor em sua casa. Maria, sua irmã, de imediato, assenta-se aos pés de Jesus para ouvi-lo. Marta, porém, mantinha-se distraída com os afazeres. Então, Marta pede a Jesus que diga a sua irmã que não a deixe servir só. Jesus, respondendo-lhe, disse; "Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas, uma só é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada" (N.T., Lucas 11; 38-42). Daí, vê-se a importância de colocar Jesus sempre em primeiro plano em nossas vidas.

Como Marta, muitas vezes, assim agimos diante de Jesus. Coloca-se a família em primeiro plano, o aniversário do filho, de casamento, a festa de Natal. Sempre com a desculpa da "família", quando no íntimo é a própria festa que nos seduz. Não se age de má-fé, tem-se boa-vontade em servir. Mas, movido pela falta de comprometimento, não se esforça o bastante para vencer as imperfeições inerentes a alma humana. Não que a família não deva ser importante. Contudo, essas são formas de "sabotar" o nosso autodesenvolvimento moral. "Se alguém me quiser seguir, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz e siga-me" (E.S.E., cap. XXIV; 18-19), este é o ensinamento do Cristo.

Comprometimento é "fidelidade consciente" e deve ser movido pela "fé como verdade consciente", não pela fé daquele que crê por conveniência. A fé que ora crê e, ora descrê.

Para maior compreensão do que seja boa-vontade e comprometimento, gosto de citar Divaldo Franco, exemplo de fidelidade com o trabalho no bem. Conta-nos, que estando desenganado pelos médicos, com poucos dias de vida física, por causa de uma "angina", dia de sessão mediúnica, recebe a visita de sua Mentora, Joanna de Ângelis: 

"_ Que fazes?", perguntou-lhe a Mentora. Respondeu-lhe Divaldo: "_ Minha irmã, eu estou muito mal. Eu estou noventa por cento morto!". Joanna de Ângelis, então, diz-lhe: "_ Qual é o problema, tu não estás falando com alguém cem por cento morta? Saia da preguiça e vás trabalhar". 

Segue Divaldo: "_ Mas minha irmã, o médico disse que preciso ficar em repouso, assim, posso me prolongar". A Mentora, então, responde-lhe: "_ É melhor que tu morras com a mão no arado, em poucas horas, do que na cama da indolência, em vários meses. Estou indo e tu tens cinco minutos!". 

Fim do trabalho, Joanna de Ângelis reaparece-lhe: "_ E agora, como te sentes?". Sorrindo, Divaldo Franco responde-lhe: "_ Estou noventa e cinco por cento bem!". Joanna de Ângelis, então, disse-lhe: "_  Então, agora vá e repouses. Primeiro o dever, porque o repouso é rotina de gente inútil".

A Doutrina Espírita não elimina os sofrimentos, não cura as doenças físicas, mas, auxilia no tratamento de suas causas através da terapia espiritual. A Casa Espírita não deve estar voltada em curar os males físicos, pois estes têm suas causas em males morais. Não deve estar preocupada em intervir no sofrimento, pois, o sofrimento é para educar o Espírito, não é um castigo, mas, em prevenir sofrimentos futuro. Jesus não curou os males do corpo, pois, sabia que eram provenientes das feridas da alma. Jesus curou o Espírito através dos ensinamentos morais. Daí, vale ressaltar a importância do doutrinador no trabalho espírita. "O ensinamento do Cristo é uma verdadeira terapia mental" (Chico Xavier)

"Jesus é o Senhor dos Espíritos". Jesus foi o maior terapeuta que no mundo existiu. O doutrinador opera como terapeuta espiritual na atividade mediúnica. Assim como o médium ostensivo, o doutrinador também assumiu compromissos no trabalho do bem. Ele não é médium de psicofonia (incorporação), mas, é intuitivo.

Os Espíritos inferiores não desenvolveram a essência divina (amor) latente em todas almas. São Espíritos que se afastaram completamente do bem. Quanto maior o ódio, a mágoa, o desejo de vingança, mais profundo o sofrimento, pois, maior se torna a distância entre o Eu e a Essência Divina. Afastando-se completamente do Deus, que existe em cada um de nós, ficam perdidos em sofrimentos.

Baixando o padrão vibratório, os Espíritos inferiores não conseguem perceber a presença do seu Benfeitor Espiritual, que deseja resgatá-los. Então, torna-se necessária a mediação com o plano espiritual (comunicação mediúnica). Porque somos imperfeitos, somos capazes de nos fazer ouvir pelos Espíritos inferiores e auxiliá-los no tratamento fraterno espiritual, através da mediunidade com Cristo.

Ao doutrinador cabe a responsabilidade de conduzir a comunicação com ternura e esclarecimento, favorecendo para que, através do processo mediúnico, o próprio Espírito assistido possa se escutar. Analisar as causas verdadeiras de seu sofrimento, e perceber a presença do seu Benfeitor que o conduzirá para o auxílio necessário. O Espírito não deve ser tratado como "figura de ficção", ele é um ser real. Como ser real é único, deve-se procurar identificar a legião de Espírito que se está assistindo. Nem todo Espírito é perverso e se compraz com o mal.  Muitos são apenas ignorantes, desconhecem a sua condição de Espíritos imortais, e sofrem.

Quando estamos diante do outro, olhamos nos olhos do outro. Silenciamos para escutar a sua fala. Todo mundo quer ser escutado, por isso, procuram-se terapias. O terapeuta precisa saber ouvir. Saber ouvir é saber escutar. Escutar é  perceber, dar atenção ao outro. Ouvir (sons e ruídos) é apenas uma capacidade do sentido da audição. Escutar é um dom. Logo, o doutrinador tem o dom de escutar. Jesus ensina: 

"Cada um fique na vocação em que foi chamado (...) foste chamado sendo servo? Não te de cuidado; e, se ainda podes ser livre, aproveita a ocasião" (N.T. I Corintios 7, 20-21).

"Não é preciso ser o mais importante, mas, o maior servidor". Não importa o seu trabalho na Casa Espírita, ou, em qualquer outra instituição, todos somos chamados para servir na construção de um mundo melhor. Não importa crença ou religião. Que sua religião seja a solidariedade humana. Aqueles que se dizem não acreditar na existência de Deus, não deixem com isso de praticar a caridade. Nem todo médium é Espírita, e nem todo Espírita é médium. Conquanto, todos somos dotados da essência Divina e todos somos chamados ao trabalho no bem.

Médiuns, não se sirvam somente da boa-vontade, mas, abracem a causa. Aproveitem a faculdade mediúnica, o dom do amor, para servir com Jesus. E, assim, trabalhando pelo bem, pensando no bem, em uma Nova Era, possa dizer-se: "Já não sou eu quem vive, mas Cristo que vive em mim".

A nossa missão na Terra é de auto-iluminação. Contritos, voltarmos para dentro de nós mesmos, e, reencontrar o amor que sempre esteve guardado em nós. Não podemos amar ao próximo se não amarmos a nós mesmos, porque ninguém dá o que não tem. Eu só posso iluminar o caminho do outro se antes sou luz em mim mesmo: "Vós sois deuses!". Deus mora em cada um de nós, é a verdadeira luz que nos ilumina o caminho. Se Deus está em nós, então, somos luz. E, onde está Deus não há trevas. Que a vida seja como a letra da canção:

"...A vida eterna é Deus vivendo em nós". Que Assim seja!

Luz e Amor!


Missão dos Espíritas, pelo Espírito Erasto. Paris, 1863:

"... Oh, verdadeiros adeptos  do Espiritismo: vós sois os eleitos de Deus! Ide e pregai a palavra divina. É chegada a hora em que deveis sacrificar os vossos hábitos, os vossos trabalhos, as vossas futilidades, à sua propagação. Ide e pregai: os Espíritos elevados estão convosco. Falareis, certamente, a pessoas que não quererão escutar a palavra de Deus, porque essa palavra os convida ao sacrifício. 

Pregai o desinteresse aos avarentos, a abstinência aos dissolutos, a mansidão aos tiranos domésticos e aos déspotas: palavras perdidas, bem sei, mas que importa! É necessário regar com o vosso suor o terreno em que deveis semear, porque ele não frutificará, não produzirá, senão sob os esforços incessantes da enxada e da charrua evangélicas Ide e pregai!

(...) Ide, que Deus vos conduz! ..."

(Trabalhadores da Última Hora, cap. XX; 4. O Evangelho Segundo o Espiritismo).



quinta-feira, 10 de abril de 2014

CRISE E RENOVAÇÃO


"Eu... eu... nem eu mesmo sei, nesse momento... eu... enfim, sei quem eu era, quando me levantei hoje de manhã, mas acho que já me transformei várias vezes desde então". (LEWIS CARROL)

Em 09-04-2014; às 18:00hs.

Quantas vezes ouvimos falar do "fim do mundo" ou "Apocalipse"? O fim do mundo não é o apocalipse, o mundo já acabou inúmeras vezes. A história construiu mundos em si, e, esses mundos acabaram. Basta observarmos como somos diferentes em cada época. O fim do mundo é o fim da Era.

Passamos por diversas Eras. Eras astrológicas: Era de Aquárius que sucedeu a Era de Peixes, e Eras geológicas: Era Proteozóica, Era Paleozóica, Era Mesozóica, Era Cenozóica.

A Era Cenozóica é a "Era do Homem". O homem torna-se a forma de vida dominante sobre a Terra. A origem, a formação e as contínuas transformações da Terra, assim como dos materiais orgânicos que a constituem são estudados pela Geologia, e que divide a história do planeta em eras geológicas. Essas Eras correspondem a grandes intervalos de tempo divididos em períodos, o que, no momento, não é o objeto dessa reflexão. Vivenciamos, também, a Era da Modernidade, e, atualmente, a Era da Pós-Modernidade.

Já relacionamos o fim do mundo com o "Fim dos Impérios", e, hoje, com o "Fim da Hegemonia Americana". Dessa forma, é possível afirmar que presenciamos não o "fim do mundo", mas, as diversas transformações do mundo e que essas transformações são decorrentes de crises (civilizacional e/ou política). O mundo já passou por diversas crises, na contemporaneidade, estamos vivenciando uma crise civilizacional (global). A crise contemporânea acontece porque ainda vemos o mundo por um modelo que não mais existe. Segundo teóricos, a crise contemporânea é a crise dos paradigmas (modelos/padrões).

"A morte é parte do corpo, e não separada do corpo". A morte é transformação, e transformação não é o mesmo que mudança. A mudança ocorre o tempo todo, ela não é linear, não segue uma linha reta, ocorre em movimentos sinuosos. A transformação é um processo mais profundo, atinge a essência da "coisa" e muda essa "coisa" num processo irreversível, ou seja, toca na raiz, então, ocorre à transformação - a morte. Morre-se para se transformar em outra coisa. 

Santo Agostinho fala sobre a progressão dos mundos como sendo uma lei natural (E.S.E., cap II; 19): "O progresso é uma das leis da natureza. Todos os seres da Criação, animados e inanimados, estão submetidos a ela, pela bondade de Deus, que deseja que tudo se engrandeça e prospere. a própria destruição, que parece, para os homens, o fim das coisas, é apenas um meio de levá-las, pela transformação, a um estado mais perfeito, pois tudo morre para renascer, e nada volta para o nada."

A realidade muda o tempo todo, sem avisar. Nenhum sociólogo ou qualquer ciência pode prever. A crise trás como características mudanças e transformações numa velocidade extraordinária. É como a passagem para a adolescência. Muda o corpo, alteram-se os hormônios, e essas mudanças são necessárias para a transformação do indivíduo, ele já não é mais o mesmo, e, até precisa mudar de identidade (RG). Não é, por exemplo, como a água que muda de estado físico, porém, dependendo da energia desprendida, ela pode retornar ao seu estado de origem. Por isso, dizer, que o homem evolui (transforma-se) sempre, ele não retroage. Alguns podem até estacionar, porém, jamais regredir, retornar ao que fora antes.

A água passa do estado líquido para o de vapor, aumentando a sua energia até entrar em ebulição, e retorna ao estado liquido num processo de condensação. Apesar da mudança de estado físico, a água continuará a manter os elementos que a constitui. Ela não se transforma, apenas muda o seu estado físico (sólido; líquido e gasoso). Já o homem, transforma-se. Assim, também, está ocorrendo com o globo terrestre. "Ao mesmo tempo em que os seres vivos progridem moralmente, os mundos que eles habitam progridem materialmente" (E.S.E.). Transformação é evolução.

Santo Agostinho já nos alertava sobre esse movimento natural da vida: "Quem pudesse seguir um mundo em suas diversas fases, desde o instante em que se aglomeraram os primeiros átomos da sua constituição, o veria percorrer uma escala incessantemente progressiva, mas em graus insensíveis para cada geração, e oferecer aos seus habitantes uma morada mais agradável, à medida que eles também avançam na senda do progresso. Assim marcham paralelamente o progresso do homem, o dos animais seus auxiliares, o dos vegetais e o das formas de habitação, porque nada fica estacionário na natureza" (Santo Agostinho, E.S.E., cap. II; 19).

É preciso morrer para renascer. A Terra esteve material e moralmente num estado inferior ao de hoje, e atingirá, sob esses dois aspectos, um grau mais avançado. Ela chegou a um de seus períodos de crise e transformação. "A Terra esteve material e moralmente num estado inferior ao de hoje, e atingirá, sob esses dois aspectos, um grau mais avançado. Ela chegou a um de seus períodos de transformação, e vai passar de um mundo expiatório a mundo regenerador. Então os homens encontrarão nela, a felicidade, porque a lei de Deus a governará" (SANTO AGOSTINHO, E.S.E., cap. II; 19).

O mundo já esgotou suas possibilidades de mudanças, passando por diversas crises e, agora, renascerá em uma Nova Era. A Terra está deixando de ser o mundo de provas e expiações para se transformar no mundo de regeneração. O mundo de regeneração também é transitório, como coloca Nazareno Feitosa, é uma preparação para o mundo feliz.

Sendo assim, não devemos lamentar essas crises, elas são necessárias para as transformações. “É melhor que piore para que se limpe, para que venham coisas melhores, um mundo melhor”. Ninguém gosta de passar por crises. A crise desarruma, confronta, foge à nossa compreensão intelectual. Se pudéssemos atravessar essa dimensão emocional, que faz parte da condição humana, talvez, pudéssemos atravessar melhor essas crises e compreendê-la melhor.

Segundo a etimologia da palavra, "crise" vem da palavra "krimeu", que significa discriminar (matar). "Cri", por sua vez, significa "purificação", separar daquilo que não é seu, que você não precisa mais. Então, a crise é um bem, é matar o que não serve mais, purificar (tornar-se melhor). A crise, assim, não deve ser entendida como um problema, não é um mal. A crise é para ser vivida. É a cultura (sistema de crenças) que a coloca como um mal, e todo mal devem ser combatidos. A crise deve ser compreendida como solução, pois, ela é necessária para a transformação. 

Allan Kardec pergunta aos Benfeitores (L.E., Q. 728): A destruição é uma lei da Natureza? Eis o que respondem os Benfeitores a Kardec: "É preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar, porque o que chamais de destruição não é senão uma transformação que tem por objetivo a renovação e melhoramento dos seres vivos".

Fugir às crises é uma atitude no mínimo “escapista”, é uma fuga da responsabilidade. O uso de drogas, o consumismo exacerbado e a violência que hoje assistimos, são formas escapistas. Devemos nos entregar a crise e não combatê-la. Permitir que ela nos domine é a posição mais ativa que se pode ter presente à crise, porque ela é um processo natural. A crise tem o seu trabalho a cumprir.

Comumente não agimos, mas, reagimos à crise, e a reação é um movimento contrário onde se desprende um maior gasto de energia, sem nada mudar. A ação é um processo criativo, que nasce de dentro para fora. Confrontar é olhar de frente, porém, como somos levados a idealizar, passamos a combater a realidade em vez de nos movimentarmos com a realidade. Isto porque, estamos muito identificados com o nosso Ego que foi construído. Ainda acreditamos que podemos segurar um processo (a realidade) sem aceitar as mudanças.

Nós criamos o problema. É preciso sair do problema (ir para fora) e criar algo novo e não se prender ao problema. Não é de uma hora para outra, como uma mágica, que isso irá ocorrer. O nosso Ego dificulta esse processo, pois, somos muitos apegados ao nosso Ego, e pouco se percebe o que está à nossa volta. Vamos soltando-nos dos problemas aos poucos e com disciplina. "Se a porta da percepção se abrisse, tudo seria diferente". 

Aprendemos a representar, a sermos uma "fachada". Fazemos o que os outros gostam para não sermos deserdados, negados, para sermos aceitos, para não contrariarmos o outro. Assim, deixamos de arriscar o novo por medo do desconhecido. Dessa forma, a Crise Contemporânea se constitui na "Crise de Percepção". 

Em outras palavras, o problema está no nosso modo de olhar. Representamos a vida com um olhar que não cabe mais no nosso tempo. Não percebemos, ainda, que o tempo de Descartes, século XVIII, já passou. É preciso mudar essa visão mecanicista e perceber que não somos máquinas e que a natureza não funciona como um relógio. Somos seres vivos. Somos seres cognitivos: percebemos, pensamos e sentimos. 

Como afirmam os Benfeitores: "São chegados os tempos em que os ensinamentos do Cristo devem receber o seu complemento; em que o véu lançado intencionalmente sobre algumas partes do ensino deve ser levantado; em que a Ciência, deixando de ser exclusivamente materialista, deve levar em conta o elemento espiritual; e em que a Religião, deixando de desconhecer as leis orgânicas e imutáveis da matéria, essas duas forças, apoiando-se mutuamente e marchando juntas, sirva uma de apoio para a outra. Então a Religião, não mais desmentida pela Ciência, adquirirá uma potência indestrutível, porque estará de acordo com a razão e não se lhe poderá opor a lógica irresistível dos fatos" (E.S.E., cap.I; 8).

É isso que a Nova Era vem nos trazer. É preciso deixar morrer a Era da Matéria que fez do homem meramente máquina. Mudar essa visão cartesiana, onde se vê as estruturas (partes) e não o sistema (o todo). É preciso desenvolver uma visão mais sistêmica.  A realidade não é só construída de fatos negativos. Muitas coisas boas estão acontecendo em toda parte do mundo, apesar da mídia pouco divulgar. Perceber que o verdadeiro sentido das coisas não está nem nas partes, nem no todo, mas, está na relação entre as partes e o todo. Entre a razão e o sentimento.

Os paradigmas obstruem a criatividade porque o individuo se movimenta dentro de um modelo determinado. O paradigma dita “como deve ser”, filtra tudo. O homem passou a seguir modelos, esquecendo-se de si próprio. Os paradigmas impõem regras que limita o homem. Apesar de o cientificismo ter buscado separar a mente do corpo, o homem é razão e emoção. E, por isso, o homem, hoje, precisa reaprender a ser sujeito da própria história e não mais ser protagonista. Quando o paradigma muda, tudo volta à zero. Essa mudança é vivencial e teórica.

O cientificismo é a crença de que a ciência é uma forma superior de pensar esquecendo o subjetivismo, a emoção. Separou o todo visto pela religião, para conhecer as partes. Agora é preciso retomar a busca do todo que a razão separou. Retornar não significa ir à busca do misticismo e do dogmatismo da religião, mas, se autoconhecer. Ninguém é só cabeça, a ciência fez isso, fez o homem olhar só do pescoço para cima. O ser humano é cabeça, tórax, barriga, sexo, emoção. O ser humano é o todo. 

O problema, no entanto, não está no conhecimento, mas, com o uso que se faz desse conhecimento. O conhecimento sem a prática é nulo. O indivíduo não é só potência, ele precisa expressar a sua potencialidade (energia). O pensamento é energia, podendo ser uma energia positiva ou negativa. Para realizar mudanças faz-se necessária vontade firme. Ter vontade firme do que se pensa realizar já é uma realização, pois, tudo o que se realiza no campo material é antes realizado no campo energético (pensamento). É preciso, pois, fortalecer o homem para a realização. 

O homem cria idéias e meios para esconder o que ele verdadeiramente é em essência. Busca esconder a realidade, sem perceber que a realidade é um processo, por isso, não existe uma definição para realidade. Ora, não se pode segurar um processo. Processo é dinâmica, é movimento. A realidade está em movimento todo o tempo. Ficar preso a realidade é ficar preso a um problema, é tornar-se inerte e, nada se produz. É mecanismos individuais, por isso, a necessidade de autoconhecimento.

Os indivíduos tendem a repetir um comportamento que lhe foi passado, sem nem mesmo questioná-lo, e sem conhecer o seu real sentido, passam adiante como verdade absoluta. Por falta de bom-senso, esse comportamento vai sendo levado adiante sem que se perceba que se ficou estacionado no tempo. Assim nascem os paradigmas. É preciso rever os conceitos. Nem sempre o que é certo pra um, é certo para o outro. Não existe “o certo”, da mesma forma que não existe “verdade absoluta”. Mas, existe o que é certo para cada um.

Vemos o mundo ainda por um sistema de crenças (cultura) que está em desacordo com a nossa época. Ou seja, precisamos mudar essa visão diacrônica de mundo, para perceber que estamos saindo da Era da Matéria e entrando na Era do Espírito, ou, Nova Era.

É necessário desconstruir a visão negativa de mundo e retornar em busca do ser em essência que todos somos. Um ser que pensa e sente. Deixar morrer o homem velho que habita em nós para renascer esse novo homem. Deixar morrer não é negar o velho, mas, dar-lhe um novo significado. Não é conceber novos conceitos, mas, desconstruir os já existentes. Se libertar dos modelos convencionais e perceber que a vida é mais do que conceitos, mais do que representações. A vida está sempre mudando, ela se movimenta.

No começo, tudo era caos; os elementos estavam em confusão. Pouco a pouco, cada coisa tomou o seu lugar; então, apareceram os seres vivos apropriados ao estado do globo (L. E. Q. 43). A vida, assim, é auto-organização. Não basta saber tudo, é preciso sentir. "A vida sente a si mesmo". Para que a vida coletiva possa vingar, é necessário que os integrantes de grupo social tenham fortemente arraigados em si a noção de que as relações sociais somente serão satisfatórias se o homem respeitar o outro com quem ele se relaciona.

Na sociedade humana atual faltam objetivos nobres, por isso não se reconhece o incomensurável valor da vida e as grandes oportunidades que ela oferece para o progresso. Há muita ansiedade e inquietação porque os pensamentos negativos formam um muro que impede que se veja além. Revolvendo ódios e descontentamento, os humanos afastam a paz e a alegria de suas vidas.

Além disso, parece que as pessoas estão perdendo a consideração mútua, desinteressada e amistosa de um ser humano para outro, e permanecem mais horas em frente à televisão, absorvendo descontentamento. A maioria dos contatos é vazia, e as pessoas agem como se fossem máquinas. Não se sabe o que elas estão pensando e sentindo, ficando no ar o desencanto. Não ocorre uma troca espontânea, alegre e benéfica, oriunda de palavras amigas e da generosidade. Uma renovação precisa surgir. Unidos no pensamento positivo, venceremos.

O sistema depende da natureza, mas, não é determinado por ela. Um se adapta ao outro. A própria medicina, hoje, já aceita que muitas causas de doenças físicas estão diretamente associadas ao desequilíbrio emocional. Toda energia bloqueada tende a se canalizar em um determinado órgão. A mágoa, por exemplo, pode causar cálculos renais. Essa energia negativa vai se acumulando no organismo, formando verdadeiros cristais que vão se aglomerando e se sedimentando no aparelho renal.

A mágoa pode ser causa de doenças graves, como o câncer. Assim, também, pode ocorrer com o intestino, o indivíduo "enfezado" tende a ficar com "prisão de ventre" (fezes presas), ou, constipado. Na verdade, são as emoções retidas. O médico, assim, não pode mais tratar somente o rim, o intestino, o coração ou estômago, ou seja, as partes. Ele precisa observar o paciente como um todo: o físico e o emocional. Não mais somente para intervir, mas, para prevenir mazelas futuras.

Os paradigmas estão ligados a Física, mas, a própria Física também mudou. A Física Quântica vem nos mostrar que o Universo não é mais visto como único e que existem vários universos, confirmando o que Jesus já nos ensinou: "Há muitas moradas no Reino de meu Pai".

Em outras palavras, há outros níveis de realidade que são reais e convivem ao mesmo tempo. A ciência comprovou. O Universo é uma imensa teia, não é mais macro. Tudo é interdependente. Não existe uma única realidade, assim como não existe uma verdade universal que está na religião (dogma), converter tudo em uma única verdade.

O cientificismo nasceu para combater a religião e acabou criando outra religião que é o próprio cientificismo, que limita o conhecimento. É preciso refazer o caminho de volta. Não é negar a razão, mas, equilibrar razão e sentimento. É a combinação razão e sentimento que movimenta o ser e a humanidade. É preciso ressignificar para se compreender, captar sentidos.

O significado das coisas está oculto. A ciência desligou a dimensão religiosa - Deus - das coisas, agora é hora de religar sem dogmatismo. Cada um deve encontrar Deus de sua forma. Não é negar a religiosidade vigente, mas, cada um conhecer a si mesmo (autoconhecimento) e encontrar o Deus que habita em si. Encontrar a forma de se religar com a Divindade Suprema, com a dimensão Espiritual.

Não existe uma verdade absoluta, isso seria determinismo. Tudo no Universo é uma probabilidade de existir, é uma "tendência". "Há leis naturais e imutáveis, sem dúvida, que Deus não pode anular segundo os caprichos de cada um. Mas, daí a acreditar que todas as circunstâncias da vida estejam submetidas à fatalidade, a distância é grande" (E. S. E. cap. XXVI; 6). A própria matéria pode não existir, pois que, existem espaços vazios dentro dos átomos, ainda sendo considerada a menor parte da matéria. A ciência já identificou partícula ainda menor. O átomo para ser visto a "olho nu" teria que ser aumentado na proporção do Globo, e, ainda assim, seria visto como um grão de areia no oceano, e, mesmo sendo micro partícula é constituído por espaços vazios, então, como afirmar a existência da matéria?

Dr. Paulo César Fuctoso, em sua Palestra "Ectoplasma e Materialização de Espíritos", esclarece sobre os imensos espaços vazios que constitui o nosso corpo físico. Segundo Paulo César, "se somos constituídos por espaços vazios, os nossos sentimentos, pensamentos e memórias não podem estar aqui dentro, porque não estamos no espaço vazio. Tudo o que colocamos como abstrato (pensamento, sentimento, memória) na matéria não está. Está no Espírito".

Dessa maneira, a essência da matéria não está no objeto, mas, nas conexões (átomos, prótons, elétrons). Daí perceber que entre eu e o outro existe uma conexão física, ainda sendo indivíduos separados. Perceber que existe uma relação entre potencialidade (energia) e realidade. 

"Há pessoas que não veem nos seres orgânicos senão a ação da matéria a que atribuem todos os nossos atos. Não veem no corpo humano senão a máquina elétrica; não estudaram o mecanismo da vida senão pelo funcionamento dos órgãos que viram se apagar, frequentemente pela ruptura de um fio, e não viram nada mais do que esse fio (...) não viram a alma escapar-se, não a puderam apanhar, concluíram que tudo estava nas propriedades da matéria e, assim, depois da morte o pensamento se aniquilava. Triste consequências se assim fora, porque então o bem e o mal não teriam finalidade. O homem teria razão de pensar só em si mesmo e em colocar, acima de tudo, a satisfação dos seus prazeres materiais. Os laços sociais se quebrariam e as mais santas afeições se romperiam para sempre. Felizmente, essas idéias estão longe de ser gerais" (L. E. Q. 148).

“Sentir o Universo é um trabalho interior. É preciso renovar-se. Sentir-se pessoas de verdade, com qualidades e fraquezas. Jamais sentir-se um estrangeiro afastado de si mesmo”. Que Assim Seja!    


Luz e amor!




"A inteligência é rica em méritos para o futuro, mas com a condição de ser bem empregada. Se todos os homens bem dotados se servissem dela segundo os desígnios de Deus, a tarefa dos Espíritos seria fácil, ao fazerem progredir a humanidade. Muitos, infelizmente, a transformaram em instrumento de orgulho e perdição para si mesmos. O homem abusa de sua inteligência, como de todas as suas faculdades, mas não lhe faltam lições, advertindo-o de que uma poderosa mão pode retirar-lhe o que ela mesma lhe deu" 

(Bem-Aventurados os Pobres de Espíritos, cap. VII; 13. E.S.E.).