O céu parecia em festa. Passei o dia com essa sensação vibrando dentro de mim. Estava tão leve, cantando louvores a Maria de Nazaré, sentimento enaltecedor de missão cumprida. Mas como posso estar irradiando alegrias, quando um irmão acabara de desencarnar? Sim, um irmão se libertou do cárcere terrestre e agora repousa no seio de Deus.
À sua volta, uma equipe de Espíritos auxiliares emanavam fluídos de paz e amor fraterno. Preces ecoavam em uníssono. Os amigos espirituais fizeram-se presentes, para o acolher nesse momento transitório. Segundo os ensinamentos kardequiano, "no momento da morte o perispírito se liberta mais ou memos lentamente do corpo. Nos primeiros instantes, o Espírito não entende sua situação: não se crê morto porque se sente vivo; vê o seu corpo de um lado, sabe que é seu, mas não entende porque está separado dele. Este estado perdura enquanto existe alguma ligação entre o corpo e o perispírito" (L.E., questão 257).
Não era espírita, pois que, não acreditava na comunicação com o mundo invisível. A sua descrença era oriunda dos conceitos adquiridos em suas multiplas jornadas terrena. Era muito mais uma resistência em quebrar paradigmas do que, propriamente, falta de fé. Se assim não fosse, teria dificultado o seu desligamento do invólucro corpóreo, o que não aconteceu, favorecendo o desenlace. Seguiu sereno, confiante na nova vida que o aguardava.
"A morte, para os homens, é apenas a separação momentânea, no plano material" (ESE). Nós, encarnados, muito mais por egoísmo do que amor, desejamos, firmemente, manter os nossos entes queridos, por maior tempo, presos em seus corpos físicos. Enquanto que, os Epíritos, cientes de sua condição de espírito livre, anseiam por libertar-se do corpo físico. Encarnado, o espírito perde a lembrança da sua real condição de espírito liberto, mas, ao deixar o invólucro corpóreo é igual a um passarinho livre da gaiola, voa de encontro a natureza. O Espírito é, em seu estado natural, livre.
"As preces pelos Espíritos que acabam de deixar a terra tem por fim, não apenas proporcionar-lhes uma prova de simpatia, mas também ajudá-los a se libertarem das ligações terrenas, abreviando a perturbação que segue sempre à separação do corpo, e tornando mais calmo o seu despertar" (ESE). Contudo, nossa prece é muito mais dirigida em proveito próprio, do que desprendimento da alma. Nossa prece é imbuida de egoísmo e orgulho, revestida de ingratidão, pois, quando não atendida, ao invés de louvarmos em agradecimento ao Pai celestial, maldizemos a nossa sorte. Somos egoístas e ingratos o suficiente para não compreendermos a misericórdia Divina.
Deus é soberanamente bom e justo, mas, acima de tudo, misericordioso. Não permite um sofrimento que não seja para um bem maior. Nesse momento de duras provas, a prece é a aliada mais importante. A prece é o bálsamo que refrigera a alma e cura as feridas. Momento em que a alma se eleva, abrindo caminho para que os Bem Feitores Espirituais possam atuar em auxílio, com a permissão do Pai.
Quando recebi a mensagem, pedindo a uma amiga que se guardasse das preocupações do dia a dia, pois, sua família viria precisar do seu auxílio, não atendi a solicitação. Pensei: "Nossa! Quem sou eu para prevenir sobre a morte de alguém?". Desejei mudar os pensamentos e vibrar pelo restabelecimento do amigo, mas, só conseguia pedir: "Senhor, seja feita a Tua vontade". A perceção era a de que ele desencarnaria em breve. Lutei e relutei contra a idéia, no sentido de dar apoio a família. Nos primeiros dias que se seguiram após a cirurgia, o amigo reagiu bem, o que me fez acreditar ter feito bem em ocultar a mensagem recebida: "Viu! Se tivesse dado o recado iria enchê-la de angústia desnecessária".
Passaram-se oito dias: "Amiga, ele retornou para o centro cirúrgico, está em coma induzido, o que você pressente?". Não lhe neguei: "o mesmo que você também pressente". Ela concordou, mas, relutante, disse-me que continuaria a rezar para que Deus lhe desse mais uma chance. Então, respondi-lhe: "Sabemos que a vida não acaba aqui, no outro plano também temos a chance de evoluir. Que seja feita a vontade do Pai." Todos temos dia para nascer e dia para retornar ao Pai, pois, a vida pertence ao Pai. Ficamos no órbe terrestre até cumprirmos as nossas penas. Seria justo ao Senhor, revogar a nossa sentença após tê-la cumprido? O meu coração silenciou.
Coloquei-me em comunhão com os Bons Amigos, do plano espiritual. Olhei para o horizonte e evoquei a oração que o Senhor nos ensinou: "Pai Nosso ... livra-nos Senhor de todo mal que ainda trazemos em nossa alma, livra-nos do egoísmo e da ingratidão que não nos permite conhecer a Tua misericórdia, porque o Teu Reino é o poder e a glória para sempre. Amém!".
Nesse interim, veio-me a oração da Ave-Maria. Não me encontrava mais em mim, o corpo diminuia e a voz tornara-se rouca, fraquinha e baixa, quase um murmúrio. Pude perceber uma freira de hábito branco: "Receba, pois, Maria de Nazaré, mãe santissíma, que acolhe a todos que deixam este vale de lágrimas, esse irmão, em sua nova morada. Seja sempre feita a vontade do Pai que está no Céu. Perdoa o egoísmo daqueles que ainda não compreendem os Ensinamentos do Vosso filho, Jesus. Interceda, pois, junto ao Vosso filho, Maria de Nazaré, por esse irmão, para que seja acolhido em Teu Reino Celestial. Dai força e consolo para os que ficaram, pois, a vida não se encerra aqui. Agradecemos ao Universo por, em sua harmonia esplendorosa, ter permitido a esse irmão, cumprir a vontade do Pai, em sua existência terrena. Amém!". Agora, já liberto do envólucro corpóreo, assistia a tudo e recebia uma nova energia. Seguiu em paz com os irmãos, sob um manto de luz.
Voltei. "Amigo, ele desencarnou!". "Sim", respondeu-me. "Enquanto, aqui na terra, choramos e lamentamos sua partida, o céu rejubila-se por recebê-lo, afinal, cumpriu as suas provas e agora recebe o repouso merecido. Continuará a zelar pelos seus familiares, mas, agora, em outro nível, em nome do Senhor. Que Assim Seja!"
Luz e Amor!
"... A fé robusta confere a perseverança, a energia e os recursos necessários para a vitória sobre os obstáculos, tanto nas pequenas quanto nas grandes coisas. A fé vacilante produz a incerteza, a hesitação, de que se aproveitam os adversários que devemos combater; ela nem se quer procura os meios de vencer, porque não crê na possibilidade de vitória".(A Fé que Transporta Montanhas, cap. XIX; 2. O Evangelho Segundo o Espiritismo)
"Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fossemos feitos justiça de Deus."(2 Coríntios 6)
Em 01-08-2012, às 22hs e 58mints.
O que é a casualidade? É tudo o que não podendo se explicar, coloca-se na conta do acaso. Igualmente como se fazia no princípio, quando não se tendo conhecimento científico para os fenômenos naturais, buscava-se a explicação no sobrenatural. O sobrenatural são acontecimentos que não encontram explicação nas leis naturais. Tudo o que é fundamentado pelas leis naturais é considerado normal, pois está dentro das regras. Deve-se ter o cuidado de não confundir "normal" com "comum". Comum é tudo que ocorre com uma certa frequência. Um fenômeno pode ser normal e não ser comum, como, por exemplo, a chuva de granizo em determinada região. Esse fenômeno encontra explicação nas leis físicas, porém, não acontece com frequência.
O Espiritismo encontra explicação científica, logo, não é um fenômeno sobrenatural. E, é comum, apesar de muitos negarem a influência dos Espíritos na vida terrena. Todos os Ensinamentos do Evangelho encontram explicação na ciência. Apenas, não procuramos conhecer àquele a quem dizemos amar e propomo-nos a seguir, Jesus. Repetimos diversas vezes o que nos é passado ao longo dos tempos, mas, não procuramos fundamentar os nossos conhecimentos nos Ensinamentos por Ele deixado. Aceitamos o que nos é passado como verdade sem ao menos procurar conhecer a Verdade. Deus nada fez por um acaso, pois que é "Princípio Inteligente Universal". Tudo em Deus tem um propósito - o progresso moral. O acaso, como já nos foi ensinado pelos Espíritos, não é inteligente, contrariando a lei das causas e efeitos.
Hoje pensei em ir para uma atividade e, fui levada para outra. Então, dei-me conta de que estamos sempre no momento certo onde devemos estar, ainda que desconheçamos os motivos. Eu me programei para participar de um coral no Centro Espírita e, acabei participando de um grupo de estudos, em um outro Centro Espírita. O tema abordado pelo palestrante foi: "Não se pode servir a Deus e a Mamon", cap. XVI; 7-13. E.S.E.
O porque ir ao coral? Queria me desestressar de problemas anteriores, que eu mesma provoquei em minha vida, por vaidade e orgulho. Como diz o ditado: "Quem canta seus males espanta", ditado popular. Não, quem busca compreender os seus males, dele se liberta. De que me adiantaria cantar e fingir alegria, por apenas alguns instantes? O problema talvez fosse, nestes instantes, esquecido, mas, os erros não são para serem esquecidos e sim, refletidos. "Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende, mas a tristeza do mundo opera a morte" (N.T. 2ª Epístola de Paulo aos Coríntios, cap. 7; 10).
Passamos por três importantes processos para corrigir uma falta: perceber, reconhecer e reparar. Não basta perceber que erramos, e, por orgulho, negar o erro. Nem tão pouco reconhecer o erro, e, nada fazer para repará-lo. Todos estamos sujeitos aos erros, o importante é vigiar-se. Vigiar-se é admitir que somos seres falíveis e, que, por isso, devemos ficar atentos as nossas más inclinações. Esquecer que somos imperfeitos e colocar a culpa em Deus como justificativa, implica em invigilância e no persistir do erro. Não é preciso, contudo, desesperar-se, mas, reparar o mal feito. Não se repara um erro buscando esquecê-lo, porém, compreendendo-o. Fugir parece a solução mais fácil, no entanto, prende-nos em nossas dívidas, não só as materiais, bem como, espirituais e moral: "Entreis pela porta estreita, por que larga é a porta da perdição". É bem mais fácil passar pela porta larga, mas, a salvação está na elevação espiritual e moral, o que requer esforço maior para se conseguir. Salvar é elevar-se.
Então, ao chegar em casa para o culto do "Evangelho no Lar", abri o Evangelho, aleatoriamente, no mesmo capítulo. Seria obra do acaso? Não. Antes, são respostas para as causas do meu sofrimento. O meu sofrimento de agora, encontra-se em ter escolhido servir antes a vaidade que a Deus. Não compreendia que a riqueza é uma prova, a mais arriscada, pela fascinação que exerce. Não entendia que a riqueza é para o progresso e não somente para uso pessoal, pois que, não somos possuidores dos bens terrenos, apenas, depositários de Deus, e, de tudo temos que prestar conta ao Senhor. O dinheiro "desmascara" as pessoas. As pessoas trazem em si suas tendências mais secretas e o dinheiro revela essas tendências.
Por que Deus permite ao incapaz os meios de riqueza? Simplesmente, como forma de exercer o livre-arbítrio e a bondade. Quando Deus quer, também retira-lhe a riqueza, dependendo do uso que se faz dela. "A tua fatalidade é o bem, como atingí-la é uma escolha" (Vida Feliz, de Joanna de Ângelis). Todos estamos fadados ao bem. Deus não deseja o mal de nenhum de seus filhos, tudo é uma questão das escolhas que fazemos. O "ter" não é um mal, todo o problema está no apego. O sofrimento, assim, é causado por não se saber discernir sobre o necessário e o supérfluo. O necessário é o essencial (essência), o supérfluo é o acessório, que, muitas vezes, ultrapassa a medida do bom senso. Então, faz-se dívidas e mais dívidas, para se obter o supérfluo, despertando a avareza, o egoísmo e a vaidade adormecidos na alma.
Deixa-se de se fazer o bem por medo de ser explorado. Esquece-se que é preciso primeiro ajudar para depois se perguntar quem é. Deixa-se de se sentir amado e de amar, pois que, acredita-se que todos em volta, ali estão, por interesse. Nega-se até mesmo uma palavra de esperança, ignorando-se que as boas palavras é como um passe magnético, emana boas energias e vale muito mais do que uma esmola que se tira do que sobra do supérfluo.
É preciso refletir, como ensina Emmanuel (Vinha de Luz), "O que a gente faz da religião (Deus) em nossa vida". Onde está a religião quando trato o meu semelhante como um lazarento? Quando deixo de fazer todo o bem que posso, para acumular riquezas, que só me servem nesse mundo terreno? "Porque sabemos que se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus. (...) Quem para isto nos preparou foi Deus, o qual nos deu também o penhor do Espírito". (...) Porque todos deveremos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal". (N.T. 2ª Epístola de Paulo aos Coríntios, cap. 5; 1-10). No entando, buscamos a glória na aparência e não no coração.
Eu, para não desagradar a alguém que me cercava de tudo o que o dinheiro podia comprar, deixei de matar a fome de muitos irmãos, com o meu supérfluo, com as sobras de alimentos que depois iriam para o lixo, onde muitos desafortunados matam a sua fome, pois, não queria contrariar o meu amado. O relacionamento acabou, sobrou-me muitos presentes: vestidos, sapatos, acessórios, etc. e, não tenho, ao menos, onde desfilá-los. Nem mesmo valem o preço que gastei e, muito menos pagam as dívidas que contraí para andar ao seu lado, "à sua altura". Ele é um profissional renomado e bem sucedido, porém, não me permitia doar nada a ninguém nas ruas, nem mesmo as sobras. Dizia-me que não tinha que alimentar os vícios dos outros. Eu ficava triste com sua atitude, não concordava, mas, aceitava. A minha vontade primeira era matar-lhes a fome, sem me importar com os motivos de estarem naquela situação. Iriam ou não se drogar, era com eles e Deus. Fazer o bem era com a minha consciência.
Contudo, a fraqueza moral que trazemos inerentes a alma, fez-me servir antes as paixões mundanas. Ainda com a alma em prantos neguei a Deus. Quando negamos um bem a um irmão, é a Deu a quem negamos. Não era espírita na ocasião, o que não justifica, mas, tinha em mim, apesar das minhas faltas, o desejo de caridade. Sempre acreditei que o que pensava e fazia era comigo e Deus. Lembro-me de quando, aos quinze anos, pela primeira vez, assisti um mendigo comendo restos do lixo, entrei em pranto convulsivo: Como pode um ser humano viver em condições tão desumanas? Eu queria mudar o mundo. Um amigo abraçou-me e, disse-me: "Você não pode sofrer assim. Como ele, existem muitos". Eu nunca havia visto algo tão deprimente assim. Então, doía-me sair do restaurante levando quentinhas com sobras de comidas e não poder ceder a quem, provavelmente, nada havia comido naquele dia, mas, eu neguei .... diversas vezes eu neguei, para não lhe contrariar.
Por que refletir sobre esse meu comportamento passado? Pensar no que sentia aos meus quinze anos de idade, e, comparar com as minhas atitudes de outrora? Porque eu não vivo, verdadeiramente, a essência da minha alma. Apesar de conhecer os Ensinamentos de Cristo e, trazer na alma o sentimento de compaixão, ainda encontro-me vacilante entre o bem e o mal. Será que agora posso afirmar que não mais serei tentada pelo supérfluo? O necessário me basta? Sou melhor hoje? Eu ainda não saberia responder com certeza a essas perguntas. Por isso a necessidade de vigilância e oração. Constantemente, pedimos provas que não somos capazes de vencê-las. Às vezes, relutamos não compreendendo porque Deus nos nega muito de nossos desejos. Tudo tem uma razão de ser e com certeza, é para um bem maior.
Deixar de ir cantar no coral não foi uma casualidade. Tem explicação no Espiritismo, nos Ensinamentos do Evangelho, "os Espíritos influenciam muito mais na nossa vida do que imaginamos" (L.E.). Eu precisava ouvir aquelas mensagens, tanto no grupo de estudos, quanto no Evangelho do Lar, para perceber os meus erros e repará-los, tornando-me verdadeiramente cristã. "Conhece-se o verdadeiro espírita por seu esforço em melhorar-se". Somente se pode melhorar conhecendo as causas do sofrimento, e, isso só é possível através deste ensinamento: "Conhece-te a ti mesmo". A Doutrina Espírita faz-nos pensar sobre os nossos comportamentos pretéritos e atuais, convidando-nos a uma "reforma íntima". O Evangelho Segundo o Espiritismo torna a nossa fé cega em sabedoria, em fé raciocinada. Impulsiona-nos a conhecer o verdadeiro Mestre, Jesus, e segui-lo pelo amor. A maior riqueza é a instrução. Que Assim Seja!
"Como é triste envelhecer, perder a força que impulsiona para a vida. Uma alma sã em um corpo que decai. O coração ainda pulsa igual a de um jovem, guarda em si as mesmas emoções e o corpo a mesma sensação. Mas, e o amor? Onde ficou o amor, o sexo e o prazer?
Estou vivo em um corpo que falece, que não mais obedece aos comandos dos meus desejos. A alma lateja, arde uma febre de desejo e o corpo não responde. eu quero sentir tudo como antes. Eu quero o corpo, eu quero o desejo ardente, eu quero a satisfação, mas, onde buscar? Em seu corpo jovem, em sua carne fresca, em seu cheiro de vida, em sua formosura ainda explendida. Nã, não me ame, faça-me apenas vivo. Devolva-me a emoção da alma, a sensação do corpo, para o meu delírio, para o meu prazer.
Eu quero estar vivo em sua péle. Eu quero estar vivo em você, na sua boca quente, nos seus lábios pequenos. Quero ser presa do seu calor, dos seus cabelos longos, enfim, quero tudo o que já foi meu, o teu amor. Chore, chore, mas, ama-me intensamente. Não suporta meu cheiro? Mas, ama-me. Faça-me vivo. Faça-me vibrar, pulsar, sentir-me vivo novamente. Só você pode trazer para mim, o doce sabor da vida. Só teu corpo aquece a minha alma. Deixe-me vivo em você. Eu preciso sentir que não acabou, que não chegou o fim.
Não, não se vá! Não se vá doce amada. Se fores o que será da minha alma? Eu tenho alma, entende? Eu não morri, vivo em você, por você eu existo, doce amada. Adoro respirar o seu cheiro, seu ar. Adoro seu gemido, seu querer. Adoro amar você!
Não, não aceito a separação. Chore, mas fique comigo. Deixe que eu descanse o meu corpo já cansado, na sua juventude, na plenitude do seu querer bem. Então, assim, seremos juntos, seremos únicos. Lembra-se das juras de amor? És livre para o mundo, mas, escrava dos meus desejos, dos meus anseios de me sentir vivo junto a si.
Chore, mas faça-me vibrar, eu preciso sentir que ainda existe vida em mim. Não me abandone, por favor! Suplico-lhe, fique aqui!"
Vicent
Essas foram as suas súplicas de amor. Seu devaneio. Dormi limpa, acordei suja com uma repulsa de mim mesma. Ontem parecia amor a sua procura, hoje, tortura, tormento. Quanto arrependimento em procurar corresponder a sua loucura. Sim, loucura. Como pode alguém dizr amar e subjugar a quem ama? Não, não compreende nem mesmo o que sente. Não, não é amor o seu delírio. Como pode acorrentar-me nessa tormenta e jurar amor? O que quer é apenas acreditar-se jovem, viril, com vida quando o corpo já lhe envelheceu. Quem ama não arrasta para a lama do infortúnio para que se possa dominar.
Quem ama deixa livre, não escravia, pois que o amor liberta. Não busca as fraqueza para se fazer senhor. Ama e não te compadece das lágrimas que faz correr na alma sofrida, humilhada, perdida. Ama e suplica pelo delírio do corpo, o prazer da carne onde já não te encontra mais, enquanto arrebata uma alma para o limo, o limbo. Ama, suplica o gozo e, se ri do gemido da dor contida no silêncio das minhas palavras.
É assim que hoje sinto-me ao seu lado, um corpo sem alma, pois que, já a enterrasse, há muito, nesse mar de lama e de sofrimento moral. Rogo para que me abandone. Livre-me desse amor insâno. Rogo para que se cure e deixe-me viver em paz. No amor, já não mais acredito mesmo, porque, nesse mundo, não econtrei amor. Desprezo meu corpo, meu cheiro, meu jeito, pois que, em toda minha existência, só despertou desejo, paixão e, eu desejo amor.
Pude sentir o seu cheiro de carne em aputrefação. Pude perceber a sua péle sem cor e o seu olhar já sem vida. Chorei sim, supliquei que não mais fizesse isso de mim., mas, não quis me ouvir. Suplicava-me o contrário: "faça-me vibrar pela última vez". Aos prantos fiz o que me pedisse, e agora sinto vontade de morrer! Não, eu não lhe desprezo por sua velhice, por seu corpo já não corresponder aos meus anseios. Desprezo-me a mim mesma por ainda procurar em você a promessa de amor quando sei que não irei encontrar pois que sou para você um corpo. Os meus sentimentos nunca tocou os seus sentimentos. Diz-me chora! É por isso que me desprezo, porque atiro-me numa dor profunda, no âmago do meu ser, para aliviar-lhe os desejos, enquanto não vê, ao menos, o meu pranto correr. Adeus ou a morte em vida! A morte do meu desejo de viver.
Então, todo aquele cenário abriu-se para mim, o quartinho úmido, frio e mau cheiroso. No chão havia água, sujeira, onde eu era obrigada a caminhar. Apenas uma fresta de luz, um sanitário fétido com odor de uréia insuportável. Uma pia imunda, onde a ferrugem já corroia a torneira. Uma ant-sala onde era deixada a bandeja, sem prato. A comida exalava um cheiro de azedo e era obrigada a comê-la ou padecer de fome. Ficava nos fundos de uma grande área verde, uma chácara. Ele, velho, gordo, sedento de desejo, os mais vis. Não queria que me tocasse o corpo, nem aos meus cabelos. Sentia asco. Via a lágrima escorrer-lhe na face de tão triste a sua alma, mas, não se comovia com as minhas, pedia apenas: "faça-me vibrar".
Quando a porta se abriu, finalmente, estava livre. Pude ver o céu, as árvores .... que paz!
Mensagem recebida às 23hs do dia 26-05-2012.
"Como chora essa alma bendita em busca do amparo Divino! Luta incessantemente contra as profundezas do seu inconsciente. Não vê que não pode mudar a escrita do Senhor teu Deus? Ore e ame!
Ore pela humanidade que padece de oração, para que se lhe absolva dos pecados. Ame, incomensuravelmente. Ame! O amor é bálsamoque refrigera as dores das almas, as dores do mundo. Vê, não está só. estamos contigo a guiar os seus passos. Não tema. Confie nos amigos do plano invisível. Sabe da nossa existência, conhece o nosso amor, então, entrega-se ao labor. Deixe-nos falar através de sua alma.
Por que reluta? Sabe o caminho a seguir. O Senhor enviou-nos para acolhê-la, guiá-la nessa jornada árdua, longa, mas, doce, serena e de paz. Creia! Ore! A oração será sua bússula a orientar-lhe o caminho. Tenha fé, mas, a fé do sã. Dos que sabem porque acreditam. A fé raciocinada. Estudo e oração serão seus maiores aliados nesta empreitada. Amar, o primeiro ensinamento e estudar, o segundo.
"Vigiai e Orai". Então, nada mais lhe prenderá ao passado. Terás vencido essa etapa, e , enfim, a glória de Deus se fará. Louvado seja o nosso Senhor Jesus Cristo, que nos uniu em Vosso nome."
Espírito Protetor
Essa fora a revelação que me fez silenciar por algum tempo e que hoje, seguindo o tratamento com a espiritualidade, o jugo ficou mais leve, pude, enfim, compartilhar com os amigos e leitores, segundo o propósito desse Diário Espírita. Nada acontece de acordo com minha vontade. Os relatos não seguem o meu comando, nem uma sequência exata nas datas publicados. O que está no final é muitas vezes o início de tudo, ou, vice-versa. As frases e os fatos vão se complementando ao longo da história. Assim, os Espíritos determinam o trabalho. Convencê-los a acreditar não é o nosso ideal, mas, fazê-los duvidar. É a dúvida o impulso para se buscar conhecimentos. Que a luz Divina esteja com todos. Que Assim Seja!
"Os nossos melhores amigos são os nossos inimigos, pois, mostram os nossos defeitos".
Em 29-05-2012, às 7hs.
" - Senhor, eu matei o meu algoz enquanto vibrava em meu corpo!".
Era a única maneira que acreditava de libertar-me do seu jugo. Violentou-me aos doze anos de idade e fez-me sua escrava sexual. Quando conheci o amor, por volta dos dezenove anos, encarcerou-me naquele porão imundo onde somente ele tinha acesso, nos fundo da fazenda, era anos de 1850 - França. Mas, para a minha surpresa, a morte não existe, então, ele continuava a perseguir-me durante as minhas várias existências terrenas. O remorso foi a minha companhia e o seu desejo, ainda vivo, o meu companheiro.
Continuei a vida com a profissão mais antiga. Fui ao longo do tempo prostituta, meretriz, "A dama das Camélias". Conheci o Senhor Deus, mas, o remorso, antigo companheiro de jornada, teimava em desviar-me do caminho. Queria vingar-me do mundo por não me permitir o amor. Destruí lares santos por terem destruido minha santidade. Ninguém acreditou que eu pudesse amar e servir ao Senhor. Fecharam-me as portas dos templos sagrados e profanos. Então, sentindo-me suja, deixei de acreditar em mim, mas, não em Deus.
Mas como? Há de perguntar-me. Deus existe para todos menos para mim. Está em todas as coisas, mas não em mim, pela minha impureza. (Madaleinne)
""Eu sou a Verdade e a Vida, ninguém vem ao Pai, senão por mim" (Jesus). O amor é a chave para a felicidade. É a chave que abre os corações, até os mais endurecidos. Deixá-los trancados é transgredir a Lei Universal. Doe amor! Então, estará resgatando vidas que ficaram trancadas na escuridão do medo. O amor é luz. A única que ilumina qualquer caminho e retira a humanidade das trevas do orgulho, da vaidade, do egoísmo e da presunção. Amai e Orai pela humanidade, então, a Palavra se cumprirá. Fora da Caridade Não Há Salvação."Espírito Amigo (em 29-05-2012, às 8hs e 30mint.).
Tudo o que me havia falado a Espiritualidade sobre acreditar. Eu teimo em não acreditar na minha mediunidade, em não querer acreditar. Só não mais consigo construir um mundo meu e trancar-me. As portas do meu subconsciente se abriram, não dá mais para fechar para a realidade.
Banhei-me, nada consegui comer. Queria dormir para não mais lembrar. Precisava recobrar as minhas energias. As pernas pareciam fraca. O meu corpo doia todo, os braços, o pescoço. O choro era compulsivo. Por que Deus permitiu esse sofrimento para a minha alma? Por que vocês, meus amigos espirituais, não fizeram nada para evitá-lo? Respondeu-me: "Acabou! Deus permite o sofrimento para um bem maior. Nós resgatamos você do passado, agora você está livre. Acabou! Era preciso que você voltasse. Vocês precisavam desse encontro, perceberem que acabou". E a sensação de ainda me sentir impura! Suja! E a dor que a minha alma está sentindo? Respondeu solicito: "É preciso expurgar".
Dormi um sono profundo. Acordei mais leve, calma. A angústia que tomou conta de mim, depois, foi saber que no dia seguinte estaria com meu amigo e conselheiro espiritual. Sabia que leria em minh'alma o meu trajeto. Saberia ao que expus minha alma. Envergonhava-me saber quem fui um dia. Ele apenas disse-me, olhando nos olhos: "Chore, chore tudo o que tiver na sua alma. Está chorando por todo o leite derramado? Agora derramou! Tem mais lágrimas? Então, chore." Perguntou-me: "Você já viu alguém neste mundo que nunca chorou? Neste mundo não há, então, chore." Depois, serviu-me água fluidificada e aplicou-me passe energético para o meu reequilíbrio. Queria que me tirasse a mediunidade. Disse-me que só passamos aquilo que precisamos passar e que ninguém pode me tirar isso. Perguntei-lhe como pode alguém estar em dois lugares ao mesmo tempo, no passado e no presente. Disse-me que já havia respondido. Não pode um corpo estar em dois lugares ao mesmo tempo. O que me ocorreu foi bicorporação (bicorporeidade).
Jamais poderia acreditar ser isso possível. Foi assim que fomos resgatados do passado, em 26-05-2012. Senti uma forte dor de cabeça. Na noite anterior havia orado. Não desejava aquele encontro. Pressentia o sofrimento. Sabia que ele não havia mudado o seu comportamento. Sabia que seria novamente subjugada, humilhada na minha dignidade. Os Amigos Espirituais aconselharam-me a confiar: "Entrega o teu caminho ao Senhor, confie na Espiritualidade. Você precisa fazer o resgate". Então, acordei decidida a enfrentar o que me aguardava, mesmo consciente das dores que, mais uma vez, teria que enfrentar para nos salvarmos.
"Senhor, faça de mim a sua morada. Tome a minha vida em suas mãos e faça segundo a sua vontade". Esta foi a minha oração, pouco antes do celular tocar. Era ele, bem antes da hora marcada, aguardava-me. Arrumei-me e segui. Enquanto seguiamos pelo caminho, parecia-me tudo como o esperado. Nada havia mudado: o seu desejo por mim e, a minha renúncia por mim. Quando adentramos aquele lugar onde se daria o encontro final, senti uma forte tontura. A visão ficou turva, inquietei-me. Sabia, como fora avisada na noite anterior, que ali tudo acabaria. Só não sabia o que me aguardava.
Entramos. A percepção que tinha era de um corredor escuro com pontos de luz sinalizando o caminho. O teto rebaixado, com forma arredondada e parede de pedras. Um lugar, extremamente, sombrio. Seguimos pelo corredor. Ao entrarmos e fecharmos a porta a percepção era de um quartinho, um cárcere úmido, fétido, sem luz, frio, vázio. Recusava-me a colocar os pés descalços no chão. Parecia que aquele chão não era o mesmo chão do momento atual. Passei a sentir repulsa pela sua companhia. Falava-me de um amor doente. Na verdade, um desejo carnal, mas que ele não se dava conta.
Relatou-me que já havia procurado um psiquiatra para se curar desse amor por mim. Ninguém mais lhe daria prazer, somente eu. Tinha que ser necessariamente eu. Mas, ao mesmo tempo em que falava de amor, escravizava-me. Mantinha-me na sua dependência, presa, humilhada. Pura degradação de um ser. Aquele sentimento jamais seria de amor. Queria tocar meus cabelos. Não suportando suas carícias, tirei-lhe as mãos da minha cabeça. Gritava em silêncio dentro de mim: "Não me toque!". Não queria os seus beijos. Sentia asco. Uma repulsa que não sei porque sentiria por alguém que um dia amei.
As horas passavam, mas, o meu tormento não. A cada segundo ia se instalando, em mim, mais revolta. Já não conseguia tocar com os pés o chão. Quando preciso caminhar ao sanitário, a sensação era de nojo. Aquele chão estava imundo. Eu estava "imunda". Olhava-me no espelho e no meu olhar só enxergava uma alma triste, sem vida. Quando ele se aproximava, sentia o "cheiro da velhice". Sua cor era pálida, sua boca era fria, seu beijo era gélido. Mas como? Então, naquele instante, não eramos mais nós dois, o casal que, tempo atrás, amou-se?
Chegada a hora do almoço, uma bandeja foi deixada na ante-sala. Como caminhar por aquele chão nojento para pegá-la? Não sei se prefiriria a fome. Então, fui servir-me. Não havia pratos, somente um garfo amassado e, aquela bandeja fria, com comida cheirando a azedo. Ele dizia-me que era tão somente impressão minha. As lágrimas começaram, então, a correr pela minha face. O meu coração estava apertado. Não levantava a fronte para que ele não percebesse a minha transformação. Porém, era transparente demais, como todas as outras minhas manifestações. Consigo tranfigurar-me. Duas mentes funcionando em um único corpo. Qual é a minha mente? Ele comentou: "Está visível em seu rosto o seu transtorno. Não pensei que a minha companhia lhe fizesse tão mal!".
Então, subitamente explodi: "Estou com raiva de mim por me permitir esse sofrimento. Essa não é a minha casa, não é a minha cama, não é a vida que sonhei para mim". Continuei, em soluços: "Eu não odeio você, eu odeio o lugar em que você me colocou. Você ainda chama a isso de amor?". Cheia de angústia, prossegui: "Quem ama não maltrata, não humilha, não envergonha". Disse-lhe, então:"Tudo acaba aqui, nunca mais vou me permitir esse sofrimento". Ele escultou-me em silêncio, com a cabeça voltada para o travesseiro. Em seguida, disse-me: "Já que nunca mais nos veremos, faça-me pela última vez vibrar". As minhas lagrimas, minhas palavras, o meu sentimento mais profundo, arrancado do âmago da minha existência não lhe causou nenhuma comoção, ou desistência da sua satisfação pessoal. Em prantos, como sua escrava que sempre fora, atendi-lhe ao pedido, sem deixar, no entanto, que tocasse o meu corpo. Nesse instante, senti uma forte vontade de vê-lo morto, então, pude perceber o que houvera feito no pretérito.
Depois, debaixo daquela água fervendo, desejei arrancar todo aquele sentimento, aquela sensação, aquela péle. Era como se pudesse lavar a alma. Ele continuava frio e indiferente, sem nenhum gesto de emoção, sem nenhuma palavra de carinho e, assim, partimos. Ao abrir a porta, a percepção foi de estar saindo daquele cárcere no qual fui colocada há quase dois séculos.
O corredor enorme de volta, a porta de saída. Era um porão. Estive há anos presa em um porão, lá fora era uma grande chácara. A luz doeu os meus olhos, parecia que sobrevivi apenas com as frestas vinda de uma pequena janela, coberta por um pano preto. Olhei para aquela bandeja na ante-sala como se a me despedir do jugo. Fiquei ainda por alguns instantes em pé, na porta do quartinho, mirando a outra porta, do outro lado do corredor, parecia que não teria forças para atravessá-lo. Parecia não respirar. Eu saí na frente, ele seguiu atrás. Olhei o mundo lá fora. O céu azul, as árvores, a grama, o espaço não era mais vázio, a paz, enfim, estava livre. Agora era uma alma livre do expurgo.
Não vi o caminho, a estrada. Nada dissemos um ao outro. A sensação era de alívio profundo, o sofrimento estava no fim. Avistei os prédios, finalmente, estava de volta pra casa. Entrei chorando e agradecendo a Deus. Dizia-me, a Espiritualidade: "Acabou! Acabou!". Debrucei-me, em pranto, sobre o meu diário a escrever: "O que aconteceu comigo? Respondeu-me: "Imolar". O que é imolar? Eu não compreendo! Deixe-me chorar, eu preciso amigo! Estou enlouquecendo! Eu não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo! Deus me permitiria voltar lá? Por que Ele faria isso comigo? E o véu do esquecimento? E o não permitir o sofrimento? Estou louca, amigo! Ele era ele, mas não era. Eu era eu, mas não era. Aquele lugar era aquele lugar, mas não era o lugar. Por que, amigo?
"Deus permite o sofrimento para um bem maior" (Espírito amigo)
Que Assim Seja!
Luz e Amor!
"Amai-vos uns aos outros, e sereis felizes. Tratai sobretudo de amar aos que vos provocaram indiferença, ódio e desprezo. O Cristo, que deveis tornar o vosso modelo, deu-vos o exemplo dessa abnegação: missionário do amor, amouaté dar o sangue e a própria vida. O sacrifício de amar os que vos ultrajam e perseguem é penoso, mas é isso, precisamente, o que vos torna superiores a eles. Se vós os odiasseis como eles vos odeiam, não valerieis mais do que eles. É essa a hóstia imaculada que ofereceis a Deus, no altar de vossos corações, hóstia de agradável fragrância, cujos perfumes sobem até Ele". (Amai os Vossos Inimigos, cap. XII; 10. O Evangelho segundo o Espiritismo)
Buscava refletir sobre o que me foi dito sobre Cristo: por que Ele caía e tornava a se levantar carregando a Sua cruz? Ora, Cristo poderia não passar por esse martírio, nem mesmo o merecia, Ele é o Senhor de todas as coisas! Porém, Ele se permitiu passar por todas essas dores para a nossa Salvação, em nome do Pai que está no céu. E, mesmo inocente, pediu perdão por todos nós, para aliviar as nossas culpas: "Pai, perdoa-os, eles não sabem o que faz!". Nós não conheciamos a Verdade.
Sim. Cristo, o maior líder que já existiu na humanidade, levantou-se e seguiu em frente, para ensinar aos seus apóstolos a importância do sofrimento, em virtude da Caridade. Ainda estando no chão, sobre os intempéries da vida, devemos erguer os olhos para o Alto, rendermos glória ao Senhor, por amor ao próximo e confiança no Pai, que nada fez por acaso, e seguirmos em frente. Deus não abandona nenhum de seus eleitos. Tudo tem um plano bem delineado por Deus. Todos somos importantes: "Todos sois deuses" (Jesus).
Contudo, conhecendo os seus Ensinamentos, quantas vezes, podendo aplicar o bem, escolhemos fazer o mal, ainda que a nossa consciência nos interpele? Quantas portas ainda fechamos com a nossa malediscência, conhecendo que o calar-se é uma das mais belas formas de praticar a caridade? Desejosos de mostrar sempre que somos donos da razão, deixamos de lado a indulgência e açoitamos ao irmão com nossa língua ferina. A malediscência é a forma mais cruel de se tratar o próximo, pois, contrária ao amor, não apenas deixamos de ajudar, como levamos outros a negarem ajuda ao seu semelhante, dificultando-lhe a evolução e semeando a discórdia entre aqueles a quem poderiamos unir, em amor ao Pai.
Por que nos inclinamos para o mal, quando fazer o bem torna o nosso jugo mais leve? "Vinde a Mim todos vós que sofreis e vos acheis sobrecarregados que eu vos aliviarei, porque o meu fardo é leve e meu jugo é suave" (Jesus). Toda as vezes que deixamos de ser benevolentes permanecemos mais tempo encarcerados no invólucro corpóreo, e o carro físico é pesado de se carregar. O amor é um sentimento dos Espíritos puros, o único que liberta. É somente pelo amor que nos aproximamos de Jesus. Estando perto Dele, tudo se torna mais leve pela pureza do Espírito. "A beneficência vos dará neste mundo os gozos mais puros e mais doces, as alegrias do coração, que não são perturbadas nem pelos remorsos, nem pela indiferença." ( E.S.E, Cap. XIII; 11).
Compreender que somos todos iguais em nossas diferenças eis a chave para a Caridade, pois que, no óbulo terrestre não há superior nem inferior, somos todos partes integrantes de um mesmo corpo, com suas individualidades. Devemos mudar os conceitos: melhor e diferente. "Há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos (...) A manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil (...). Assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. (...) Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. Se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Assim, pois, há muitos membros mas um corpo. (...) O olho não pode dizer a mão: "Não tenho necessidade de ti"; nem ainda a cabeça aos pés: "Não tenho necessidade de vós". Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários. (...) mas, Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela para que não haja divisão do corpo, mas antes tenham os membros igual cuidados uns aos outros." (NT, 1 Coríntios 12).
Sendo membros de um mesmo corpo devemos procurar ajudar uns aos outros: "Amai-vos uns aos outros como Eu vos ameis" (Jesus). A beneficência é irmã da caridade, é o ato de fazer o bem. A beneficência é algo que integra a nossa personalidade, ato já consagrado por nós. Ser caridoso, como nos ensina Emmanuel, não é somente dar pão ao faminto, mas o carinho da palavra fraterna. Não é doar a roupa que te sobra, mas o teu sorriso. Paciência e tolerância com os amigos mais ditosos presos a algema da ignorância. Não sede a palmatória do teu irmão, mas sede bondoso. Levar esperança, pois aliviar com azedume é alargar a ferida de quem padece. Amparar e auxiliar sem descanso, pois somente com a força do amor alcançaremos a luz imperecível da vida. (da obra Caridade, de Emmanuel por Chico Xavier).
A caridade é antes um bem para si mesmo. Elimina a pressunção de portar-nos, frente ao irmão, como ser especial. Demove-nos o orgulho de nos sentir melhor do que o outro. Bani a vaidade de se querer o reconhecimento do próximo. Orgulho é sentir-se superior ao outro; vaidade é querer que o outro reconheça essa superioridade. A caridade, assim, é o remédio para a cura de todos os males da alma. Caridade é amor. Estamos no plano terrestre para aprendermos a amar. Se tivessemos aprendido, não precisaria todos os demais mandamentos, apenas essa máxima que resume todas as outras: "Amai-vos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo." (Jesus). Quando aprendermos a amar a todos como iguais, aí, então, teremos evoluído. Que Assim Seja!
Luz e Amor!
Caridade! Palavra sublime, que resume todas as virtudes, és tu que deves conduzir os povos à felicidade. Ao praticar-te, eles estarão semeando infinitas alegrias para o próprio futuro, e durante o seu exílio na terra, serás para eles a consolação, o antegozo das alegrias que mais tarde desfrutarão, quando todos reunidos se abraçarem, no seio do Deus de amor."(Que a mão esquerda não saiba o que faz a direita, cap XIII; 11. O Evangelho Segundo o Espiritismo)
"Seja gentil consigo mesmo, aceite as coisas como elas vêm para você. Tudo mais será resultado do seu progresso espiritual".
Um Espírito Amigo
Em 18-07-2012, às 23hs e 30mint.
"Aquele que não conhece os ensinamentos de Jesus faz o que gosta, mas, aquele que conhece os ensinamentos de Jesus, faz o que deve". (Joanna de Ângelis)
A liberdade é uma lei da natureza. O respeito pela liberdade é um dever moral. Todos nascemos, igualmente, livres. A liberdade é um direito natural. Cercear a liberdade de outrém é um mal e nada justifica um mal: “O mal é sempre o mal e não há sofisma que faça uma ação má se tornar boa". (L.E., questão 830). Não importa as circunstâncias, nada justifica. Fala-se muito em "direitos" quando se deveria ensinar sobre os "deveres". O direito, sendo nato, não se encerra quando um outro se inicia. Deve-se ensinar o dever para se formar o homem de bem. Só existem leis para garantir os direitos dos homens, porque os deveres não lhes foram ensinados.
Porém, no órbe terrestre a liberdade é relativa, mesmo o livre-arbítrio é circunscrito, igual ao peixe no rio, é livre na água até às margens, porém, não pode ultrapassá-las. Bem assim, é o homem na sua liberdade de escolha, essa liberdade só vai até onde não viole a liberdade do outro. Interferir na liberdade do outro é um ato de violência contra o outro. Todos podem compartilhar de um mesmo espaço desde que respeite os limites do outro. "Desde que juntos estejam dois homens, há entre eles direitos recíprocos que lhes cumpre respeitar; e não têm mais, por conseguinte, liberdade absoluta.” (L.E., questão 826)
O pensamento, este sim, é livre totalmente. Ninguém pode conduzí-lo senão o próprio ser, o contrário, chama-se hipocrisia. (L.E., questão 837). Somente Deus, os conhecendo, pode julgá-los. Um pensamento, ainda que errado, vale mais do que uma convicção imposta, ainda que acertadamente. “Quanto mais inteligência o homem tem para compreender um princípio, tanto menos desculpável é de não aplicar a si mesmo. Em verdade vos digo que o homem simples, porém sincero, está mais adiantado no caminho de Deus, do que um que pretenda parecer o que não é” (L.E., questão 828.a). Não cabe a ninguém impor suas idéias ou crenças a outrém.
"Eu penso, logo existo" (René Descartes). A maior prova da existência humana é o pensamento. O homem se difere dos outros animais pela inteligência. "A consciência é o pensamento íntimo." (L.E., questão 835). É a razão desenvolvida dentro de cada ser. A consciência é o pensamento depurado, não mais o pensamento absorto. A consciência é, portanto, o raciocínio lógico, que só se atinge subindo o degrau da evolução. "A liberdade de consciência é um dos caracteres da verdadeira civilização e do progresso.” (idem, 837).
Quando se evolui, atingi-se a consciência plena. Atingindo a consciência plena, aprende-se o discernimento entre poder e dever. Nem tudo o que eu gosto, eu posso. Nem tudo o que eu posso, eu devo. Mas, eu posso tudo o que eu devo. "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me convém. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma" (N.T.,1ª Epístola de Paulo aos Coríntios, cap. 6; 12). Seja em qualquer circunstância, ainda que a inclinação (o gostar) seja fazer o mal, far-se-á o bem, porque fazer o bem é um dever de todo cristão. Fazer o bem é um dever moral. Que Assim Seja!
Luz e Amor!
"Sede bons e caridosos: eis a chave dos céus, que tendes nas mãos. Toda felicidade eterna se encerra nesta máxima: "Amai-vos uns aos outros". A alma não pode elevar-se às regiões espirituais senão pelo devotamento ao próximo; não encontra felicidade e consolação senão nos impulsos da caridade. (...)"
(Que a mão esquerda não saiba o que faz a direita, cap. XIII; 12. O Evangelho Segundo o Espiritismo)
Agradeço o carinho e atenção com que acompanham meus relatos. Sei que estou muito longe na escala evolutiva, mas, o propósito deste é tão somente compartilhar experiências cotidianas. Não sou escritora, não domino a gramática e, muito menos, ainda, possuo conhecimentos da doutrina Espírita, logo, não tenho missão alguma de ensinar nada a ninguém., somente, aprender com os meus próprios erros. Acredito, simplesmente, que se os meus erros servirem para confortar alguém que se sinta só com suas inquietações, fazendo com que se sinta menos "estranho" nesse grande ninho que é o mundo, como já me senti um dia, então, os meus erros terão valido à pena.
O motivo dessa mensagem é desculpar-me pelo tempo ausente de postagem. Como ocorre, comumente, com todos médiuns, até mesmo os mais experientes, sofri um processo obsessivo grave. Algumas janelas do pretérito foram descortinadas e o choque de realidade para o Espírito que vos fala, foi muito grande, diante do encontro com o meu amigo credor. Achei, por bem, dar um "pause", até findar o tratamento espiritual e recuperar as energias, para prosseguir com os meus relatos. Afinal, os Espíritos também tem a sua dignidade que não pode ser ferida. "O homem trás na alma sempre alguma coisa que gostaria de esconder de si mesmo". Tão logo tenha digerido as comunicações, seguindo o intuito desse diário, farei novas publicações. Afinal, estamos no plano terrestre não para julgamento, mas, o ressarcimento de nossas dívidas pretéritas e atuais, melhor não acumularmos mais nada para o futuro, a não ser o amor fraterno.
Acreditava ser impossível descortinar o véu do esquecimento e trazer à consciência vivências passadas. Porém, esse véu pode ser descortinado com a permissão Divina, pois que, nem um mal se revela sem que Deus o tenha permitido, com a finalidade de um bem maior. A lembrança do passado trás inconvenientes muito grave e perturbações inevitáveis, mas, se Deus permite é para nos melhorarmos no que mais necessitamos. A dor é muito intensa, a humilhação diante daquele que ofendemos é muito grande e o orgulho ferido rasga, literalmente, a nossa alma. Se fosse permitido lembrar exatamente o que se fez a cada existência, sucumbiríamos antes mesmo de nascer - imatura. As tendências atuais são indícios do que precisamos corrigir em nós mesmos.
"De resto, esse esquecimento só existe durante a vida corpórea. Voltando à vida espiritual, o Espírito reencontra a lembrança do passado. Trata-se, portanto, apenas de uma interrupção momentânea, como a que temos na própria vida terrena, durante o sono, e que não nos impede de lembrar, no outro dia, o que fizemos na véspera e nos dias anteriores. (...) não é somente após a morte que o Espírito recobra a lembrança do passado. Pode dizer-se que ele nunca a perde, pois a experiência prova que, encarnado, durante o sono do corpo, ele goza de certa liberdade e tem consciência de seus atos anteriores. (...) A lembrança só se apaga durante a vida exterior de relação. A falta de uma lembrança precisa, que poderia ser-lhe penosa e prejudicial às suas relações sociais, permite-lhe haurir novas forças nesses momentos de emancipação da alma, se ele souber aproveitá-los". ( O Evangelho Segundo o Espiritismo. Bem-Aventurados os Aflitos, cap. V; 11)
A luz Divina esteja com todos. Que Assim Seja!
Saudações fraternas.
Luz e Amor!
"O homem traz, ao nascer, aquilo que adquiriu. Ele nasce exatamente como se fez. Cada existência é para ele um novo ponto de partida".( O Evangelho Segundo o Espiritismo. Bem-Aventurados os Aflitos, cap. V; 11)
Estivemos reunidos, em desdobramento, eu, meu Mentor e Espíritos Amigos. Não me lembro do conteúdo da reunião, mas, não pude deixar de anotar essa questão: "O quê mais importa, é o bem que se faz ou, quem o faz?". Percebo que é um ensinamento antes para mim mesma, que, muitas vezes, preocupo-me em saber de quem parte as comunicações recebidas do mundo invisível. É muito intenso estar reunido com a Espiritualidade, e muito gratificante os nossos encontros no plano espiritual, quando do cumprimento de nossa missão na Seara Divina. Há quem duvide dessa possiblidade, mas, ela existe e, os Epíritos também existem, trabalham incessantemente na produção do bem para a Humanidade, nas várias dimensões do Universo.
O que importa se acreditam ou não? Jesus não lhes disse, bata os pés e saia: "esteja na paz do Senhor". Bater os pés significa não levar ressentimentos. Não há de querer impor suas idéias e suas crenças à ninguém. Não se ocupe de querer mudar o pensamento de ninguém. Só é possível persuadir através do amor desinteressado. Deus deixou no coração do homem, mesmo nos mais incrédulos, céticos, ateus, uma semente de amor para que um dia germine e de frutos, e, então, suas criaturas possam retornar ao seio Divino. Deus não deseja perder nenhuma de suas ovelhas. Devemos, pois, atingí-los no coração, e só chegaremos até ele através do amor incondicional, livre de quaisquer interesse pessoal. Trabalhe com esse amor e confie no Senhor teu Deus, que não desampara os seus eleitos.
Daria o Senhor, a espada na mão de um inimigo sedento de justiça? Deus é sábio, nada fez por acaso. À cada um, Deus entregou uma missão na Terra, da mais humilde à mais grandiosa aos homens. Todas são importantes para a construção de um mundo de felicidade. Daria o Senhor, ao pedreiro, uma obra para que conduzisse sem um engenheiro para auxliá-lo na construção? Nenhuma construção é realizada sem o apoio de muitos. Cada um com a missão que lhe cabe, a que se desprendeu para realizá-la no plano terreno. Somos todos operários dessa construção. O Senhor de todas as coisas que está no Céu e na Terra é o Senhor teu Deus. "Fora da Caridade não há Salvação". Nessa construção de um mundo melhor, o que menos importa é quem sejas, o que importa é o bem que se faça. E, ninguém nunca estará sozinho na Seara Divina. A luz do Mestre Jesus far-se-à sempre presente. Que Assim Seja!
Luz e Amor!
"O Espiritismo bem compreendido, mas sobre tudo bem sentido, conduz forçosamente aos resultados acima, que caracterizam o verdadeiro espírita como verdadeiro cristão, pois que um e outro são a mesma coisa. O Espiritismo não cria uma nova moral, mas facilita aos homens a compreensão e a prática moral do Cristo, ao dar uma fé sólida e esclarecida aos que duvidam ou vacilam..."(Sedes Perfeitos, cap. XVII; 4. O Evangelho Segundo o Espiritismo).
"Nós seres humanos, estamos na
natureza para auxiliar o progresso
dos animais, na mesma proporção
que os anjos estão para nos auxiliar.
Portanto quem chuta ou maltrata um
animal é alguém que não aprendeu a
amar"
Hoje conheci o amor na sua mais pura expressão, na sua essência. Choro sim, por que nem sempre o amor vem a galope, em um cavalo branco com asas. Mas, enfim, ele chegou para mim. No instante em que escrevo, ele (o amor) está aqui em meus braços. As minhas lágrimas hoje é oração. O amor se apresenta das mais variadas formas. Pode estar no nosso semelhante, nas flores no campo, em um pequeno animalzinho, todos somos criaturas de Deus e, por isso, em tudo há amor, nas coisas mais simples, mais singelas está a expressão do amor, basta observarmos com o coração e deixar que ele se manifeste em todo nosso ser.
"Os animais estão na Terra para ajudar o homem na sua evolução" (Chico Xavier). Lá "no plano invísivel existe um lugar lindo, onde uma legião de anjos cuidam desses animais para o seu retorno, em nosso lugar, nesse mundo de "provas" e "expiação", quando, enfim, aqueles que compreenderam o sentido da vida, estarão gozando as alegrias do mundo de regeneração". Há quem acredite que os animais não são merecedores de atenção, de amor. Principalmente os de rua, sem dono. Porém, a cada um Deus deixou uma missão importante na Terra. Todos somos seus adminstradores. Que trabalhadores estamos sendo na Seara de Cristo? Como estamos cuidando dos bens que Ele nos confiou? Amar e cuidar dos animais abandonados é uma missão das mais sublimes. O que seria destes pequenos se não fossem almas caridosas, embuidas no devotamento ao amor Supremo?
Eu nunca antes havia colocado um gatinho no colo. Não que lhes quisesse algum mal, na verdade, eu não sabia que os amava com a mesma intensidade que amo os demais animais na natureza. Eu amo cães e, acreditava amá-los mais que a qualquer outro animal. Porém, ela entrou na minha vida e mexeu com a minha existência, nunca mais serei a mesma e, disso eu tenho a certeza, a consciência uma vez desperta jamais silencia. Acredito plenamente que nada acontece por acaso, mesmo porque, nós espíritas sabemos que o "acaso" não existe, pois que, Deus é "Inteligência Cósmica Universal". Se esse ser apareceu na minha porta, é porque Deus o deixou sobre os meus cuidados com um propósito: o meu melhoramento moral ou, para que eu pudesse me redimir de algum mal contra esses animais, em algum outro momento da minha existência, ou, apenas, para me ensinar a amar à todas suas criaturas, sem distinção.
Quinta-feira, dia 31-05-2012, às 16hs e 30mint., fui para a área externa da frente da casa olhar o jabuti no jardinzinho que preparei para ser sua morada. Então, deparei com uma criaturinha deitada, quase sem vida, no meu portão. Hesitei alguns minutos na dúvida de pegá-la ou não, poderia apenas estar dormindo, aproveitando o sol da tarde, na verdade, tive medo de tocá-la. Eu tenho "pânico" de gatos, ou melhor, tinha, até o momento em que resolvi deixar o meu coração se manifestar em mim. Busquei imediatamente uma caixa, forrei com um paninho, deitei-lhe e, com uma seringa, alimentei-a com leite. Pensei que pudesse ser fome somente. Não pude mais deixá-la ir embora. Acomodei-a em um cantinho da sala, fiquei feliz quando pela primeira vez ouvi o seu miado, ainda fraquinho. Cuidei de seu olhinho inflamado, dei-lhe carinho, porém, sem colocá-la nos braços, sem tocá-la a não ser com um paninho.
Lavava as mãos de instante a instante, parecia que me contaminaria, nem mesmo eu sei de quê. Aprendi, desde muito cedo, que gatos eram seres repugnantes, malévolos, sempre associados a "bruxaria", ao azar, ao mal. Lembro-me na infância, uma senhora de certa idade, carregando um saco de gatinhos em uma das mãos e, na outra, um pedaço de pau. Seguia em direção de um poço abandonado, no meio do mato. Chovia, mas fiquei a acompanhá-la com o olhar. Então, alguém me disse: "ela vai matar os gatinhos e atirá-los no poço". Eu tinha sete anos, não compreendia por alguém faria isso com seres tão pequenininhos, eles, realmente, deveriam fazer mal!
Tinha medo de suas garras, seu olhar, diziam-me que parecia "macabro". Eram bichos ariscos e raivosos. Nunca presenciei nenhum episódio de ataque de gatos, mas, mantinha-me, o quanto possível, bem distante deles. Alguém me contara de uma cena onde gatos enraivados subiam pelas paredes e tiveram que ser abatidos, por seu dono, à "bala". Seus grunidos quando raivosos eram tenebrosos. Quando no acasalamento, pareciam seres de outro mundo, arrepiando a alma humana.
Quando fui crescendo, passei a achá-los lindos, mas sem nenhuma aproximação física. Adoro felinos (leão, onças, panteras ...). Agora, ela, uma gatinha com pouco mais, pouco menos de dois meses de existência terrena, apareceu na minha vida. Passei a noite, de hora em hora, dando-lhe leite na seringa. Quando pela manhã acordei, com o seu miado, agora mais fortalecido, senti profunda alegria. Já caminhava pela casa. Acreditei realmente ter sido fome a sua convalescência. Vinte quatro horas depois que a resgatei, ela expeliu, enfim, o que estava lhe matando aos pouquinhos: um pequeno pedaço de peixe envenenado, enrolado num plástico. Paralisei com o que vi. E senti na alma o quanto é cruel não amar a essas criaturas. Senti-me, assim, cruel tal qual quem a envenenou.
A gatinha apresentou uma melhora surpreendente. Dei-lhe o nome de "Sininho", a fadinha de "Peter Pan". Tomava o leite na seringa, miava, andava pela área a brincar com o jabuti, corria a minha procura quando ouvia os meus passos, "ronronava" quando estavamos próximas. Então, resolvi ficar com ela até que estivesse totalmente recuperada, depois a daria para adoção, uma família que a amasse, como eu a amei, nesse curto espaço de tempo.
Hoje, domingo, pela manhã, ela parecia bem. Correu atrás de uma bolinha para brincar, comeu uma papinha de atum, não podia imagiar o que nos aguardava. Ás 16horas e 30min., Sininho teve sua primeira convulsão. Estremeci, teria que segurá-la ali, fazê-la sentir a minha presença, acalmá-la evitando que se machucasse. Então, pela primeira vez, apertei-a nos meus braços de encontro ao meu corpo, em profundo sofrimento. Senti o amor florescer naquele trágico instante. Chorava orando, chamando pelo amigos Espirituais. "Jesus, dizeste que poderiamos curar em amor ao Teu nome, ensina-me a curar!". Ela acalmou e adormeceu no meu colo. Coloquei-a na caixa confortavelmente amparada por um ursinho de pelúcia, para que não se sentisse só. Orei, como orei! Após está fase, seguiram-se mais cinco crises convulsivas. E eu, com ela em meus braços, tão pequena, tão frágil, e, ao mesmo tempo, tão forte.
Entrei em contato com amigas, mais experientes com esses felinos tão dóceis e amáveis. Disse-lhes da tristeza de não ter pudido fazer o melhor por ela, por não tê-la levado ao veterinário. MAS COMO? Eu estava agradecida por sua melhora, justamente, por não poder arcar com tamanha despesas no momento, ainda mais, final de semana, quando a consulta e internação ficam mais caras. Eu não pude removê-la daquele sofrimento. Estava impotente diante da morte iminente. Eu, que tão pouco pude fazer por ela, recebi uma das maiores graças que se pode obter na vida terrena, aprender a amar.
Sininho está nesse momento em meu colo, aconchegada ao meu corpo, para que sinta o quanto está sendo amada nesses instantes de sua vida. Esta medicada para conter as convulsões, pelo menos por está noite. Estou orando e rendendo-lhe esta singela homenagem em nome do amor pelas criaturas do Senhor. Com ela aprendi que nenhuma criatura animal, na face da Terra, é "macabra", todas são criaturas de DEUS e, Deus é Amor.
OS HOMENS DEVERIAM APRENDER COM OS ANIMAIS. O HOMEM É O ÚNICO ANIMAL CAPAZ DE FERIR SEUS SEMELHANTES E ADVERSOS SEM UMA CAUSA JUSTA. É O ÚNICO PREDADOR DE SI MESMO, POR IGNORÂNCIA AS LEIS DIVINAS.
Jesus disse: "Não julgueis para não serdes julgados. Aquele que estiver sem pecado que atire a primeira pedra". Eu rogo à Deus, não só o perdão por àquele que, não conhecendo os Seus ensinamentos, foi capaz de tamanha crueldade, coloco-me até mesmo em seu lugar, talvez, como eu, tenha aprendido de forma negativa, por alguém que, também, desconhecia sobre os Ensinamentos de Cristo, e, por isso, não aprendeu a conviver com esses seres tão dóceis, inteligentes e independentes que são os felinos. Que eles nada tem com as histórias de bruxarias, pois que nem mesmo existem bruxas, existem sim, pessoas que usam e abusam da graça Divina para praticar o mal. O gato, ao contrário é símbolo da intelectualidade.
Vou ficar em prece para que Sininho seja cuidada pela Espiritualidade, em nome do Divino Mestre Jesus, por amor a todas as suas criaturas. Pedir que seja feita à Sua vontade e não a minha, que ela receba o melhor, pois que, nessa existência, cumpriu sua missão maravilhosamente, ensinou-me a amar e, por extensão, a todos outros seus irmãozinhos. Se ela tiver que partir, ela será uma pequena grande "fadinha" nos céus, que fez da criança que habitava em mim, com seus medos, um ser humano um pouco melhor.
São Franscisco de Assis, com seu amor Divino, guarde todas as criaturas da natureza. Que assim Seja!
Luz e Amor!
PRECE DE CÁRITAS
Segunda-feira, 04-06-2012, acordei cedo com o miado de Sininho, para minha felicidade. Mais uma vez, coloquei-me em oração irradiando-lhe a minha energia de amor. Levei-a para o Hospital Veterinário Público. Ela foi atendida pela equipe médica com urgência. Ficou no soro, recebendo anti-convulsivo, até a chegada do resultado de seu exame de sangue. Sininho estava completamente debilitada, apresentou um quadro de infecção e anemia profunda, necessitando de transfusão de sangue urgente, o que não ocorreu. Esse procedimento é muito caro e evasivo, sendo realizado em clínicas particulares.
Então, decidimos levá-la para outra clínica, especializada em atendimentos felinos. Após 24 horas ainda não apresentava melhora, convulsionava ainda sob efeito de remédios e não aceitava alimentação. Em casa, recebi a notícia de seu estado, era grave. Foi sugerido sacrificá-la, caso continuasse sem reagir para minimizar o seu sofrimento. Novamente, coloquei-me em oração, supliquei aos Bons Amigos que estivessem com ela, e, que fosse feito o melhor, pois sei o quanto somos ainda egoístas para aceitar "perder" uma vida. Não pensei que doeria tanto em mim, vê-la sofrer, afinal, eu a peguei na rua. Mas, de quem são os animais? Quem são os responsáveis pelas criaturas que Deus colocou sobre a Terra para nos ensinar a evoluir? Quem, senão nós, seres "quase perfeitos"? A responsabilidade é de todos! Somos administradores dos bens terrenos.
Quando fui dormir, pedi a clemência Divina de poder fazer uma visita, em desdobramento, a Sininho, junto à equipe Espiritual, era o meu maior desejo, naquele instante, se houvesse que partir, sentir que estava presente, dando-lhe o meu amor. Pela manhã, ainda em estado de vigília, ouvi o seu miado, por três vezes, parecia sair de dentro do meu ventre. Acordei colocando a mão sobre o útero e lembrando de quando ela acordou, miando ao meu lado, no dia anterior. Então, mais uma vez, orei para que estivesse onde estivesse, que ficasse bem, afinal, sofreu tanto, ainda tão pequenininha. Fui para o jardim, olhei o jabuti, a vi brincando atrás do jabuti, depois, correndo para mim, como no primeiro dia. Não contive as lágrimas de emoção. Como teria passado a noite? Teria resistido? Teria sido sacrificada? Eu não tive coragem de procurar saber, apenas, orava.
Então, às 11horas recebi um telefonema, era a amiga que ficara responsável pela estadia dela na clínica. "Você continua rezando?", perguntou-me. "Sim", respondi-lhe. Disse-me: "Então, continue orando porque sua oração foi atendida, ela reagiu ao tratamento está noite, e, já não convulsiona sem a medicação. Está aceitando a alimentação". Como não chorar diante de um milagre desse? Como não se ajoelhar e agradecer ao Pai Celestial por sua infinita misericórdia? A oportunidade era para mim, o resgate era da minha alma! Estava aprendendo a amar mais uma criatura da natureza, e isso era maravilhoso!
Sininho ficará mais um dia na clínica, sob observação e cuidados médicos. Ansiei buscá-la de imediato a notícia, mas, entreguei à Deus, pedi que ela pudesse permanecer lá, só mais um dia, sei que será bem melhor cuidada pelo profissional, nesse momento, quando se encontra ainda debilitada. Porém, precisará de todo carinho e atenção para superar o seu trauma, e, esse amor eu tenho, hoje, graças a ela, para lhe ofertar, em nome do Senhor. Amanhã iremos trazê-la para o seu novo lar. Continuarei rezando para que nossa história tenha um final feliz. Que Assim Seja!
Luz e Amor!
"Ponde-vos a caminho sem provisões" (Jesus).
Juntamente com o seu sentido próprio, essas palavras encerrarm um sentido moral bastante profundo. Jesus ensinava, assim, aos seus discípulos, a se confiarem à Providência. Além disso, desde que nada possuiam, eles não podiam tentar a cupidez dos que os recebiam. Era um meio pelo qual distinguiriam os caridosos dos egoístas, e por isso lhes disse: "Informai-vos de quem é digno de vos receber", ou seja, de quem é suficientemente humano para abrigar o viajor que nada pode pagar, por quanto esses são dignos de ouvir as vossas palavras, e é pela sua caridade que os reconhecereis".
(Buscai e Achareis, cap. XXV; 11. O Evangelho Segundo o Espiritismo)
Em 08-06-2012, às 19:30hs.
Queridos amigos e irmãos em Cristo, Sininho, a pequena "fadinha", encanta-me, hoje, correndo pelo quintal atrás de sua bolinha. Alimenta-se sozinha, voltou a beber àgua. Não apresentou nenhum quadro de convulsão depois do seu internamento. Continua recebendo as medicações prescritas pelo veterinário e todo o meu amor, o amor que ela me ensinou e, retribui com seu "ronronado", que, cada vez mais, preenche o meu coração de ternura. Glória à Deus!
Luz e Amor!
PROMESSA DO BEM
Por onde andar, se não se sabe o caminho?
Por que amar, quando não se tem carinho?
Jesus é a resposta, também o Consolador,
O Espírito Verdade, o enviado do Senhor.
Quero ir mais além,
Quero voar bem mais alto.
Faz de mim homem justo e amorável. Jesus, guia os meus passos!
Levarei o teu amor aonde quer que eu vá.
Faz de mim o teu espelho,
Faz meu corpo teu altar.
Que tua luz tenha em mim grande fidelidade,
Que alegre corações, que plante felicidade!
Que Jesus, Mestre divino, nos conduza em tua paz,
Pois, tu nos chama de filhos,
E nós te chamamos de Pai.
Laerte
Está é Sininho, ou melhor, Nina. Foi adotada por uma amiga e irmã, após a sua completa recuperação. Não pude continuar com ela, pois tenho Luna, um labrador fêmea, muito ciumenta, não aceitou dividir seu espaço com Sininho. Nina é muito amada por sua nova família. Graças a Deus! (27-01-2013)