segunda-feira, 18 de março de 2013

Da reencarnação a velhice: o compromisso com nossos pais



 "o jovem de hoje, pelas determinações biológicas do Planeta, será o velho de amanhã; e o ancião de agora, pela lei sublime da reencarnação, será o moço do futuro" (André Luiz)


Em 17-03-2013, às 15hs.

Drª. Anete Guimarães (psicóloga e parapsicóloga), em sua palestra “Reencarnação”, mostra que na reencarnação o Espírito nasce adulto e lúcido, com a consciência de si mesmo, ele apenas dorme. Durante a primeira infância, o Espírito passa mais tempo de sua vida no mundo espiritual, e, somente após está fase, ele perde a consciência de si e adquire a consciência de criança, passando o se integrar mais ao mundo físico. 

André Luiz coloca que a reencarnação começa com a fecundação e se completa aos sete anos de idade. Na fecundação o Espírito está ligado ao corpo por uma única célula, a célula mãe ou “óvulo” fecundado, que vai se dividindo pouco a pouco, formando milhares de células que vão se ligando ao corpo. A reencarnação se completa somente aos sete anos de idade, quando biologicamente todas as células orgânicas estão completas, período em que se inicia a sexualidade. Na reencarnação o Espírito nasce adulto, é o que comprova os estudos espíritas. Quando um vidente vê um espírito reencarnando, o vidente o vê uma "pessoa adulta", um espírito adulto. De acordo com a palestrante, Divaldo Franco é um exemplo de vidente que confirma essas aparições.

Conforme apresenta  Drª. Anete Guimarães, o recém nascido fica acordado cerca de 2 a 3 horas, significa dizer que ele está mais ligado ao mundo espiritual. Aos seis meses o bêbe dorme em média 14hs. Aos três anos diminui para 12hs. Dos três aos sete anos dorme, aproximadamente, 10hs/12hs. Nesse período, a maior parte da vida do Espírito é no mundo espiritual. Gradualmente ele vai se ligando ao corpo orgânico e se integrando ao mundo físico. A partir dos sete anos de idade dorme até 8hs, isso porque "o cérebro entra em atividade e exige a atividade do perispírito". Na idade adulta começa a diminuir, 

A criança, dos três aos sete anos de idade, começa a perder a consciência passada e adquire a consciência presente, ou seja, perde a noção de si mesmo, como Espírito adulto, e passa a adquirir a noção de criança. Uma prova disso, coloca Drª. Anete Guimarães, são as “memórias espontâneas”, crianças de três anos de idade lembram de existência passada, por volta dos cinco anos de idade começa a desaparecer, é quando o Espírito perde a consciência de si mesmo e começa a ser criança. Um bêbe reencarnado, até 3-4 anos de idade, é na verdade um Espírito adulto lúcido que guarda lembranças do que vive, ouve e sente e, reage como um adulto. “Quando se coloca um bêbe em um ambiente hostil, quem recebe a hostilidade é o Espírito adulto e os adultos costumam a reagir muito mal”,  o que explica muitos transtornos mentais e certos comportamentos, como o de rejeição da criança pela mãe. 

Como explica Drª. Anete Guimarães, quando o bebê é rejeitado, o Espírito adulto entende a rejeição, ele escuta o que a mãe está dizendo: “eu não quero você”, “você é um estorvo”, dependendo do grau evolutivo do Espírito, ele pode ou não assimilar esse ódio. Reencarnar é um processo muito difícil para o Espírito, ele é completamente indefeso apesar de lúcido e nada pode fazer diante do ambiente hostil.

Contudo, o transtorno é do Espírito, conforme coloca Drª. Anete. Os pais podem atenuar ou agravar o problema, mas, o agente responsável pelo seu transtorno é o próprio Espírito. A mãe é co-responsável. "Muitas, em vez de expulsar por meio da educação os maus princípios inatos, entretem e desenvolvem esses princípios, por descuido ou por fraqueza da qual é culpada" (E.S.E., cap. XIV; 9). Se o Espírito tiver algum grau de evolução não irá assimilar esse ódio, ele vai perdoar e buscar conquistar esse amor. Tudo vai depender do potencial que trás esse Espírito. Como exemplo, cita Chico Xavier, que sofreu toda forma de rejeição, pobreza e, no entanto, não se deixou contaminar pelo ambiente hostil, devido a sua evolução espiritual. Jesus é o maior de todos os exemplos, nasceu pobre, foi hostilizado e deixou como Ensinamento "Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei". O Espírito tem sempre a opção de amar ou odiar de acordo com a sua evolução moral. 

“O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porque este já existia antes do corpo. O pai não gera o Espírito do filho: fornece-lhe apenas o envoltório corporal, mas deve ajudar seu desenvolvimento intelectual e moral, para fazê-lo progredir” (E.S.E., cap. XIV; 8). Quando encarnamos, recebemos uma carga de fluidos vital (fluido da vida). A quantidade de fluido vital não é igual para todos os seres orgânicos. Isso dependerá da necessidade reencarnatória de cada um. Quando a quantidade do fluido vital se esgota, então, morre o corpo orgânico (L. E., questão 68-70). No instante da morte, o Espírito deixa o corpo que o abrigou momentaneamente e “retorna ao mundo dos Espíritos” (L. E. questão 149).   

Como explica André Luiz, "infância, juventude, madureza e velhice são simples fases da experiência material". Envelhecer representa para o Espírito a fase reversa da reencarnação. Diante da senilidade, o Espírito perde a lucidez e não se percebe Espírito como se percebia no momento da reencarnação. "A velhice, pois, como índice de senilidade improdutiva ou enfermiça, constitui, portanto, apenas um estado provisório da mente que desistiu de aprender e de progredir nos quadros de luta redentora e santificante que o mundo nos oferece" (André Luiz). Cabe ao filho, nesse momento, como prova de progresso espiritual, ampará-lo em sua velhice e assegurá-lo de um egresso feliz à Pátria Espiritual. É necessário, portanto, a compreensão de que "o jovem de hoje, pelas determinações biológicas do Planeta, será o velho de amanhã; e o ancião de agora, pela lei sublime da reencarnação, será o moço do futuro" (André Luiz, do livro "Correio Fraterno", Francisco Cândido Xavier).




Eis um dos mandamentos da Lei de Deus: "Honra a teu pai e a tua mãe” (E.S.E., cap. XIV; 3). Deus coloca no imperativo o dever que temos para com os nossos pais. O dever de gratidão, de piedade filial, de respeito, de obediência e de condescendência, ou seja, temos a obrigação da caridade, de maneira ainda mais rigorosa, para com eles. Devemos assisti-los em suas necessidades na velhice, cercando-os de solicitude, como eles por nós fizeram na infância. A missão dos pais é educar os filhos, educar os Espíritos. Aos pais que não conseguiram cumprir com a missão destinada a eles, por Deus, somente compete ao Senhor, julgá-los e puni-los. O nosso dever para com Deus é o amor ao próximo, e, não há ninguém mais próximo de nós que os nossos pais. Se devemos ser indulgentes com os nossos inimigos, essa obrigação se faz ainda maior com os nossos pais. Compreender as suas faltas é ser indulgentes com eles. Certos comportamentos, que para nós não representam sequer uma falta, aos olhos de Deus são crimes, e, um deles é a ingratidão dos filhos para com os pais, especialmente na velhice. 

A Terra é um espaço para se progredir. A hostilidade vem, muitas vezes, de existências passadas. Os Espíritos podem se reunir numa mesma família como prova, “o contato incessante dos seres que ele odiou é uma prova terrível, da qual às vezes sucumbe, se a sua vontade não for bastante forte (...) segundo a boa ou má resolução que prevalecer, ele será amigo ou o inimigo daqueles em cujo meio foi chamado a viver” (E.S.E., cap. XIV; 9). A resposta que o Espírito dá ao comportamento hostil dos pais ou ambiente depende do seu grau evolutivo. Então, não cabe aos filhos culpa-los por seus desajustes. Acreditar-se perfeito é uma imperfeição do Espírito, faz parte do orgulho e o orgulho é contrário à caridade. Antes de cobrar do outro qualidades, olhe para si e veja se as tem. Que Assim Seja!

Luz e Amor! 


"Então lhe apresentaram uns meninos para que os tocasse, mas os discípulos ameaçavam os que lho apresentavam. O que, vendo Jesus, levou-o muito a mal, e disse-lhes: Deixai vir a mim os pequeninos, e não os embaraceis, porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham. Em verdade vos digo que todo aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele. E abraçando-os, e pondo as mãos sobre eles, os abençoava" (Marcos, X; 13-16)
 (Bem-Aventurados os Puros de Coração, cap. VIII; 2. O Evangelho Segundo O Espiritismo)


sexta-feira, 15 de março de 2013

Auto-Cura



Em 15-03-2013, às 20hs

Estou vagando na vida como se arrastada. Minha mente parece-me tão confusa, uma perturbação no meu ser. Não sei o rumo que seguir, perdi o leme da vida. Estou como barco à deriva, longe de saber onde aportar. Encontro-me perdida em meus pensamentos que já não são somente meus, misturam-se com vozes que ecoam no espaço vazio da minha mente. Angustio-me.

O vazio, a solidão, e, a minha vida segue à deriva sem onde chegar. Estou vagando pelas sombras da minha consciência a procura de alguém e esse alguém sou eu. Quando me perdi?  Busco respostas. Esquizofrenia? Não sei. Estou tão distante de mim que já não conheço o meu próprio mundo interior, então, como me encontrar no mundo aqui fora? Busco o socorro, o auxílio e o exílio para minha alma, refugio-me de mim mesma, com medo de descobrir-me e aumentar as minhas já existentes frustrações. Mas, onde está o socorro para minhas aflições? Eu não sei nem mesmo onde encontrar de tão confusa e perdida, em mim, que me encontro.

O ressentimento e mágoa disfarçados com um sorriso brando, não permite revelar a mesquinhez que habita um coração mediócre, porém, não a apaga. Palavras mordazes, muitas vezes, contidas no âmago do ser, silencia-se, mas não cessa o amargor da vingança que alimenta o espírito. Abraços fervorosos no calor do reencontro são, muitas vezes, duas serpentes peçonhentas destilando dardos mortais disfarçados em antídoto, aniquilando o que restou do perdão. A culpa, o remorso, que preenche esses corpos são causas da auto-obsessão, das quais os inimigos, encarnados e desencarnados aproveitam-se para intensificar o sofrimento e dominar, de vez por toda, a alma humana.

Obsessão, teu nome é culpa! A culpa cria circunstâncias para o remorso e o sofrimento e abre a porta para a obsessão. É preciso, pois, arrepender-se e fazer todo o possível para reparar o mal. Para isso, pedir perdão não basta, é preciso também se auto-perdoar. Ser indulgente para consigo mesmo, "aquele que está sem pecado lhe atire a primeira pedra" (Jesus). Para se autodesobsediar é  preciso acolher-se a si mesmo com amor.

A cura da obsessão está em se autoconhecer e se auto-perdoar. Eu só posso curar o Espírito se me permito conhecer o que me aflige a alma.  A alma é o espírito reencarnado, e o Espírito é a criação divina com várias existências, logo, cheio de experiências passadas, que muitos dizem "vidas passadas". Assim sendo, como ensina Joanna de Ângelis, "somos todo emoções". A vida para o Espírito é única, e a reencarnação na Terra são as várias etapas de sua existência para a sua evolução. Nestes vários estágios reencarnatórios, muitas vezes, ferimos, matamos, comemos, odiamos, destruímos nossos semelhantes,  desarmonizando a essência da vida que habita em nós, o amor. O amor é a essência da vida. O amor é Deus. Tudo no universo vive em perfeita harmonia, menos o homem, por seu orgulho, egoísmo e vaidade, que lhe corrompem a alma e o desequilibra.

Quando Jesus ensinou que deve prevalecer em nossas vidas não o costume antigo, a lei do "olho por olho e dente por dente", Ele procurou mostrar que quem se submete a essa lei, fica, como hoje encontra-se a humanidade, cego. Para romper esse ciclo violento é necessário que se faça diferente dos espíritos perversos, para não se tornar igual a eles. Para que espíritos perversos realizem as reações de ódio, amargura, ressentimento, vingança é preciso que o outro se torne assim, e, para tornar-se igual tem que se deixar dominar por ele, de forma que o outro fique com a sua natureza. Para que espíritos perversos não dominem  é preciso fazer o contrário, doar energia de amor e liberdade. "Vós tendes ouvido o que se disse: olho por olho e dente por dente. Eu, porém, digo-vos que não resistais ao mal; mas se alguém te ferir na tua face direita, oferece-lhe também a outra"  ( E.S.E., cap. XII; 7). Para não se converter em inimigo é preciso se converter ao Evangelho de Jesus.

"A felicidade não é uma estação onde chegamos, mas uma maneira de viajar" (Margaret Lee). A felicidade está na forma como o homem lida com os problemas, com as frustrações. Todo ser humano tem problemas e para vencê-los é preciso intensificar esforços. A frustração é uma energia poderosa, é possível transformá-la em energia criativa, transformando o pensamento. Muitas vezes é necessário mudar os objetivos, nem tudo pode ser como desejamos, ou no momento em que buscamos, um dia se chega lá. Sonhos são construções, sempre podemos desconstruir sonhos e traçar novas metas a partir das frustrações.  Como bem colocou Emmanuel, "mudanças equivalem a tratamento da alma", e, admitir que se tem problemas é o primeiro passo para mudar. Segundo um pensamento árabe: "Ninguém pode prejudicar você a não ser você mesmo. Ninguém pode mudar você a não ser você mesmo".
    
Nós somos a causa dos nossos problemas. Não podemos mudar o que está ao nosso redor, só podemos mudar o que está em nós mesmos, por isso, é necessário analisar o  problema e, analisar como nos sentimos diante do problema, a causa está dentro de nós. O outro pode influenciar ou até ajudar no nosso problema, mas, depende de nós como receber, aceitar e lidar com esses problemas. "Na vida, muita gente pode nos estender a mão, mas, a única pessoa que pode fazer algo por nós somos nós mesmos". É preciso perceber o que se está sentindo para poder curar-se, pensar os motivos da aflição. Não saber o que se está sentindo é um problema muito grave. É passar pela vida sem nunca enxergar o por que de não se ser feliz. O Espiritismo foi dado ao homem como meio de auto conhecer, se auto esclarecer. Não é para melhorar o outro fora de nós, mas, o outro que está em nós mesmos: "um cego não guia o outro".

Qual é o meio prático e mais eficaz para se melhorar nesta vida, e resistir aos arrastamento do mal? (L.E., questão 919). "Conhece-te a ti mesmo". Os Espíritos não diz que é Jesus, nem fazer o bem, nem rezar. Para alcançar a felicidade, não sofrer, é preciso antes se conhecer para mudar. Como fazer isso? Revela Santo Agostinho, no Livro dos Espíritos, questão 919, cap. XII, "Fazei o que eu fazia de minha vida sobre a Terra: ao fim da jornada, eu interrogava minha consciência, passava em revisa o que fizera, e me perguntava se não faltara algum dever, se ninguém tinha nada a se lamentar de mim. Foi assim que consegui me conhecer e ver o que havia para reformar em mim". É a reforma íntima que trás a felicidade. Deus não quer que ninguém viva em sofrimento, Ele deseja a transformação do Espírito. Para ser feliz é preciso mudar e para mudar é necessária vontade firme, e, vontade firme significa coragem. Se não se tem coragem, não se faz as perguntas certas e não se permite se conhecer. É preciso, pois, auto-confiança, porque aquele que não confia em si mesmo, jamais se interrogará no íntimo, pois que, faltará coragem para se reconhecer.

A auto-imagem negativa é incompatível com a felicidade. A felicidade bate-lhe a porta, mas, ela não abre, devido as imagens negativas absorvidas. Todos trazemos tendência a negatividade, o que diferencia é o grau dessas tendências ao pensamento negativo. Lutar contra não é a solução, é preciso reeducar os pensamentos.

Como conseguir melhorar a nossa auto-imagem? Jesus já ensinava antes do Espiritismo - " Fora da Caridade não há Salvação". Quando se começa a fazer algo de bom para o outro, começa-se a se perceber como melhor, e, torna-se melhor, então, tudo muda na sua vida, porque tudo na vida é reflexo do que somos. A vida muda não pela vontade dos Espíritos, nem por encantamento, mas, porque você buscou mudar internamente. A proposta do Espiritismo, segundo Emmanuel, é através do consciente nos resgatar do inconsciente. O trabalho na Casa Espírita ajuda a desenvolver a auto-estima, a partir do momento que possibilita que se trabalhe para o próximo. No auxílio ao outro, aos poucos vai se percebendo o amor que existe em cada um de nós. Percebemos que podemos nos modificar sendo melhor com o outro. Sendo melhor com o outro somos melhores conosco. Esse é o propósito de Jesus e da Doutrina Espírita, melhorar-se a partir da caridade do amor de si mesmo e ao próximo. Que Assim Seja!

Luz e Amor!



"Se o amor ao próximo é o princípio da caridade, amar aos inimigos é a sua aplicação sublime, porque essa virtude constitui uma das maiores vitórias conquistadas sobre o egoismo e o orgulho" (Amai os Vossos Inimigos, cap. XII; 3. O Evangelho Segundo o Espiritismo).



domingo, 10 de março de 2013

A Lei do Amor





Em 10-03-2013, às 8h e 49min.

O amor é de Deus. O ser humano, do mais elevado ao mais simples, trás latente o germe do amor em seu coração. Mesmo os homens mais cruéis, criminosos, os mais endurecidos possui esse sentimento dentro de si que supera todas as suas vicissitudes, muitas vezes, o amor é tanto que chega a altura do sublime: o amor por uma planta, por um animal, ou mesmo por um objeto, que possui um valor sentimental, são tesouros que lhe preenche o coração.

São normalmente pessoas a se lamentarem da humanidade, que deixaram de acreditar no seu semelhante e rebaixam a lei do amor à condição de instinto. Devemos sim, amar todas as coisas criadas por Deus para o nosso desenvolvimento espiritual. Animais, plantas e objetos são recursos da Divindade para ajudar no progresso da humanidade. Ajuda o homem a passar dos instintos para o ser inteligente. O Espírito é inteligência porque emana dos fluídos de Deus, que é “Inteligência Cósmica Universal”. Todos os homens, sem distinção, bons ou perversos, obedecendo ao amor ou ainda levados pelo instinto, todos somos filhos de um mesmo Pai, que é Deus. A humanidade, assim, se constitui em uma grande família espiritual, a família universal. O efeito da lei do amor é a evolução moral da raça humana e a felicidade em sua permanência na vida terrena.

Amar a todas as criaturas e cuidar das coisas inanimadas sobre a Terra ajuda o homem a desenvolver o amor escondido em seu coração, pois que, Deus deseja que todas as sementes dêem bons frutos e, ainda é um dever do homem sobre a terra, visto que somos administradores dos bens terrenos. Então, a tudo devemos amar e cuidar para que nada falte àqueles que ainda virão habitar no orbe terrestre. Essa afeição, ainda que instintiva, contribui para que o homem desenvolva-se em moral e inteligência. Mas, esse não é o germe que Deus depositou em seus corações, no ato da criação. A lei do amor é para com o semelhante. “Amai ao próximo como a si mesmo”. A lei do amor é a caridade pura.

Rejeitar a humanidade, afeiçoando-se tão somente àqueles que fazem parte do seu círculo familiar e de amigos é tornar-se, por meio desse afeto, um ser egoísta. Para se alcançar o amor que Deus deseja é necessário, aos poucos e sem distinção, amar a todos os irmãos. A lei do amor é o maior de todos os ensinamentos deixado por Jesus. “Amai-vos uns aos o outros como eu vos amei”, é seguindo esse ensinamento, deixado pelo Mestre maior, que o amor recíproco, próprio dos Espíritos adiantados, fará com que a Terra deixe de ser um planeta de exílio e provas e, transforme-se no plano de regeneração, onde Espíritos Evoluídos compartilham e aguardam as alegrias do mundo purificado, reflexo da lei sublime.

Acreditar na esterilidade e no endurecimento do coração humano é não acreditar no amor soberano. O amor Divino é tão profundo e fecundo que não há coração que um dia não se abra para que ele desabroche e se desenvolva. Para se conquistar esses corações é necessário o amor desinteressado de qualquer natureza. Somente um coração puro pode atingi-los. Esse amor pode ser revestido de preces. A prece sincera chega aos Bons Espíritos que se encarregam de levá-las a Deus. E não há pedido puro que Deus não atenda segundo os seus propósitos e necessidades, pois que, tudo em Deus há um objetivo.  Os mais rebeldes e os mais viciosos necessitam da prece sincera, como auxílio para sua transformação íntima. A oração é um forte aliado no socorro dos desesperados. Orar é interceder pelos mais fracos, é caridade com o semelhante. “Não façais aos outros o que não quereis que os outros vos façam, mas fazei, pelo contrário, todo o bem que puderdes” (Jesus). Que Assim Seja!

Luz e Amor!


 “O egoísmo, esta chaga da humanidade, deve desaparecer da Terra, porque impede o seu progresso moral”. (Amar ao próximo como a si mesmo, cap. XI; 11. O Evangelho Segundo o Espiritismo)

sábado, 9 de março de 2013

FELIZ ÀQUELE QUE CRÊ

                               


Em 03-03-2013, às 21hs.


"Eu creio Senhor! Ajuda a minha incredulidade!" (Marcos 9; 24).

Venho rogando ao Senhor meu Deus, que me ajude a crer nos ouvidos que me guia, nos olhos que me ilumina e nas palavras que me empresta para que sejam disseminados os Vossos Ensinamentos entre os meus irmãos. Crer nas palavras que não são minhas, pois que, não falo por mim, mas as trago em mim. Gostaria de ocultar-me, porém, o tempo chegou em que o testemunho faz-se necessário. Não posso mais negar o que os meus ouvidos escutam, os meus olhos vêem e que não falam pela minha boca, pois que, sou tão somente instrumento na Seara Divina.

"Aproximam-se os tempos, ainda uma vez vos digo, em que a grande fraternidade reinará sobre o globo. Será a lei de Cristo a que regerá os homens: somente ela será freio e esperança, e conduzirá as almas às moradas dos bem-aventurados. Amai-vos, pois, como os filhos de um mesmo pai; não façais diferenças entre vós e os infelizes, porque Deus deseja que todos sejam iguais; não desprezeis a ninguém" (E. S. E. "Amar ao próximo como a si mesmo", cap. XI; 14). 

"Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jesus).

O orgulho e a vaidade impedem mover-nos para a vida. E o que é a vida? A vida é Deus. Vida é movimento, nada que é vivo permanece na inércia e o segredo da vida está nas mãos de Deus, o criador. Aquele que permanece estático encontra-se sem vida. O Espírito pode até estacionar, se essa for a sua vontade, mas, a lei do amor é a evolução, e, para evoluir é preciso mover-se, no sentido de servir. Servir desperta-nos para o amor e o amor é Deus. Sendo Deus amor, então, devemos amar uns aos outros, pois que, Deus habita em nós: “Vós sois deuses”, disse o Mestre de Nazaré, referindo-se à nossa condição de seres imortais. “Podeis fazer tudo que faço e muito mais” Recordamos-lhe a vida e o vemos andando pelas estradas, atendendo o povo, sem cansaço.

"Sem a evolução do ser pensante, a existência de uma vida terrena seria uma crueldade sem objetivo". O objetivo de se reencarnar na Terra é evoluir.  Evoluir para voltarmos ao Pai Celestial como Espíritos Puros que somos. "Somos" espíritos bons, "estamos" espíritos maus, porque deixamos de amar pelo nosso orgulho. Eis que aqui estamos, no mundo de oportunidades de regeneração, unicamente, para aprendermos a amar. Se tivéssemos aprendido a amar, seriamos Espíritos Puros e, não mais precisaríamos de outras leis. Amar é conhecer a Deus. Deus vive em nós, colocou-nos o princípio vital que nos liga a Ele.

Crer é colocar Deus em nossa vida e, nas dificuldades deixar Deus nos guiar. "Por mim eu quero com Deus eu posso". Sou capaz porque Deus está me conduzindo. "Eu sou contigo" disse Jesus. Deus nos amou de tal forma, que nos entregou o Vosso diletissímo Filho Jesus e, tudo mais com Ele. Em qualquer situação podemos contar com o vosso auxílio. Os problemas não surgem para o nosso desânimo, mas, para que possamos mudar o sentido da nossa vida. "Mudanças equivalem a tratamento da alma" (Emmanuel).

O tempo é o melhor conselheiro. Tudo só acontece no seu próprio tempo, e, como tudo no Universo, o tempo pertence a Deus. Nada acontece que não seja no tempo de Deus. Até mesmo Jesus, o Salvador, obedeceu ao seu tempo: "Ainda não é chegado o meu tempo, mas, o Vosso tempo sempre está pronto" (N. T., João, cap. 7). "Deus não quer abrir-lhe os olhos à força, pois que eles gostam de ter os olhos fechados. Chegará a sua vez, mas antes é necessário que sintam as angústias das trevas e reconheçam Deus" (E. S. E., cap. VII; 9). 

Deus derrama luz por toda a parte, a revelação vem para todos, apenas alguns, por orgulho e vaidade, acreditando saber mais que Deus, a rejeitam. Para aqueles que a incredulidade se faz presente, Deus emprega os recursos que lhe convém, segundo cada indivíduo. Não é Deus quem tem que nos convencer de coisa alguma, ou, como encantamento, tornar-nos crentes aos seus Ensinamentos, mas, são as coisas, no tempo certo que se farão crer, da forma como for necessário e de acordo com o que convém ao Pai. "Ele ouve os que o buscam com simplicidade e humildade, mas é pelos tormentos da incredulidade que os orgulhosos atirar-se-ão por si mesmos em seus braços paternos e lhe pedirão perdão".

Os Espíritos também não estão aqui para convencer ninguém àquilo que não crêem. Estão para auxiliar aqueles que, mesmo sem ver, crêem e buscam fazer o bem. Os Espíritos Protetores não são nossas "babás", estão a serviço de Deus e tudo faz segundo a ordem de Deus, segundo a lei do amor. (L. E., questão 495).

"Não se apresenta a luz a um cego, é preciso antes curar-lhe o mal". É preciso  aprender a amar a Deus e amar a Deus é conhecê-lo. Deus não tem pressa e dá a cada um o tempo e o meio necessário para aprender o amor. Reencarnar na Terra é uma oportunidade para se aprender esse amor: "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo". Aquele que aprendeu verdadeiramente a amar não tem mais orgulho, e por isso já não se acredita superior aos seus semelhantes, mas, reconhece-se como ser imperfeito a caminho da evolução moral, através da Lei do Amor. Aquele que aprendeu a amar aprendeu a crer na existência de um Deus soberanamente bom e justo, porque Deus é amor,  e, o amor é o remédio para a nossa incredulidade. Que Assim Seja!

Luz e Amor!


"A incredulidade se diverte com está máxima: Bem-Aventurados os Pobres de Espírito, como com muitas outras coisas que não compreende. Por pobre de espírito, entretanto, Jesus não entende os tolos, mas os humilde, e diz que o Reino dos Céus é desses e não dos orgulhosos"
(Bem-Aventurados os Pobres de Espírito", cap. VII, 2. O Evangelho Segundo o Espiritismo)

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Espontaneidade X Indisciplina na Comunicação Mediúnica




Em 16-02-2013, às 21hs e 30mint.

Após algumas observações e estudos em trabalho de desobsessão, sem querer ferir as diretrizes de alguns centros espíritas, retomo a questão da complexidade do trabalho mediúnico, postado em 11-01-2012, na intenção de chamar a atenção de dirigentes para o agravante atraso no desenvolvimento da faculdade mediúnica de alguns médiuns. Em alguns grupos é possível verificar que o excesso de disciplina tem tolhido o fenômeno mediúnico. Observam-se comunicações mediúnicas amarradas por se confundir espontaneidade com indisciplina. "Os médiuns são os intérpretes dos Espíritos. Suprem o organismo material que falta a estes para transmitirem as suas instruções. Eis porque são dotados de faculdades para este fim" (E.S.E., cap. XIX; 10).

É preciso cuidar para não se desenvolver comunicações que nada reproduzem como figueiras secas. "A figueira seca é o símbolo das pessoas que apenas aparentam o bem, mas na realidade nada produzem de bom; dos oradores que possuem mais brilho do que solidez, dotados de vernizes das palavras, de maneira que estas agradam aos ouvidos; mas quando a analisamos, nada revela de substancial para o coração, e, quando as acabamos de ouvir, perguntamos que proveito tivemos (...) todas as doutrinas  que não produziram nenhum bem para a humanidade, serão reduzidas a nada; e que todos os homens voluntariamente inúteis, que não se utilizaram dos recursos de que estavam dotados, serão tratados como a figueira seca". (Parábola da figueira seca, cap.XIX; 8-9. E.S.E)

Caros irmãos, cuidado para não simplificar o que é bem mais complexo. Não há verdade absoluta, ainda mais em se tratando da alma humana. Bem é verdade, em regra, que todos somos donos do nosso corpo, da nossa consciência, da nossa vontade. Mas, fosse tão simples assim, não precisaríamos de hospitais psiquiátricos ou clínicos, ou mesmo, de Centros Espíritas. A medida de tudo deve ser sempre o bom senso!

É preciso lembrar que o trabalho espírita começa antes no plano invisível, depois na Casa Espírita (SCHUBERT, Dimensões Espirituais do Centro Espírita). Cada espírito acolhido recebe pois, antes do atendimento no Centro Espírita, o atendimento da Espiritualidade de acordo com suas necessidades e merecimentos. Cada espírito recebe um tratamento distinto, assim como acontece no plano terreno, "cada caso é um caso". E, nada acontece sem a permissão do Pai Celestial. Há em cada comunicação uma finalidade e uma afinidade entre o médium e o espírito comunicante. Nada é feito ao acaso pelo plano espiritual, tudo já está definido muito antes do trabalho começar no plano terreno.

O médium deve sim, selecionar as comunicações e ter, em si, a consciência de que o carro físico lhe pertence, devendo preservá-lo, moral e fisicamente. Contudo, ocorrem necessidades que independem da vontade do médium e ultrapassam o conhecimento humano, entidades perversas podem tentar agredir doutrinadores, e o médium, pode sim, perder o controle, porém, a equipe técnica do plano invisível domina mecanismos que os protegem de qualquer ameaça física.

Segundo os Amigos Benfeitores, "os espíritos benfeitores usam de "armas" de cargas de energia que os fazem sentir "morrer" novamente". Uma manifestação violenta pode fazer com que o médium perca o controle, ainda que este seja capacitado ou "disciplinado". Nenhum médium, por melhor que seja, está livre de tais manifestações espíritas, porém, jamais perderá a atenção da equipe socorrista. É necessário que o doutrinador esteja atento para espíritos perversos. Espíritos perversos não têm o mesmo comportamento de espíritos doentes e zombam se tratados por "irmãos". Por isso, "deve tratá-lo com severidade, mas com benevolência e vencê-lo pelos bons processos, orando por ele" (L. M. cap. XXIII, questão 249).

É preciso não confundir indisciplina com espontaneidade para não tolher a comunicação. Muitos centros espíritas adotam diretrizes que reprimem a comunicação mediúnica, o que é um desrespeito aos espíritos comunicantes e um atraso para o médium que tem o desenvolvimento de sua faculdade mediúnica retraída. É lógico que não se deve deixar virar bagunça, mas, é necessário permitir a espontaneidade do fenômeno mediúnico. O que não significa indisciplina do médium.

O médium disciplinado é aquele que não constrange o espírito comunicante, mas sabe até onde permitir ir a sua comunicação e a deixa fluir. Quando necessário, o médium pode vir ao chão e extravasar a sua dor, o que não caracteriza indisciplina e sim espontaneidade. Pronunciar palavras de baixo calão, que fira a integridade dos que ali estão presentes, isso sim é indisciplina.

Existem espíritos em estado tão grave de abstinência que não desejam estar ali, não desejam o socorro, pois, nem mesmo o vê como socorro, de tão grande a sua demência pela perda do contato com o corpo físico, o choque anímico o desperta e, o desespera ainda mais severamente, tornando-os extremamente violentos, mesmo com atendimento prévio no plano astral, são capazes de lançar o médium no chão. No entanto, nenhum espírito, em qualquer estado que se encontre,  penetra o templo sem a supervisão e o consentimento dos mentores da Casa.  Cada médium possuiu ambiente próprio e cada assembléia se caracteriza por uma corrente magnética particular de preservação e defesa (Schubert D. E. do C. E. cap. 14, p. 167).

Neste caso, é necessário o preparo do doutrinador na assistência daquele irmão em sofrimento: conhecimento doutrinário fundamentado na Codificação Kardequiana; conhecimento do Evangelho de Jesus; autoridade moral, essencial para legitimar os argumentos que apresenta o comunicante; fé, não advinda apenas do crer, mas do saber, fé esclarecida, e, amor acima de tudo, somente com amor se é capaz de se fazer ouvido, no mais, paciência, tolerância, sensibilidade, vigilância, humildade e prudência. Como recomenda Joana de Ângelis "(...) quem se faz instrutor deve valorizar o ensino aplicando-o em si próprio".

Imaginemos uma criança de 9-10 anos, mergulhada na ilusão das drogas psicodélicas e em abstinência. Cinco homens, com o dobro do seu peso não são capazes de controlar o seu surto psíquico. Porque acreditar que após o desencarne a situação mudaria? Não. A morte do corpo físico não liberta o espírito do que lhe está registrado no perispírito. A dor, o sofrimento, o ódio, ou, a alegria, a paz e o amor, acompanha-o, bem como, qualquer outro vício constituído em sua permanência terrena, de forma cem vezes ainda mais perceptível para o Espírito desencarnado. Logo, a sua manifestação trará consigo refluxos da sua existência corpórea. O Espírito livra-se do invólucro corpóreo, mas, mantém a consciência presa ao seu eflúvio. No plano espiritual é dado-lhe o primeiro atendimento para amenizar a sua dor moral; o contado com sua nova existência é dado através do choque anímico pelo médium, na Casa Espírita.

Convém lembrar que existem vários tipos de faculdades mediúnicas, entre essas, a "psicopraxia", liberdade de movimentar por completo o corpo do médium, mesmo sobre o controle do médium. Então, condicionar as comunicações unicamente ao comportamento moral ou "educação" do médium é querer tornar simples o que é muito mais complexo. Por que mais complexo? Porque envolve um conjunto de desejos e recordações recalcados referentes ao mesmo impulso inconsciente, o que torna complicado, intrincado as comunicações mediúnicas. Logo, não é tão simples acreditar que a boa educação do médium, ou o seu conhecimento teórico possa evitar, em alguns casos,  as manifestações violentas. É óbvio que não sendo regra geral, é preciso avaliar sua ocorrência. Há casos em que o médium é quem precisa de socorro espiritual, e esse é lhe dado sempre pela equipe socorrista. Cabe aqui, a medida do bom-senso, o pré julgamento é inadequado ao bom trabalho espírita. 

Generalizar é uma forma sutil de se dizer dono da verdade, porque essa atitude impede de se olhar cada indivíduo como um ser único, um pequeno universo. É dizer que tudo é a mesma coisa, e, o Universo não funciona assim. O Universo é um grande organismo, cada indivíduo é uma célula desse grande organismo. Cada célula tem a sua função específica. Entretanto, para o bom funcionamento do todo, faz-se necessário a unicidade do conjunto. Tanto no espaço como na Terra, no mundo invisível ou dos encarnados, somente trabalhando em uníssono é possível universalizar.

Luz e Amor!



"A fé, para ser proveitosa, deve ser ativa; não pode adormecer. Mãe de todas as virtudes que conduzem a Deus, deve velar atentamente pelo desenvolvimento das suas próprias filhas. A esperança e a caridade são consequências da fé" (A fé que transporta montanhas, cap. XIX; 11. O Evangelho Segundo o Espiritismo)





segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Responsabilidades com Jesus





Em 20-01-2013; às 8hs.

Angustia-me, apesar de saber que já não mais me cabe as aflições, porque os nossos pensamentos devem ser orientados pela fé em Deus, não compreender o que se passa comigo. Não quero simplesmente ser admirada pelos amigos, porque são amigos e, sendo amigos, encobrem os meus defeitos. Bem como, não quero as críticas dos inimigos. Necessito de críticas fundamentadas e construtivas que possam auxiliar-me na construção de uma consciência maior. São os nossos inimigos que revelam os nossos verdadeiros defeitos, porém, são perversos e, as verdades não precisam ser reveladas de maneira cruel. Talvez, por isso, os amigos muitas vezes silenciam-se, enquanto que os inimigos lançam dardos venenosos a todo tempo, para nos atingir mortalmente. Enfim, a verdade, dia menos dia, se fará presente. Cada um tem o seu próprio tempo para torná-la aceitável de acordo com o grau evolutivo de cada ser pensante.

Não busco elogios, gostaria apenas a avaliação sincera, não para me enaltecer e aumentar a minha vaidade de médium, mas, para não ser alvo perfeito das trevas. Não desejo fazer o mal difundindo verdades falaciosas, em que creio e escrevo, pois que, não seriam verdades, seriam engodos. Preocupa-me ser obreiro de inimigos do Espiritismo e não do Consolador. Desejo unicamente que a faculdade mediúnica, se possuo, seja a serviço do bem - mediunidade com Cristo.

Para que serveria a faculdade mediúnica senão para servir aos propósitos de Deus? Para que uma faculdade que serve absolutamente para manifestações de possíveis obsessores ou zombeteiros, que se divertem a custa da busca incessante de um ser imperfeito, em se melhorar espiritualmente e, desses somente ser porta-voz, se não fosse para se evoluir moralmente? Muitos, possivelmente, irão atribuir essa minha inquietação ao meu orgulho e mediocridade, desejar ser instrumento de Bons Espíritos, mensageiros do Senhor. Eu mesma já me questionei com profundidade para saber a intenção do meu ser, se não se trata de presunção buscar a comunicação com o Alto.

A resposta que encontro é: "eu não quero brincar com a fé do outro, da mesma forma que não quero que brinquem com a minha". Eu respeito muito a crença alheia, cuido em não ferir o meu semelhante. O que seria da vida sem a fé? Está no Evangelho, “A fé transporta montanhas” (E.S.E., cap. XIX). É preciso cuidar-se em observar, presunção não é fé, muitas vezes se confunde presunção com a fé inabalável em Deus.

A presunção é muito mais orgulho em si mesmo do que acreditar fielmente na vontade de Deus. A fé é fidelidade aos Ensinamentos de Jesus, o Cristo. O orgulho ao contrário, é a crença em si somente, “eu consegui porque sou o bom”. É importante que se acredite em si, em suas capacidades. Acreditar em sua própria força contribui para as realizações de trabalhos. O homem não é feito do mal, pois que, é criatura de Deus. O homem torna-se mal por esquecer que é criatura de Deus e, assim, alimenta-se da vaidade e da presunção. A humildade em reconhecer-se como criatura do Senhor, e que se é servo de Deus é que coloca o homem mais próximo do Altíssimo. A humildade é a porta aberta para a caridade, para o servir com Cristo. Só é possível servir ao próximo através da humildade, senão, serve-se somente a si próprio.

Minha angústia nasce das incertezas do meu ser, por entender que não estou livre do mal e, com isso, sintonizar, possivelmente, com o "astral inferior", potencializando, assim, o mal que habita em mim. Considerando que dificilmente um Espírito elevado se utilizaria de um instrumento pouco evoluído, temo que não seja da faculdade mediúnica o que produzo, mas, “personalismo”, "animismo" - "a mente do próprio médium criando aquilo que se faz passar por uma comunicação de espíritos desencarnados" (L.E.). Emílio de Miranda adverte que em uma boa comunicação mediúnica, cinquenta por cento do conteúdo da comunicação é do médium e, cinquenta por cento é do Espírito, especialmente, na mediunidade consciente. No nível evolutivo que estamos, a comunicação mediúnica cada vez mais está carregada de conteúdos nossos.

Quanto a considerar a comunicação com Espírito Elevado, devemos compreender, segundo O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, há Espíritos ligados aos indivíduos para os proteger, desde o seu nascimento até a morte, e frequentemente, segue-os até a vida espiritual, são os anjos guardiões, protetores, ou, mentores. "São Espíritos de ordem elevada" (questão 489). O Espírito protetor nunca abandona o seu protegido, pode afastar-se, quando os seus conselhos são inúteis e a vontade de sofrer influências de Espíritos inferiores é mais forte (questão 495). "Àqueles que pensem ser impossível aos Espíritos verdadeiramente elevados, se sujeitarem a uma tarefa tão laboriosa e de todos os instantes, diremos que influenciamos vossas almas estando a vários milhões de léguas de vós (...) São essas comunicações de cada homem com seu Espírito familiar que fazem todos os homens médiuns, médiuns hoje ignorados, mas que se manifestarão mais tarde e se espalharão como um oceano sem limites para repelir a incredulidade e a ignorância"

Incomoda-me responsabilizar os espíritos pelos meus feitos. Compreendo nos ensinamentos de Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, questão 459, "os espíritos tem maior influência do que credes, porque, frequentemente, são eles que vos dirigem". Contudo, a idéia de ser conduzida por "mãos invisíveis", parece sugerir que não sou dona dos meus atos, e isso faz com que me sinta com maior responsabilidade ainda sobre as comunicações das quais me faço porta-voz. Daí a me perguntar, quem sou eu? 

Os médiuns são intermediários entre o mundo visível e invisível, e, por isso, somos alvos de toda sorte de comunicações: boas e más. Se todos podemos ser alvo de espíritos maldosos, o que dizer dos médiuns ostensivos! Precisamos estar sempre atentos e em oração como ensinou Jesus: "Vigiar e Orar". Trabalhar com obsessores, no meu entendimento, é o trabalho mais edificante para o médium. Representa caridade não só para aquele espírito comunicante, mas, remédio para aquele que o atende. Salvo, quando o médium não possui consciência de que toda comunicação passa primeiro pelo ouvido que a conduz. O médium, revestido de vaidade, não saberá apreciar a eficácia do remédio ofertado.

Emmanuel adverte: "o ouvido que escuta é irmão da boca que fala. Não acreditei em tudo que vos falam". Somos tão responsáveis pelo que reproduzimos quanto quem nos fala. Não somos obrigados a ouvir o que faz mal e muito menos passá-lo adiante. Não devemos intoxicar o nosso espírito com maus dizeres e, menos ainda, contaminar os outros. Devemos ter compromisso moral com a verdade. "A verdade em sua expressão maior é Deus”. Quanto mais nos alimentamos da verdade, mais tomamos responsabilidades, mais testemunhos temos que dar. “Há quem muito for dado, muito lhe será pedido" (Jesus). O meu propósito quanto as postagens do "Blog" é difundir a Doutrina Espírita através das minhas próprias experiências. Eu não saberia expô-la de forma diferente. Não são revelações, não há nada que já não se houvesse dito pelos mais diversos autores e palestrantes. Essa é, apenas, a forma que encontrei de transformar minhas fraquezas em algo positivo. Que os meus tropeços sirvam para que outros sigam em passos firmes no caminho da reforma moral.

Revelação, pela etimologia da palavra, vem do Latim "revela tio", “ato de mostrar, descobrir, destapar”, de "revel are", formado por "re", indicando oposição, mais "velare", “cobrir, tapar”, de "velum”, “véu”. Revelar significa "verdade". Se não é verdade não é revelação. A verdade vem de Deus. "Pode-se enganar a muitos ao mesmo tempo, mas não se pode enganar a todos o tempo todo", porque a verdade se revelará para todos. Não existe exclusividade para Deus, porque somos todos iguais aos Seus olhos. Jesus adverte sobre os falsos Cristos (E.S.E., cap. XXI). A revelação do Cristo é gradual, há medida que vamos evoluindo nos vão sendo reveladas.

"Os médiuns são almas com passado desorganizado" (Emmanuel). A mediunidade, assim, não se constitui em nenhum privilégio, pois que, todos a possuímos em algum grau. "O exercício da mediunidade através da diretriz espírita é ministério de enobrecimento, atividade que envolve responsabilidade e siso (prudência). Não comporta atitudes levianas, nem admite a insensatez nas suas expressões. Caracteriza-se pela discrição e elevação de conteúdo, a serviço da renovação do próprio médium, quanto das criaturas de ambas as faixas do processo espiritual: fora e dentro da carne. Compromisso de alta significação é também processo de burilamento do médium, que se deve dedicar com submissão e humildade" (extraído do texto Fantasias Mediúnicas).

As inquietações que ora me tomam de assalto são reflexos da minha consciência, despertando para as responsabilidades assumidas com  Jesus. O que tenho feito do muito que me foi confiado? Devemos ser úteis naquilo que possuímos, servindo ao próximo sem distinção. O valor da ação está onde está o amor. Se a ação tem amor, então, ela tem valor. "Jesus, o Excelente Médium de Deus, jamais se descurou, mantendo a mesma nobre atitude diante dos poderosos do mundo quando dos necessitados, dos doutos como dos incultos, dos ataviados pela ilusão, assim como diante dos simples, ensinando, amando e servindo sem cessar". Somos todos doentes, e, por isso, estamos aqui, neste grande hospital-escola, denominado Terra, "os sãos não precisam de médicos" (E.S.E., cap. XXIV; 11-12).

Compartilhando dessa reflexão sobre as responsabilidades assumidas com Jesus, despeço-me, temporariamente, das publicações do meu Blog "Diário Espírita", para me dedicar ao trabalho de conclusão de curso (TCC), de Bacharelado em Sociologia, procurando espelhar-me no maior sociólogo de todos os tempos - Jesus. Almejo que esse trabalho não fique guardado na gaveta de uma banca examinadora, mas, que possa gerar benefícios ao grupo estudado, pois, é um trabalho "com" pessoas. A tese que irei defender será sobre a violência nas escolas, estudo que buscarei fundamentar nos Ensinamentos de Jesus, o qual me proponho a compartilhar, tão logo esteja concluído. Concluído entre aspas, porque o conhecimento não se encerra com um ponto final.

Os títulos conquistados na Terra não são entrada para o Reino do Céu. “... Todos os Espíritos são da mesma essência, e todos os corpos foram feitos da mesma massa. Vossos títulos e vossos nomes em nada a modificam; ficam no túmulo; não são eles que dão a felicidade prometida aos eleitos; a caridade e a humildade são os seus títulos de nobreza”. (E. S. E., “Bem-Aventurados os Pobres de Espírito”, cap. VII; 11). Porém, Allan Kardec adverte da necessidade de estudar: "Espíritas, amai-vos, esse é o primeiro ensinamento; Instruí-vos, é o segundo" (L.E.). Não pode haver educação sem informação. A Universidade não forma ninguém, é tão somente uma base para o universo de conhecimentos que podemos expandir. O que forma as pessoas é o conhecimento dirigido através da informação, dos estudos.

O conhecimento só não basta, é preciso valor. O "valor é um princípio revestido de sentimentos". A conduta moral adquire-se através dos Ensinamentos de Cristo. Conhecimento sem amor de nada serve. Quem deseja servir necessita aprender, "aprender nos auxilia a servir e servir nos desperta para o amor, e amor é viver". Amar a Deus é conhecê-lo. Que Assim Seja!

Luz e Amor!





 "E depois que Jesus desceu do monte, foi muita a gente do povo que o seguiu. E eis que, vindo um leproso, o adorava dizendo: Se tu queres, Senhor, bem me podes limpar. E Jesus, estendendo a mão, tocou-o dizendo: Pois eu quero; fica limpo. E logo ficou limpa toda a sua lepra. Então, lhe disse Jesus: Vê, não diga a alguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote, e faze a oferta que ordenou Moisés, para lhe servir de testemunho a eles". (Mateus, VIII; 1-4)

(Que a mão esquerda não saiba o que faz a direita, capitão XIII; 2. O Evangelho Segundo o Espiritismo).





sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Aprender para servir



Em 18-01-2013; às 8hs.

Acordei pensando como tenho feito para servir. Servir à Deus servindo ao próximo. Não se pode amar a Deus sem praticar a caridade ao próximo (E.S.E.). "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como  a ti mesmo" (Jesus). Angustio-me não encontrando respostas para minha iquietação. No que posso ajudar? Orar parece-me tão pouco.

"Volte e diga-lhes que o mundo precisa de oração". Está foi a tarefa que me deram quando passei pela "experiência de quase morte" (EQM), aos dezenove anos, e, mais tarde, quando resgatada da tentativa de suicídio. Situações adversas, porém, o mesmo chamado: "Sua missão não acabou, o mundo precisa de oração. Deus tem algo de bom reservado para você". Continuando sem atender ao chamado, em novas crises existências, recebi a seguinte mensagem:

"O Senhor é Santo, o Senhor é único, o Senhor é todo poderoso. Quem vos fala  é um irmão de luz. Ensina a tua filha a rezar. Não deseje o mal ao próximo, ainda que te façam mal. Lembre: "ofereça a outra face" ainda que te digam o contrário. Reze para que os teus dias sejam de luz e não conheças as trevas. Nem nesta vida, nem na vida eterna. Que Assim Seja!". Oração, sempre o mesmo pedido, orar pela humanidade. Ainda sem atender ou entender o chamado fui advertida: "Quanto tempo mais você precisa para dar seu testemunho, mais dezenove anos?"

Eu gostaria de fazer bem mais do que orar, mas, há situações que somente a prece, vinda do coração puro, pode auxiliar. O coração puro é do Espírito que aprendeu a amar. Então, como servir, se eu não tenho a pureza necessária do coração? Aprendendo a importância de amar. A prece sem amor não chega perto de Deus, pois que, Deus é amor e justiça. "Se eu falasse as línguas dos anjos, e não tiver caridade, sou como um metal que soa, ou como o sino que tine" (Paulo, I Coríntios, XIII; 1-7). Eu não tenho pureza na alma, ainda estou aprendendo a amar, a prece fortalesse-me-à, "porque a prece é o orvalho divino, que suaviza o excessivo calor das paixões. Filha predileta da fé, leva-nos ao caminho que conduz a Deus". (Santo Agostinho, E.S.E., cap. XXVI, 23).

Somos seres insatisfeitos! Questionamos sempre os propósitos de Deus, como se tivessemos algum conhecimento sobre as suas vontades. Falamos tanto que amamos Jesus e nem mesmo procuramos conhecê-lo. Amar a Deus é conhecê-lo. Esquecemos que nós estamos para servir ao Senhor, e não o Senhor aos seus servos. Ansiamos coisas tantas que não tem significado algum na nossa existência terrena, quando apenas deveriamos crer nos propósitos de Deus e aceitarmos, com alegria, o que a Deus aprover enviar-nos. A vida terrena é apenas uma etapa na construção da vida futura, e,  a vida futura é a espiritual. Nada está "determinado", tudo está "programado" para acontecer. Deus apresenta-nos os meios, nós escolhemos os caminhos ou,  ficamos parados sem nada fazer para mudar.

Reencarnamos para o progresso, para evoluir espiritualmente. O Espírito não regride jamais, estaciona se essa for a sua vontade, mas não degenera. O processo reencarnatório é evolutivo. Bem como, não existem "vidas pretéritas", existem "experiências vividas" (passadas). As reencarnações não representam várias vidas. O Espírito é o mesmo em todas as reencarnações, vivendo várias experiências de vida, várias etapas, várias oportunidades, para o seu progreso moral, objetivo da reencarnação. As reencarnações são etapas da existência do espírito que somos (do ser). A reencarnação no plano terreno é uma das diversas estapas que temos que vivênciar, e podermos retornar a pátria espiritual na condição de Espíritos Puros.

 O dia de hoje é um presente que Deus nos oferece a cada manhã, dando-nos novas oportunidades. Logo, como coloca o Espírito Shaolin "é perda de precioso tempo viver o passado, é parar no próprio passado, é como petrificar como a mulher de Jó" (Ave Luz). O futuro é o resultado do dia de hoje, cada um constrói o seu próprio futuro através do caminho que decide seguir. Em Deus, o fututo é a vida eterna. Se agi equivocado no passado e fiz sofrer o meu semelhante, diante da oportunidade oferecida, posso mudar o meu futuro, reparando hoje os erros de ontem. Somente diante do meu agir agora, posso prever o meu futuro. Assim, o que está programado pode ser mudado. "O homem é assim o árbitro constante de sua própria sorte. Ele pode abreviar o seu suplício ou prolongá-lo indefinidamente. Sua felicidade ou sua desgraça dependem da sua vontade de fazer o bem" (E.S.E.)

A mudança é um resultado do meu pensamento. Culpar a Deus pelos sofrimentos é não assumir responsabilidades. "Se mergulhasseis no fundo da vossa consciência, quase sempre ali encontrarieis o motivo dos males que vos queixais" (E.S.E.). Deus não é somente soberanamente bom e justo, mas misericordioso. Dá-nos bem mais do que merecemos. O sofrimento não é um castigo, é educação, nem a felicidade um prêmio, como diz Emmanuel, "é devolução". Deus não deseja a morte do pecador, mas que ele se arrependa. "Mas, o simples remorso não basta, é necessária a reparação da falta. É por isso que o culpado se vê submetido a novas provas, nas quais ele pode, sempre pela sua própria vontade, fazer o bem para a reparação do mal anteriormente praticado" (E.S.E.)

A prece é o pensamento elevado à Deus, todo pensamento puro chega até Deus em forma de oração. Deus, na sua misericórdia divina, atende as súplicas que vem de um coração síncero. Um simples pensamento, partindo de um coração puro, é mais ouvido pelo Pai Celeste do que intermináveis orações tiradas de fórmulas. Quanta caridade praticamos, quando rogamos por um irmão em sofrimento: "Seja Misericordioso Senhor!". Não é um ato de amor para com o Senhor assistirdes a um irmão em uma necessidade? Mas, Deus lê no íntimo dos corações, vê o nosso pensamento e a nossa sínceridade. Orar repetidas vezes não significa cumprir com o dever com Deus, em tudo é preciso caridade. Caridade é o amor em sua essência.

"O homem que não se julga suficientemente bom para exercer uma influência salutar, não deve deixar de orar por outro, por pensar que não é digno de ser ouvido. A consciência de sua inferioridade é uma prova de humildade, sempre agradável a Deus, que leva em consideração a sua intenção caridosa" (E. S. E.).

Que Assim Seja!

Luz e Amor!


"Por isso vos digo: todas as coisas que vós pedirdes orando, crede que as haveis de ver, e que assim vos sucederão". (Marcos, XI: 24)




domingo, 13 de janeiro de 2013

Conhece-te a ti mesmo



Em 11-01-2013, às 8hs


O que permite ao homem mudar não é o que vem de fora, mas, o que trás dentro de si mesmo, um poder intransferível, já que não se pode impor a ninguém e nem proibir a ninguém. Porém, mutável e consolador, do qual somos únicos responsáveis diante de Deus. Somente Deus o conhece no seu íntimo, somente a Deus cabe julgá-lo. Deseja mudar? Comece pelo pensamento. "É no pensamento que o homem goza de uma liberdade sem limites, porque não conhece entraves. Pode-se deter-lhe o voo, mas não aniquilá-lo". (L.E. questão 823).

"Sem a evolução do ser pensante, a existência de uma vida terrena seria uma crueldade sem objetivo". Rever conceitos não é ser volúvel e mudar de idéia não significa não ter personalidade. Conceitos são construídos socialmente atendendo as necessidades de respostas para tudo o que o homem busca compreender. Não havendo verdade absoluta, pois que, a vida em sociedade é construída sob contextos distintos, e, há que se atentar a cada tempo e a cultura de um povo, para se construir novos conceitos é preciso desconstruir os pré-existentes.

E, desconstruir não significa anular o que já existe, mas, considerar as possibilidades de mudanças decorrentes das transformações sociais. A vida é um processo, é dinâmica, é movimento. Estar vivo dentro de um contexto histórico é mover-se de acordo com as transformações ali realizadas, do contrário é parar no tempo, é tornar-se inativo. Estar inerte é está sem vida, e essa não é a condição do Espírito. Aquele que nada busca compreender fica apenas repetindo velhas opiniões. Repete fórmulas porque não as compreendem, porque apenas aprendeu a reproduzir idéias. Como bem colocou Joanna de Ângelis, "A humanidade não usa nem a razão, quem dirá a inteligência". 

"Não sei como entender-me, pois não faço o bem que desejo, mas o mal que aborreço (...) embora notando que o amor  ao bem está comigo, mas o realizá-lo não está" (Rom., cap. VII; 15-25). Mudar velhos conceitos não é uma tarefa muito fácil, requer um olhar minucioso e atento para dentro de si mesmo, se permitir conhecer-se. Se eu não conheço o que está dentro de mim, como posso mudar alguma coisa fora de si? Como posso definir o que é bom e o que é mau, se não compreendo quem eu sou e o que está em mim?

Para transformar os velhos conceitos é preciso antes uma análise de si mesmo, e permitir que eles fluam para que se possa conhecê-los. O bom e o ruim são muito subjetivos para se formar um conceito preciso. O que é bom para um pode não sê-lo para outro. São valores, e, sendo valores estão revestidos de sentimentos. Um determinado comportamento pode não ser aceito por um povo, em determinada época, mas, em outra época, um novo povo pode acreditar que é o mais adequado e adotá-lo. Ou seja, os conceitos podem muito bem serem revistos. O que não se pode acreditar é que o mal possa em algum tempo ter sido o bem. O mal é mal em qualquer tempo e sob quaisquer justificativas. Assim, como o bem sempre será o bem.

"Ser" é o que está dentro de cada um de nós, latente em nossa alma. Se Deus nos fez à sua imagem e semelhança, logo, "eu sou amor", "eu sou luz", "eu sou paz". "O Deus, que fez o mundo e todas as coisas que nele existem, sendo Senhor do Céu e da Terra, não mora em templos fabricados pela mão do homem, porque n'Ele vivemos, estamos, e nos movemos" (Atos. cap. XVII, 16-34). "Estar" é um momento transitório, é tudo o que eu posso mudar em mim: "eu estou com ódio"; "eu estou com inveja"; "eu estou maledicente". Eu não "sou" mal, eu "estou" mal. Como modificar? "...se bem com o espírito sirvo à lei de Deus, com a carne eis que sirvo tão-só à lei do pecado" (Rom., cap. VII; 15-25). Recomeçar com Jesus (L.E. questão 625). "Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça".  Preocupar-se com o desenvolvimento espiritual é o motivo principal da reencarnação.

Os termos "bom" e "mau" são subjetivos. O que vai determinar o que é bom e o que é ruim é a forma como o indivíduo percebe. O que é bom para um pode não ser para o outro. Um determinado comportamento pode ser aceito por um povo, em determinada época ou cultura, como bom,  no entanto, em outra época, um outro povo pode acreditar que não é o mais adequado e rejeitá-lo. Isso não faz um povo melhor do que o outro, era o seu tempo, a sua cultura, era o necessário para o seu desenvolvimento moral. Por exemplo: o uso da "burca" em países muçulmanos, não faz desse povo um povo "mal", apenas, diferente. Era a compreensão que se tinha em determinado momento histórico.  Allan Kardec coloca: "As condições de existência do homem mudam segundo os tempos e os lugares (...) essa diversidade está na ordem das coisas, ela está conforme a lei de Deus (...) cabe à razão distinguir as necessidades reais das necessidades artificiais ou de convenção". (L.E. questão 635).

O "bem" e o "mal" são de ordem moral. "O bem é sempre  bem e o mal é sempre mal".  A todo momento somos chamados para o bem e para o mal, escolher é o nosso livre-arbítrio. O mal depende da vontade, o homem é mais é culpável, à medida que sabe o que faz".  (L.E., questão 637). O bem é uma condição moral, é um dever. Como devo agir com a sociedade. Como devo agir com as outras pessoas. "É a regra para se conduzir bem". Portanto, moral é a distinção entre o bem e o mal. "fazer o bem é se conformar com a lei de Deus, e fazer o mal é infringir essa lei". (L.E.questão 629-630). Segundo Paulo, "Lei não escrita com tinta, mas com espírito de Deus vivo; não nas tábuas de pedra, mas na carne do coração" (II Cotíntios, cap. III).

Há pessoas que por não compreenderem os símbolos que permeiam toda uma existência, nem mesmo se dão conta do quanto de pré-conceitos existem dentro de si. Você já se perguntou se realmente não tem preconceitos contra o seu semelhante? Muitos dirão que não têm preconceitos, levantaram bandeiras sociais a favor da igualdade, mas nem param para analisar os seus pensamentos, o quanto estão revestidos de preconceitos. Quando dizemos, por exemplo: "esse cabelo é bom, aquele é ruim", nada mais estamos repetindo: "essa pessoa é boa, está é ruim",  porque assim foi convencionado.

Os conceitos de "cabelo bom" e "cabelo ruim" surgem para justificar a superioridade do homem branco sobre o homem negro, ou, de uma etnia sobre a outra. Não compreendendo esse símbolo, seguimos reproduzindo o mesmo comportamento nos dias atuais e levantando a bandeira da igualdade. Hipocrisia? Não, ignorância. E, os próprios negros acabam buscando um padrão de beleza e de comportamento do “homem branco”, para sentir-se melhor aceito socialmente, infelizmente, reforçando essas pré-noções existentes, pois, a partir daí, começam a reproduzir padrões comportamentais de uma pseudo-superioridade contra os próprios semelhantes patrícios. Reproduzem-se, sem perceber, valores morais carregados de preconceitos. 

O cabelo foi associado à raça para justificar a superioridade dos brancos sobre os negros.  Tudo o que está no "homem branco" é bom, tudo que está no "homem negro" é ruim. Até mesmo porque, de forma repudiável, naquele tempo, o negro não era considerado humano e sim "coisa". Assim sendo, estabeleceu-se: cabelo "bom" para os brancos e cabelo "ruim" para os negros. Contudo, não existe cabelo "bom", nem cabelo "ruim", existem cabelos liso e crespo, ou seja, existem cabelos diferentes, porque existem biótipos diferentes. 

Bem como, o conceito de raças: "raça ariana" (pura);  raça negra (impura) é um conceito criado socialmente, para separar povos e nações. Assim, distinguem-se os povos brancos sendo bons, “puros”, e os povos negro-mestiços sendo ruins “impuros”. O que é bom pertence a raça branca (cabelo bom), o que é ruim pertence a raça negra (cabelo ruim). Associam-se características puramente físicas ao Espírito, que é divinamente moral em sua constituição. Logo, são conceitos arbitrários a lei moral, infringi a lei de Deus. "Todos os homens são irmãos em Deus, porque são animados pelo espírito e tendem a um mesmo fim". (L.E. questão 54).

Como desejar que ocorra transformação no mundo exterior enquanto não se desconstruir os valores internos? É preciso mudar primeiro o Espírito, o “eu” que habita cada massa corpórea individual. E, depois, as mudanças exteriores irão acontecendo como resultado da transformação de cada ser que o habita. Essa transformação íntima  só é possível através do amor.

"O amor resume todas as leis e os profetas" (Jesus). Jesus veio para fazer cumprir a lei do amor. Veio desfazer idéias equivocadas antes dele. Não era a compreensão exata, mas, necessária para aquela época. Jesus veio trazer a luz, os ensinamentos. Jesus veio ensinar o amor, que é Deus. Nós não utilizamos o amor, nesse universo que é a vida moral. E, por isso, reencarnamos para aprender a amar. "Amar à Deus sobre todas as coisas e ao próximo como  a si mesmo" (Jesus). O amor é a caridade na sua essência. Jesus coloca a caridade não como uma das condição para a Salvação, mas, a única: "Fora da caridade não há Salvação" (E.S.E., cap. XV; 3). O amor é soberano e quem desejar ser soberano precisa aprender a amar. Que Assim Seja!

Luz e Amor!




"O amor resume toda a doutrina de Jesus, porque é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso realizado. No seu ponto de partida, o homem só tem instintos, mais avançado e corrompido, só tem sensações; mais instruído e purificado, tem sentimentos; e o amor é o requinte do sentimento"

(Amar ao próximo como a si mesmo, cap XI; 8. O Evangelho Segundo o Espiritismo)